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Diversão

Após décadas de festa, Clube da Amizade e Bom D+ fecham as portas

Os salões animaram as noites de Campo Grande por anos e agora se despedem dos amigos que costumavam dançar nos locais

Por Alana Portela | 07/04/2020 11:20
Clube da Amizade encerra atividades após 36 anos. (Foto: Arquivo pessoal)
Clube da Amizade encerra atividades após 36 anos. (Foto: Arquivo pessoal)

Após anos animando as noites em Campo Grande, os salões Clube da Amizade e Bom D+ fecham as portas. As informações foram divulgadas nas páginas dos clubes que marcaram época de ouro da Capital, com bailões e arrasta pé de remexer o esqueleto. A despedida é recebida com aperto no coração e esperança de um dia poder, novamente, dançar nos locais até o sol raiar.

A presidente do Clube da Amizade, Maria de Almeida Metello comunicou o encerramento oficial das atividades ontem à noite, na página do Facebook do salão. “Não se trata de uma interrupção por causa dos atuais acontecimentos. Essa decisão já vinha sendo considerada após 36 anos dedicados ao entretenimento e à alegria de seus frequentadores”, publicou.

Dona Maria de Almeida Metello mostrando as fotos antigas do clube. (Foto: João Garrigó)
Dona Maria de Almeida Metello mostrando as fotos antigas do clube. (Foto: João Garrigó)

Dona Maria foi personagem do Lado B outras vezes, quando contou que abriu o clube para dançar, mas não encontrava parceiros. Da época que conseguiu unir aviamento e baile para ser feliz e até falou sobre as regras criadas para se divertir no local. São tantas histórias, momentos e lembranças importantes que vão deixar saudade.

Hoje, aos 87 anos e com o sentimento de dever cumprido, dona Maria está feliz por ter feito parte da vida de milhares de amigos e fiéis seguidores. Contente por ter promovido o talento de grandes músicos, grupos e bandas e por ter proporcionado trabalho a um grupo expressivo de profissionais.

Segunda fachada do Clube da Amizade. (Foto: Arquivo/CGNews)
Segunda fachada do Clube da Amizade. (Foto: Arquivo/CGNews)

“O sentimento de dona Maria, de sua filha Maria Mercês e de toda a família é de gratidão por fecharem as portas de uma casa que será sempre reconhecida pela alegria que proporcionou ao público e pela dignidade que sempre marcou a trajetória do Clube da Amizade”, destacou.

A notícia pegou o atendente, Agnaldo Pereira Gonçalves, 47 anos, de surpresa. Ele que era fã de carteirinha do local desde 1997 e não perdia uma festa. Das lembranças marcantes, o festeiro conta que conheceu a esposa, Elizabeth Ribeiro Ferreira dançando no clube.

“Ouvia muito falar do clube e resolvi conhecer o local. Numa dessas idas, conheci minha esposa. Lembro que a vi dançando e convidei-a para dançar comigo. A partir daí as coisas foram acontecendo e quando demos por nós, já estávamos há mais de 20 anos casados. Continuamos frequentando o local e dizíamos para nossos amigos que se quisessem nos achar, era só ir até o clube”, brincou.

Elizabeth Ribeiro Ferreira ao lado de dona Maria Metello e do esposo, Agnaldo Pereira Gonçalvez no Clube da Amizade. (Foto: Arquivo pessoal)
Elizabeth Ribeiro Ferreira ao lado de dona Maria Metello e do esposo, Agnaldo Pereira Gonçalvez no Clube da Amizade. (Foto: Arquivo pessoal)

Agnaldo relata que tinha a mania de abrir e fechar o clube. “Éramos os primeiros a chegar e o último casal a ir embora. Não era um clube e sim uma casa de amigos, onde nos encontrávamos todos os fins de semana. Se tornou uma coisa prazerosa e além do tratamento especial, podíamos contar com o pessoal do clube”.

Saber que as portas foram fechadas é como se perdesse uma parte da história. “Como se perdêssemos um pedaço da nossa vida porque era a nossa segunda casa. Todos os aniversários, festas de fim de ano passávamos lá. É ficar sem chão, sem saber o que será daqui pra frente. No nosso ponto de visa, aquele era o melhor ponto de Campo grande”, declarou Agnaldo.

O encerramento das atividades também acontece no Clube Bom D+. Outro local que fez muitos festeiros dançarem e ainda saírem com gostinho de quero mais. Foram noites agitadas, fins de semanas animados e muito arrasta pé para dar conta do bailão.

No entanto, o último proprietário à frente do negócio, Allan Antunes, também informou nas redes sociais o encerramento das atividades. “Depois de 8 anos, 1 mês e 15 dias venho comunicar que devido à pandemia do Coronavírus, ocorreu a impossibilidade de abrir as portas ao público. Sem os bailes, ficou impossível de arcar com os aluguéis e tive que tomar a decisão de fechar”, disse sobre o tempo em que foi gestor do local.

A publicação foi realizada em seu perfil do Facebook no último dia 26 de março deste ano e contou com mais de 200 comentários e 50 compartilhamentos. A notícia pegou muitos de surpresa, porém, talvez a despedida não seja um “adeus” e sim um “até logo”.

 “Sinto muito aos amigos que fiz em todo esse tempo, vou sentir saudade de vocês, amava o que fazia. Muito obrigado a todos que fizeram parte dessa jornada. O futuro está incerto, quem sabe seja apenas um até logo”, concluiu Allan.

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