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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

25/09/2017 06:15

Torturada quando criança, Lucélia recebia até choques, mas hoje fala de perdão

Mãe adotiva prendia dedo dela na porta, esmagava língua da menina com alicate e passava pimenta nos olhos.

Mariana Lopes
Lucélia na palestra em Campo grandeLucélia na palestra em Campo grande

Quem vê a jovem de 21 anos, com um sorriso no rosto, olhar sereno, simpatia pra dar e vender e dona de uma beleza peculiar, não imagina o quanto Lucélia Rodrigues sofreu na infância e quantas cicatrizes carrega na alma. Torturada quando criança, hoje ela viaja pelo Brasil dando palestras e pregações sobre perdão, superação e amor de Deus.

O caso dela chocou o Brasil em 2008, quando um vizinho fez a denúncia sobre os maustratos e a polícia encontrou Lucélia acorrentada e amordaçada na lavanderia do apartamento onde morava com uma família adotiva, em Goiânia. A jovem esteve em Campo Grande neste final de semana para contar seu testemunho em uma igreja evangélica.

Quase dez anos depois, hoje a vida de Lucélia é completamente diferente. Casada e mãe do Miguel, de 1 ano, ela diz que perdoou Sílvia Calabresi Lima, responsável pelas agressões, e que entende o que Deus fez em sua vida.

Antes da palestra, Lucélia conversou com o Lado B e contou sobre o passado. Aos 12 anos, ela foi entregue a Silvia pela mãe biológica, que na época passava necessidades e não tinha condições de criar os filhos. "No começo eu era tratada como uma princesa, mas não demorou muito e vieram as agressões", conta.

Lucélia se lembra muito bem da primeira surra de cinto que levou por deixar o irmão caçula cair. Pouco tempo depois, o castigo foi pior, quando ela, sem querer, prendeu o dedo do filho de Silva na porta. "Ela quis descontar e prendeu meus dedos na porta também, e daí, todo dia ela prendia meu dedo na porta, mesmo sem eu ter feito algo", recorda Lucélia.

Lucélia dá palestras em escolas, encontros, cultos, pelo Brasil todoLucélia dá palestras em escolas, encontros, cultos, pelo Brasil todo

Em poucos dias, as torturas passaram a ser mais severas e cada vez mais sem motivo. "Ela chegava em casa e dizia que não tinha tido um dia bom e já me mandava ir pro ponto, que era a lavanderia, local onde ela me torturava. Lá, havia um ritual de tortura, no qual ela começava me afogando, depois vinha o choque, prendia meu dedo na porta, prensava minha língua com alicate, passava pimenta nos meus olhos, boca e nariz, e por fim me amordaçava e acorrentava", detalha Lucélia.

Todo esse pesadelo durou em torno de um ano e meio. Depois que Silvia foi presa pelo crime, Lucélia foi levada para um abrigo e 9 meses depois adotada por uma família de pastores de Belo Horizonte. Neste tempo, Lucélia ainda ficou cara a cara com a torturadora em uma audiência sobre o caso. "Senti muito medo dela, meu corpo tremia inteiro", diz.

Durante todos esses anos, a jovem nunca mais ficou de frente com Silvia, mas afirma que acredita que este dia ainda vai chegar. "Não desejo mal a ela, não guardo mágoa ou qualquer sentimento ruim. Não sei responder se estou pronta para encará-la de novo. Acho que se Deus ainda não me proporcionou este encontro, talvez eu ainda não esteja preparada, mas quero que isso ocorra um dia, para eu poder abraçá-la e dizer que ela pode seguir a vida em paz, que eu não tenho mais nada por ela", conta.

De maneira serena, Lucélia repete que perdoar não é esquecer, mas sim tocar na ferida cicatrizada sem doer", enfatiza. Em nenhum momento da entrevista, Lucélia estremeceu. nem mesmo contando os detalhes das torturas. "Lembro das torturas e até da dor, achava que ia morrer e tinha dias que eu pedia para que ela me matasse, pois eu não suportava mais aquela situação", pontua.

Mas na hora que ela falou do filho, aí a jovem não conseguiu mais conter as lágrimas. "Meu filho é um sonho pra mim, olho pra ele e tento entender como alguém tem coragem de fazer isso com uma criança", questiona.

Lucélia ainda faz a ressalva de que poderia ter seguido por várias outros caminhos, levada pela revolta da condição de vida que teve na infância e por tatos questionamentos que ela um dia teve. "Mas eu escolhi vencer, dar a volta por cima, e o caminho é o perdão, que só conseguimos através do amor de Deus. Hoje entendo que ele me salvou, pois me queria viva para testemunhar tudo isso", acredita.

 



felicidades sempre minha querida ! sinta-se abraçada por mim vc desde criança e muito guerreira , que deus te cubra de bençãos infinitas que fique radiado de muito amor vc merece....
 
Adriana Souza em 20/01/2018 03:12:00
parabéns pela sua superação que Deus te cubra de bençãos e felicidades porque vc merece !!! lembro dessa situação que vc passou e choro ate hoje, como uma pessoa tem coragem de fazer o que fez a você uma criança indefesa, que deus me perdoe vc é muito guerreira porque perdoar um monstro daquele. que ela sofra ate a morte la na cadeia.
 
drica em 20/01/2018 03:07:06
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