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Campo Grande, Sábado, 25 de Maio de 2019

19/01/2019 17:20

Torcida nunca desiste e, entra ano, sai ano, tenta animar estádio quase vazio

Partida em que o Comercial enfrente o Serc, no Estádio Morenão, marca a estreia do 41º Campeonato Sul-Mato-Grossense de futebol

Izabela Sanchez e Mirian Machado
Torcida do Comercial concentrada em meio à estádio vazio (Foto: Henrique Kawaminami)Torcida do Comercial concentrada em meio à estádio vazio (Foto: Henrique Kawaminami)

A capacidade máxima permitida para o Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o Morenão, foi definida, após vistoria, no limite de 12 mil pessoas para torcerem pelos times de futebol de Mato Grosso do Sul. Na tarde deste sábado (19), estreia do 41º Campeonato Sul-Mato-Grossense de futebol, o Morenão está longe de exibir o máximo permitido: segundo a organização, apenas 375 pessoas foram ao local prestigiar o primeiro jogo.

Comercial e Serc se enfrentam nos gramados do estádio, e a torcida comercialina toma conta do local, ignorando a falta de público e acompanhando, com entusiasmo, o time vermelho que está, até agora, em vantagem com relação ao clube de Chapadão do Sul. Com dois gols no primeiro tempo, um deles no pênalti, o time “dá gás” ao público, que se concentra na área coberta.

O aposentado Celso Dias da Cruz, 76, é mineiro de Alcena (MG), mas aproveitou a visita à Campo Grande para exercer o amor pelo futebol. E não foi sozinho. Celso “carregou” o sobrinho, pouco entusiasmado com o futebol local. Celso afirma torcer pelo Palmeiras, mas “gosta muito” do esporte, por isso, ao saber da estreia do campeonato, resolveu comparecer.

A família de comercialinos de Priscila (Foto: Henrique Kawaminami)A família de comercialinos de Priscila (Foto: Henrique Kawaminami)

Uma família de comercialinos tenta dar volume ao estádio vazio. A encarregada de marketing Priscila Miranda Honório, 37, o marido, os filhos de 16 e 19 anos e o sobrinho de 8 fazem coro aos gritos da torcida. A família torce pelo time há 10 anos.

“Gosto demais de futebol. Meu filho de 16 vai treinar no sub 17 do Comercial. Acompanho mais o estadual do que o nacional”, conta ela, que também é corintiana. A família prestigia todos os jogos do Comercial. “Trazemos outras pessoas da família para divulgar. O comercial, por exemplo, não tem nem onde treinar. Infelizmente o que entristece é que acabou a tradição de vir ao estádio”, lamenta ela.

O marido Hugo Carneiro, 44, é músico e defende que exibir os jogos da Capital pela televisão, aos campo-grandenses, “é um erro”. Ele avalia que a transmissão acaba por desestimular que o público vá até o estádio. “Deveria passar quando é no interior, porque a pessoa acaba não saindo de casa”, afirma.

Tocida comercialina concentrada (Foto: Henrique Kawaminami)Tocida comercialina concentrada (Foto: Henrique Kawaminami)

“Mesmo com os erros, torcemos, somos apaixonados pelo comercial. Sou de Londrina e lá o futebol é muito forte, todo vão para o estádio”, explica, declarando que a família tem três times: londrina-corintiana-comercialina.

O personal Alex de Castro, 32, carrega no sangue a tradição pelo Comercial. O avô jogou pelo time na década de 1950. Ele foi até o estádio com a esposa e ali, os dois se misturam com a torcida organizada. O grupo anima a partida com tambores, gritos e cantos.

“É o primeiro jogo, de estreia, acho que a qualidade dos jogadores está melhor esse ano. Olha que foi decidido 15 dias antes. Para o primeiro jogo está muito bom. O outro time não é muito bom”, avalia. Para ele, os principais times rivais continuam sendo Operário e o Corumbaense. “Meu avô jogou para o comercial na década de 50, por isso minha ligação com o time”, relata.

Em meio ao tempo bom – o sol abriu enquanto a chuva deu uma trégua - idosos, crianças, não importa: no eco vazio do estádio, os poucos que ali estão esbanjam animação.
“Temos que desmistificar que a torcida é perigosa. Se entrar uma pessoa do time rival não vai acontecer nada”, pontua Alex.




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