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Consumo

Isa venceu o luto transformando memórias e quem morreu em funkos

Após perder o pai na pandemia, a artista passou a criar miniaturas de pets, famílias e momentos especiais

Por Clayton Neves | 21/07/2026 08:05
Isa venceu o luto transformando memórias e quem morreu em funkos
Trabalho e minucioso e demora cerca de uma semana para ficar pronto. (Foto: Arquivo Pessoal)

Perder o pai durante a pandemia mudou a vida da artista Isadora Ito. Em meio ao luto pela morte de seu Marcos, que morreu aos 58 anos por conta da Covid-19, ela encontrou na arte um caminho para lidar com a dor. Hoje, o que foi uma recomendação do psicólogo virou profissão e ela ainda ajuda outras pessoas a eternizar lembranças em bonecos Funko personalizados, produzidos com impressão 3D.

A artista conta que em 2020 começou a criar peças de pixel art com hama beads. A atividade surgiu durante o isolamento social, quando a rotina dentro de casa e as perdas provocadas pela pandemia tornaram o período ainda mais difícil.

"Foi uma época muito pesada e meu psicólogo disse que eu precisava encontrar uma atividade que me ajudasse a relaxar. A arte foi esse refúgio. Enquanto eu criava, conseguia aliviar a ansiedade. Ela realmente me resgatou naquele momento, tanto que o lema do meu ateliê é 'Criar faz bem', porque foi isso que aconteceu comigo", conta.

Isa venceu o luto transformando memórias e quem morreu em funkos
Pets lideram o número de pedidos para serem eternizados. (Foto: Arquivo Pessoal)
Isa venceu o luto transformando memórias e quem morreu em funkos
Isadora e o marido particiam de feiras criativas de Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

A paixão pela criação cresceu junto com o marido, que também gosta do universo das feiras criativas. Depois de algum tempo comprando peças em impressão 3D para pintar, o casal decidiu investir na própria impressora.

Hoje, Isadora faz Funkos e miniaturas totalmente personalizadas. Apesar de a impressão 3D ser a base do trabalho, ela explica que boa parte do processo é manual. Depois de impressa, cada peça passa por lixamento, acabamento, aplicação de massa e pintura à mão. “Cada peça leva cerca de uma semana para ficar pronta”, detalha.

Entre as encomendas, as mais frequentes estão as de animais de estimação. Muitos clientes procuram a artista para eternizar cães e gatos que fizeram parte da família.

Confira a galeria de imagens:

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"O cliente me manda fotos e eu faço toda a modelagem em 3D antes da impressão. Muitas vezes ele pede para colocar uma pintinha, deixar a orelha um pouco maior ou reproduzir algum detalhe que só aquele animal tinha. É um trabalho muito afetivo, porque normalmente aquela peça representa uma lembrança importante para a família", conta.

Além dos pets, Isadora também produz miniaturas de casais, famílias e pessoas. Inclusive, um dos trabalhos mais marcantes foi criado para o próprio avô, Aijalon, de 81 anos.

Durante uma viagem ao Ceará, ele fez questão de posar em uma grande prancha de surfe instalada em um ponto turístico. A cena divertida virou uma das fotos preferidas da família. No aniversário dele, Isadora decidiu transformar aquele momento em um Funko personalizado.

Isa venceu o luto transformando memórias e quem morreu em funkos
Em 2020, artista começou a fazer peças em pixel art com hama beads. (Foto: Arquivo Pessoal)
Isa venceu o luto transformando memórias e quem morreu em funkos
Trabalho que começou como hobby agora é fonte de renda. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Meu avô sempre foi muito divertido e gosta de fazer coisas diferentes. Fiz ele em cima da prancha de surfe, exatamente como estava na foto. Foi muito emocionante ver a reação dele. É esse tipo de trabalho que mais me encanta, porque transforma uma memória feliz em algo que a pessoa pode guardar para sempre", afirma.

Para Isadora, esse também é o maior propósito do trabalho que nasceu da própria história de superação. "Hoje eu consigo ouvir a história de cada cliente e transformar aquele sentimento em uma peça única. A arte começou como um hobby para cuidar de mim, mas acabou se tornando uma profissão que também ajuda outras pessoas a preservar suas lembranças", avalia.

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