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Comportamento

Você lembra dos planos que fazia em fevereiro para o ano de 2020?

Lado B foi às ruas perguntar se as pessoas lembram quais planos tinham em fevereiro e como eles foram afetados pela pandemia

Por Lucas Mamédio | 03/08/2020 06:22
Bruno queria fazer o Enem, mas não conseguiu se preparar direito (Foto: Paulo Francis)
Bruno queria fazer o Enem, mas não conseguiu se preparar direito (Foto: Paulo Francis)

Lembro exatamente quando saíram os primeiros decretos de fechamento de comércio e outras medidas compulsórias de isolamento social por conta da pandemia. A ilusão era que em poucas semanas estaríamos de volta às nossas rotinas e os planos de começo de ano poderiam ser colocados em prática sem maiores problemas.

Ledo engano, parece que estamos sendo cozinhados em banho maria desde fevereiro. Estacionamos nossas vidas nesse mês e não sabemos direito quando vamos poder sair.

Nazaro planejava conhecer o Rio de Janeiro (Foto: Paulo Francis)
Nazaro planejava conhecer o Rio de Janeiro (Foto: Paulo Francis)

Por isso o Lado B foi às ruas perguntar se as pessoas lembram quais planos tinham em fevereiro e como eles foram afetados pela pandemia. E gente, basta um rolê para perceber que o coronavírus mudou vida de geral.

Bruno Artur, de 20 anos, está sentado ouvindo música às margens da Lagoa Itatiaia. Ele lembra que esse ano pretendia continuar trabalhando como garçom e iria, depois de alguns anos de ter terminado o ensino médio, fazer o Enem.

Nem uma coisa nem outra foi possível. Logo no começo da pandemia, o jovem foi demitido, ficou dois meses parado e há um mês conseguiu emprego em uma indústria. Já o Enem, apesar de ainda ser realizado começo ano que vem, já não está mais nos planos. “Com todo esse turbilhão de perder emprego e ter que correr atrás de outro não consegui me preparar direito”.

Nazaro Uruê Neto só queria realizar o sonho de conhecer o Rio de Janeiro, mas teve que deixar para o ano que vem. “Sorte que não comprei a passagem, mas já estava vendo preços e pacotes”.

Márcio teve que voltar para Campo Grande depois de 19 anos em São Paulo (Foto: Paulo Francis)
Márcio teve que voltar para Campo Grande depois de 19 anos em São Paulo (Foto: Paulo Francis)

Viagens, aliás, parece ser um dos planos mais afetados pela pandemia.  Gisa Algusco, que já morou em vários estados do país gostaria de organizar uma grande viagem para todos eles em 2020. “Agora ficou tudo para o ano que vem”.

O que dizer do caso da esteticista Sara Gonçalves, de 25 anos, que depois de alguns anos trabalhando no ramo, ela se demitiu e estava prestes a montar o próprio negócio, uma loja de roupas, quando foi pega de surpresa por tudo isso.

“Eu deixei meu emprego em outubro, aí fiquei estudando como e onde ia montar minha loja, quando já estava quase viajando pra São Paulo pra comprar os produtos, em fevereiro, aí já veio a pandemia e eu tive que adiar tudo”.

Sara, que é de Bela Vista, no norte do estado, até voltou para a cidade dos pais para diminuir os custos enquanto não consegue realizar os planos. “Eu não desisti, mas acho que esse ano vai ser difícil.

Mais impressionante ainda é o caso do maquiador Márcio Garcete, de 39 anos. Ele, que é de Campo Grande, morava desde os 20 anos em São Paulo, e por conta da escassez de trabalho na capital paulista, primeiro epicentro da doença no país, se viu obrigado a voltar para cidade natal para ficar com os pais.

Leyse com a filha e um amigo; ela tinha planos de se mudar para São Paulo (Foto: Paulo Francis)
Leyse com a filha e um amigo; ela tinha planos de se mudar para São Paulo (Foto: Paulo Francis)

“Meu plano é ficar por um ano em Campo Grande, sobreviver do que eu consegui economizar durante todos esses anos e, dependendo de como as coisas estejam, voltar pra São Paulo de novo. Mas é tudo muito recente, ainda tenho que analisar o futuro”.

Márcio conta que nunca imaginava que depois de 19 anos morando em São Paulo, se veria em uma situação que o forçasse a voltar pra Campo Grande. “Meus planos eram continuar vivendo a minha vida, como vivi esses 19 anos”.

Não estar em São Paulo realmente é uma frustração peculiarmente comum entre as pessoas que entrevistamos. A biomédica Leyse Adriana, de 25 anos, pretendia se mudar para a capital paulista no primeiro semestre desse ano. “Eu ia fazer um curso de especialização e depois já ia ficar por lá pra tentar a vida”.

Sejam simples ou grandiosos, não teve uma pessoa que conversamos que não teve os planos afetados pela pandemia. Tem hora que dá vontade de se recusar a ter vivido 2020.

Todos que conversamos na Lagoa Itatiaia tiveram planos fristrados em 2020 (Foto: Paulo Francis)
Todos que conversamos na Lagoa Itatiaia tiveram planos fristrados em 2020 (Foto: Paulo Francis)

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