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Campo Grande, Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

16/07/2019 07:45

Há 31 anos na Vila Margarida, padaria cria Pão Solidário para famílias carentes

Projeto sempre existiu no espaço, mas agora ganhou uma cesta na entrada do estabelecimento

Danielle Valentim
Cesta agora fica na entrada da padaria. (Foto: Paulo Francis)Cesta agora fica na entrada da padaria. (Foto: Paulo Francis)

 “É possível acabar com a fome das outras pessoas, basta querer”. Com essa frase, o Lado B iniciou uma conversa com o proprietário da Padaria Santista, Ademir José Fantinato, de 56 anos, que acaba de lançar o projeto “Pão Solidário”, criado para famílias carentes do bairro.

Há três décadas no mesmo local, a padaria é bem tradicional na região e o dono reconhece que há muitas famílias em situação de vulnerabilidade. Com o propósito de ajudar e amenizar o sofrimento de quem tem fome, Ademir reforçou o que já era feito há anos.

Adenir pontua que o trabalho de doações sempre existiu em seu comércio. (Foto: Paulo Francis)Adenir pontua que o trabalho de doações sempre existiu em seu comércio. (Foto: Paulo Francis)

“Esse trabalho solidário sempre foi feito. Mas não era explícito. Começamos ver que as pessoas tinham vergonha de pedir, então coloquei a cesta com pães na entrada para a pessoa chegar e pegar”, pontua Adenir.

Como funciona? O projeto “Pão Solidário” sempre foi um sonho de Ademir e sua esposa Vera Lucia Cardoso Fantinato, de 52 anos. Para lançá-lo de forma completa preparou até cadastro das famílias.

“Com a ajuda de uma amiga assistente social que atende no posto de saúde do Marabá, começamos a cadastrar famílias em vulnerabilidade aqui do bairro. O projeto é direcionado para aquele pai desempregado, aquela família necessitada. Tem mães que não podem vir e mandam um bilhetinho pelas crianças. Muitas famílias passam fome e nós que estamos há 31 anos sabemos quem são”, explica.

Pães sendo separados em saquinhos no fim da tarde. (Foto: Paulo Francis)Pães sendo separados em saquinhos no fim da tarde. (Foto: Paulo Francis)

Vale ressaltar, que as doações não se tratam de pães velhos.

“Os pães são assados pela manhã e os que sobram no fim da tarde, os clientes já não querem comprá-los porque ele perde um pouco da aparência. Então, o que nós fazemos? Disponibilizamos esses pães em valor mais barato para quem pode pagar e também separamos em saquinhos para doar a quem precisa”, explica.

O desejo de Adenir é que a iniciativa parta do poder público e de outras padarias.

“Tem projetos em prefeituras pelo país que pelo menos o pão de cada dia é garantido. Esses projetos que eu já estudei envolvem as famílias. Mães ajudam a fazer os pães e também a distribuir”, destaca.

Resistência - É difícil manter um comércio por tanto tempo, mas o casal resiste de portas abertas e com gratidão.

“É uma luta, porque padaria é uma prisão (risos). Mas estamos aqui todos os dias, inclusive em feriados e domingos, porém muito gratos, pois daqui formamos nossos filhos, estruturamos nossa família. Não são doações de pães que vão prejudicar nossa renda e se cada um fizer sua parte podemos acabar com a fome”, finaliza Adenir.

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Santista está localizada no mesmo ponto há três décadas.Santista está localizada no mesmo ponto há três décadas.
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