Com fogo, Cinderela Tradição leva à avenida reflexão sobre preconceito
Escola aposta em enredo sobre diáspora para discutir racismo, religião e gênero no Carnaval
Com fogo e um enredo que promete provocar reflexão, a Escola de Samba Cinderela Tradição entrará na avenida neste Carnaval com o samba-enredo “Diáspora, por um futuro que não repita o passado”. A proposta é transformar em espetáculo temas como preconceito racial, religioso e de gênero, levando para a festa popular uma mensagem direta sobre respeito e humanidade.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A Escola de Samba Cinderela Tradição apresentará o samba-enredo "Diáspora, por um futuro que não repita o passado", abordando temas como preconceito racial, religioso e de gênero. Com cerca de 350 integrantes, a escola promete um espetáculo marcado por cores fortes e efeitos especiais com fogo. O enredo, escolhido a partir da observação de situações recorrentes de preconceito, busca transmitir uma mensagem de respeito à diversidade. Nos bastidores, aproximadamente 25 pessoas trabalham na confecção das fantasias, em jornadas que se estendem das 8h às 22h, com previsão de conclusão uma semana antes do desfile.
A diretora de ala Juliana de Paula Santos, conta que apesar de tratar de um tema histórico, o enredo dialoga diretamente com o presente. “É um tema que, por mais que seja antigo, entra muito na realidade que a gente convive no cotidiano de hoje em dia. É algo que você vê, que você vive, e mesmo assim vai gerar emoção. São situações da vida, mas contadas de uma forma mais alegre, mais leve, sem deixar de ser realidade”, explica.
- Leia Também
- Águas de Oxalá, Iemanjá e Oxum inspiram fantasias da Deixa Falar
- Catedráticos do Samba aposta no flashback para levantar a avenida
Juliana conta que a escolha do tema nasceu da repetição de situações de preconceito observadas ano após ano. “A realidade que a gente vive ainda bate na mesma tecla. É preconceito racial, religioso… todo dia você vê uma situação diferente que, no final, gera preconceito. Então, quando a gente fala de diásporas, estamos falando de todos os tipos de preconceito.”
Para a diretora de ala, o Carnaval também é espaço de crítica social. “É uma maneira de expor o pensamento, a crítica, a verdade, de vários ângulos. O preconceito acaba onde começa o respeito de cada um”, pontua.
Sem revelar muitos detalhes, Juliana adianta que o desfile será marcado por cores fortes e impacto visual. “O tema vai vir gritando na avenida. É bem abrangente, são várias situações expostas. Posso adiantar que vem falando de cultura, religião e gênero. Esse spoiler eu já estou te dando”, diz.
A mensagem central, segundo ela, é clara: respeito acima de tudo. “A gente quer passar isso, o respeito com o próximo, independente de crença, religião, homossexualidade ou o que for. É uma pessoa, é um ser humano como qualquer outro.”
E, literalmente, o espetáculo promete esquentar o público. “Fogo. Haverá fogo na avenida, como a gente costuma dizer: ‘fogo no parquinho’. Vou dar esse spoiler: vai ter fogos”, antecipa.
Trabalho coletivo e emoção
Cerca de 350 pessoas devem desfilar pela Cinderela Tradição, enquanto aproximadamente 25 integrantes trabalham diretamente na confecção das fantasias. Professora, Juliana aproveita o período de férias para se dedicar integralmente à escola de samba, da qual faz parte há 26 anos.
Nos barracões, o trabalho segue em ritmo intenso, a rotina começa cedo e termina tarde. “A gente inicia os trabalhos às 8h e encerra às 22h. Nos fins de semana, fazemos mutirão com todo mundo. Durante a semana, vamos revezando os dias”, conta.
Segundo Juliana, a montagem das fantasias está na fase final. A expectativa da escola é concluir toda a confecção cerca de uma semana antes do desfile. “A montagem está a todo vapor. Vamos fazendo por partes, cada ala de uma vez, mas está quase tudo pronto, graças a Deus. Agora estamos só finalizando”, afirma.
Todo o esforço, segundo ela, é recompensado quando a escola ganha forma na avenida. “A recompensa maior é ver tudo montado. Você olha e fala: ‘Nossa, eu fiz parte dessa história de novo’. É muito legal.”
Mais do que fantasias e alegorias, para Juliana o desfile carrega emoção. “É gratificante ver as pessoas, contagiar cada um com sua energia e alegria em cima daquele enredo, daquela história. Para nós, é gratificante ajudar a contar uma história”, finaliza.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.





