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Campo Grande, Domingo, 16 de Dezembro de 2018

23/11/2018 07:22

Acessório de resistência, Mara ensina como se produzir com o poder do turbante

Assista o vídeo e veja como usar de um jeito simples o acessório, que além de agregar o visual, é símbolo de luta para muitas mulheres

Thailla Torres
Em diversas cores e estampas, ele deixa qualquer visual mais descontraído, mas por trás dos lenços na cabeça há uma história de luta e resistência.Em diversas cores e estampas, ele deixa qualquer visual mais descontraído, mas por trás dos lenços na cabeça há uma história de luta e resistência.

Em diversas cores e estampas, ele deixa qualquer visual mais descontraído, mas por trás dos lenços na cabeça há uma história de luta e resistência para garantir o direito de viver a própria identidade. Na programação do primeiro Fashion Black Week, realizado até o dia 24 de novembro na Plataforma Cultural, a oficina de turbante foi protagonista em uma oficina de como fazer modelos simples para usar no dia a dia.

Mara Santos, de 40 anos, é funcionária pública e há 10 anos usa o turbante. Para ela está longe de ser apenas um acessório, é um ato político pelo direito de ser respeitada como mulher negra na sociedade. Mas vem acompanhando avanços em relação a aceitação da peça que hoje ganha o coração de muitas mulheres. "Há 10 anos você não via tantas pessoas usando o turbante. Quando alguém ousava usar, precisava lidar com muitos olhares e o preconceito", lembra Mara.

 

Mara ensina fazer turbantes há 10 anos. Mara ensina fazer turbantes há 10 anos.

O preconceito ainda existe, mas em contrapartida a recompensa de Mara é compartilhar conhecimento. "Eu fico muito feliz quando alguém me para perguntar que significado tem o turbante para mim e como eu faço. Nunca me neguei a ensinar, pelo contrário, às vezes tiro da cabeça e faço tudo de novo para pessoa aprender".

Em 2017, o uso do turbante por pessoas brancas gerou polêmica na internet e abriu discussão sobre apropriação cultural. Para Mara, "pode ou não usar", é uma questão pequena. A discussão deve ser baseada no respeito, principalmente, diante das pautas sobre a cultura negra. "Somos um país miscigenado. Não tem um acessório que é só meu, é de todos. Mas não há como negar que o turbante é símbolo da cultura de matrizes africanas há séculos. O que não pode acontecer é você usar o turbante sem saber o significado e no primeiro deboche de alguém, você tirar o lenço e não lutar contra esse preconceito. Precisamos ser resistência", reforça.

No festival, Mara ensinou as meninas alguns modelos simples. O turbante pode ser usados com uma diversidade de tecidos, mas para o dia a dia ela sugere a malha. "É mais leve e mais fresca, principalmente, para quem ainda não está acostumada".

Alguns detalhes são importantes na hora de começar a trabalhar com lenço na cabeça. "Não pode apertar muito, principalmente, as orelhas. Senão você vai sentir dores".

A dica é também agregar elementos decorativos ao tecido. "Em loja de aviamentos é possível comprar vários detalhes que vão deixando o seu turbante mais colorido, como fitas, cordas e outros acessórios. Tudo com um custo muito baixo".

Veja todas as dicas e o jeitinho de fazer dois modelos no vídeo abaixo.

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