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Consumo

Deu ruim 2x: 5 mil pagos em cabelão de celebridade foram parar no ralo

Mais uma daquelas histórias que nem todo sonho vale a pena

Por Ângela Kempfer | 12/01/2022 10:00


O sonho da professora de escola pública no Aero Rancho era ter cabelo de celebridade. Economizou, pesquisou entre as amigas, na internet e, finalmente, em setembro do ano passado, começou a saga pelas mechas longas e com brilho de filtro de Instagram. "Queria ficar como a Deolane Bezerra", lembra, fazendo referência à advogada que virou estrela depois da morte do companheiro, o MC Kevin.

O desejo era antigo, porque sempre teve "cabelo ralo", diz, e ao longo do tempo, os fios começaram a se deteriorar ainda mais por conta da química, com alisamentos e tintura. Mas ela tratou as madeixas, pediu avaliação profissional e pronto: foi "autorizada" a comprar um cabelão. Mas, infelizmente, deu ruim.

Em 4 meses, foram decepções com 2 profissionais, quase R$ 5 mil jogados no ralo, literalmente, e o cabelo ficou ainda pior. "Ia lavar e caiam mechas".

O dia que ela saiu do salão e dias depois, o cabelo já ressecado. (Foto: Arquivo Pessoal)
O dia que ela saiu do salão e dias depois, o cabelo já ressecado. (Foto: Arquivo Pessoal)

É mais um caso sobre o quanto é preciso cuidado na hora de investir nesse tipo de procedimento. A história é longa e contada nos mínimos detalhes pela professora que pediu para ser identificada apenas como Luciane.

Em setembro, após indicação de amiga, ela procurou salão no Bairro Tiradentes e pagou R$ 1.700 pelo "Cabelo do Sul, das gaúchas", 55 centímetros, aproximadamente 100 gramas. Mas parecia pouco e ela ainda acrescentou mais peso pagando um extra.

“A colocação ficou perfeita, mas o problema foi que a qualidade do cabelo. Começou a ficar crespo e áspero, horrível. Em 20 dias, começou a mudar a textura, apesar da manutenção que eu fazia só com bons produtos”, garante.

Segundo ela, primeiro escolheu um salão “mais simples” e saiu de lá com o cabelo “lindo e brilhoso”. Mas em 20 dias, tudo mudou. “Acho que é maquiagem que eles fazem. Vai lavando e vai saindo o brilho”.

Ela pediu uma solução, mas como a proprietária não resolveu, “para não fazer barraco”, procurou outro lugar, agora, mais “chique". “Fui em salão no Carandá Bosque, de uma cabeleireira famosa, depois de ver as fotos lindas no Instagram”, conta.

O cabelo hoje, depois de duas tentativas de mega hair. (Foto: Arquivo Pessoal)
O cabelo hoje, depois de duas tentativas de mega hair. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas a coisa piorou. “Pedi um cabelo ainda maior, queria 65 centímetros. Mas ela usou uma fita adesiva, que com o tempo, virou uma gosma”. Pelo procedimento com 150 gramas de cabelo, foram mais R$ 2.500. “Eu parcelei no cartão e ela ainda me cobrou uma taxa de 100 reais, só porque dei entrada e dividi o resto em 2 vezes”, reclama.

Mesmo assim, foi mais um dia de felicidade, com os cabelos incríveis, de celebridade. Passados 15 dias, outra decepção. Os tais adesivos, vendidos como “microcápsulas de queratina”, começaram a “derreter”, relata a professora.

“Foi ressecando, difícil de pentear e olha que não deixei de hidratar e de fazer os cuidados semanais. E não tinha Cristo para deixar o cabelo liso, ficava todo arrepiado”.

Luciane voltou ao salão do Carandá, pediu providências e a sugestão foi pagar mais “R$ 250 por alisamento do mega e R$ 350 para trocar as fitas.”

A professora pagou e depois de duas semanas, a beleza desandou de novo. As fitas começaram a "escorregar, voltei lá e ela só arrumou 2 mechinhas. Acabei com gosma na minha cabeça, aí, desisti”.

Ela foi até salão perto de casa e a sentença foi dada: “Tive que tirar tudo, fazer uma limpeza, cortar e largar mão do cabelo longo. Primeiro, eu tinha comprado gato por lebre, depois, a cabeleireira que me ajudou no final disse que da segunda vez, usaram a fita de pior qualidade no mercado, por isso, não deu certo.”

A lição que fica é dura. "Não tem como fazer só olhando foto no Instagram. Tem de pedir referências. Perdi um dinheiro que faz muita falta, para realizar um sonho que foi por água abaixo", ensina.

Os nomes dos salões não foram divulgados, porque nos dois casos, as proprietárias não foram encontradas, mas o caso já foi denunciado ao Procon.

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