Como é a cidade onde carro é proibido e polícia anda de bicicleta
Repórter fotográfico de MS revela um Brasil pouco conhecido em viagem pela Amazônia
Em uma aventura pela região amazônica do Pará, o repórter fotográfico Henrique Arakaki documentou um Brasil que poucos conhecem. Em Afuá (PA), cidade da Ilha de Marajó, o campo-grandense acostumado a fazer registros do Pantanal revelou em imagens o dia a dia do município cercado pelo Rio Amazonas, com casas erguidas em palafitas e onde o único meio de locomoção usado até pela polícia é a bicicleta.
"Você chega e já vê as bicicletas e os bicicleta-táxis levando as pessoas para todos os lados. É uma organização totalmente diferente da que a gente conhece aqui. A cidade inteira funciona assim", conta.
Com cerca de 40 mil habitantes, Afuá proíbe carros, motos e qualquer outro veículo motorizado desde 2002. As ruas são construídas sobre passarelas de madeira, as casas ficam sobre palafitas por causa da variação das marés e as bicicletas assumem praticamente todas as funções de mobilidade.
“Até as ambulâncias e viaturas da polícia circulam de bicicleta. Isso foi algo que me chamou muito atenção”, relata.
E foi justamente esse cotidiano que chamou a atenção de Henrique. Em vez de buscar apenas paisagens, ele direcionou a câmera para a rotina dos moradores. Fotografou oficinas de bicicletas que movem a cidade, as passarelas suspensas e a forma como a população ocupa a cidade.
"É uma cidade de 40 mil habitantes que funciona totalmente com bicicleta e está tudo certo. As pessoas não têm necessidade de carro nem de moto. É muito legal poder compartilhar isso", explica.
Para ele, além de registrar um destino diferente, a fotografia documental é uma maneira de aproximar realidades distantes. "É legal registrar isso e trazer para cá, porque normalmente as pessoas daqui não têm contato com essa realidade. É uma forma de mostrar um Brasil que muita gente não conhece", destaca.
Acostumado a fotografar o Pantanal e outras paisagens de Mato Grosso do Sul, Henrique encontrou na Amazônia uma experiência completamente diferente. Segundo ele, enquanto o Pantanal oferece uma paisagem mais aberta e facilita o encontro com os animais, a floresta amazônica impressiona pela densidade e pela sensação de imensidão.
"A floresta parece uma barreira gigantesca. É muito fechada. Parece quase impenetrável. Você vê árvores muito maiores do que estamos acostumados no Cerrado e no Pantanal", avalia.
Confira a galeria de imagens:
Um dos momentos marcantes da viagem ao Pará foi o encontro com uma samaúma, árvore gigante considerada sagrada para povos indígenas da região e conhecida como “rainha da floresta”. Só as raízes chegam a cerca de três metros de altura. "É uma sensação muito diferente. Parece que a árvore te abraça. Entrar ali dentro é algo difícil de explicar", conta.
A série documental foi feita em uma viagem de quatro dias depois que Henrique e um amigo descobriram vídeos sobre a cidade nas redes sociais. A curiosidade virou roteiro que incluiu cerca de 12 horas de deslocamento de avião só na ida e mais duas horas de barco, em uma travessia que dependeu das marés para acontecer.
A experiência trouxe para Mato Grosso do Sul o recorte de um Brasil distante e reforçou um caminho que o fotógrafo acredita estar seguindo na profissão. "Gosto de registrar lugares, pessoas e modos de viver diferentes. A fotografia documental me motiva", finaliza.
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