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Diversão

Com fogo, Cinderela Tradição leva à avenida reflexão sobre preconceito

Escola aposta em enredo sobre diáspora para discutir racismo, religião e gênero no Carnaval

Por Geniffer Valeriano | 27/01/2026 07:31
Com fogo, Cinderela Tradição leva à avenida reflexão sobre preconceito
Juliana confeccionando alegoria que tem estampa de fogo (Foto: Paulo Francis)

Com fogo e um enredo que promete provocar reflexão, a Escola de Samba Cinderela Tradição entrará na avenida neste Carnaval com o samba-enredo “Diáspora, por um futuro que não repita o passado”. A proposta é transformar em espetáculo temas como preconceito racial, religioso e de gênero, levando para a festa popular uma mensagem direta sobre respeito e humanidade.

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A Escola de Samba Cinderela Tradição apresentará o samba-enredo "Diáspora, por um futuro que não repita o passado", abordando temas como preconceito racial, religioso e de gênero. Com cerca de 350 integrantes, a escola promete um espetáculo marcado por cores fortes e efeitos especiais com fogo. O enredo, escolhido a partir da observação de situações recorrentes de preconceito, busca transmitir uma mensagem de respeito à diversidade. Nos bastidores, aproximadamente 25 pessoas trabalham na confecção das fantasias, em jornadas que se estendem das 8h às 22h, com previsão de conclusão uma semana antes do desfile.

A diretora de ala Juliana de Paula Santos, conta que apesar de tratar de um tema histórico, o enredo dialoga diretamente com o presente. “É um tema que, por mais que seja antigo, entra muito na realidade que a gente convive no cotidiano de hoje em dia. É algo que você vê, que você vive, e mesmo assim vai gerar emoção. São situações da vida, mas contadas de uma forma mais alegre, mais leve, sem deixar de ser realidade”, explica.

Juliana conta que a escolha do tema nasceu da repetição de situações de preconceito observadas ano após ano. “A realidade que a gente vive ainda bate na mesma tecla. É preconceito racial, religioso… todo dia você vê uma situação diferente que, no final, gera preconceito. Então, quando a gente fala de diásporas, estamos falando de todos os tipos de preconceito.”

Com fogo, Cinderela Tradição leva à avenida reflexão sobre preconceito
Carros alegóricos já estão sendo preparados no barracão da escola de samba (Foto: Paulo Francis)

Para a diretora de ala, o Carnaval também é espaço de crítica social. “É uma maneira de expor o pensamento, a crítica, a verdade, de vários ângulos. O preconceito acaba onde começa o respeito de cada um”, pontua.

Sem revelar muitos detalhes, Juliana adianta que o desfile será marcado por cores fortes e impacto visual. “O tema vai vir gritando na avenida. É bem abrangente, são várias situações expostas. Posso adiantar que vem falando de cultura, religião e gênero. Esse spoiler eu já estou te dando”, diz.

A mensagem central, segundo ela, é clara: respeito acima de tudo. “A gente quer passar isso, o respeito com o próximo, independente de crença, religião, homossexualidade ou o que for. É uma pessoa, é um ser humano como qualquer outro.”

Com fogo, Cinderela Tradição leva à avenida reflexão sobre preconceito
Na reta final, parte das fantasias já estão sendo finalizadas (Foto: Paulo Francis)

E, literalmente, o espetáculo promete esquentar o público. “Fogo. Haverá fogo na avenida, como a gente costuma dizer: ‘fogo no parquinho’. Vou dar esse spoiler: vai ter fogos”, antecipa.

Trabalho coletivo e emoção

Cerca de 350 pessoas devem desfilar pela Cinderela Tradição, enquanto aproximadamente 25 integrantes trabalham diretamente na confecção das fantasias. Professora, Juliana aproveita o período de férias para se dedicar integralmente à escola de samba, da qual faz parte há 26 anos.

Nos barracões, o trabalho segue em ritmo intenso, a rotina começa cedo e termina tarde. “A gente inicia os trabalhos às 8h e encerra às 22h. Nos fins de semana, fazemos mutirão com todo mundo. Durante a semana, vamos revezando os dias”, conta.

Com fogo, Cinderela Tradição leva à avenida reflexão sobre preconceito
Cores fortes e fogo serão usados no samba enredo da Cinderela Tradição (Foto: Paulo Francis)

Segundo Juliana, a montagem das fantasias está na fase final. A expectativa da escola é concluir toda a confecção cerca de uma semana antes do desfile. “A montagem está a todo vapor. Vamos fazendo por partes, cada ala de uma vez, mas está quase tudo pronto, graças a Deus. Agora estamos só finalizando”, afirma.

Todo o esforço, segundo ela, é recompensado quando a escola ganha forma na avenida. “A recompensa maior é ver tudo montado. Você olha e fala: ‘Nossa, eu fiz parte dessa história de novo’. É muito legal.”

Mais do que fantasias e alegorias, para Juliana o desfile carrega emoção. “É gratificante ver as pessoas, contagiar cada um com sua energia e alegria em cima daquele enredo, daquela história. Para nós, é gratificante ajudar a contar uma história”, finaliza.

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