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Diversão

Curtir balada “internacional”, a 9 horas de Campo Grande, custa menos de R$ 50

Por Ângela Kempfer | 29/10/2013 06:44
Amigos no Paseo Carmelitas, em Assunção. (Fotos: Cleber Gelio)
Amigos no Paseo Carmelitas, em Assunção. (Fotos: Cleber Gelio)

É preciso disposição para enfrentar 12 horas e meia de ônibus ou 9 de carro, mas a experiência vale muito. No fim de semana, o Lado B seguiu até Assunção, com pouco dinheiro no bolso, mas muita vontade de saber como os hermanos se divertem. 

No fim das contas, são R$ 50 reais por noite, com direito a táxi, festa popular, bebida livre, jantar, sobremesa e alguns novos amigos brasileiros que escolheram o Paraguai para viver e não trocam por nada.

Em Campo Grande, pegamos o ônibus às 16h, para desembarcar na capital do Paraguai exatamente às 04h30. Uma viagem tranquila de “semi-leito”, que de saída consumiu R$ 93,00 com a passagem. Só não espere uma poltrona confortável e alguma gentileza do motorista da Viação Cometa del Amambay, isso não está incluso.

Antes de embarcar, reservamos vagas em um hostel da cidade, ao custo de 16 dólares a diária por pessoa. No percurso, 3 paradas no Brasil e outras 4 do lado de lá da fronteira. A estrada é muito boa, com vários vilarejos que servem de suporte para quem segue de carro.

O “Permiso”, condição para a entrada de estrangeiros no Paraguai, é providenciado pelo próprio motorista, que desce em Pedro Juan com os RGs dos brasileiros e volta com o documento preenchido.

Depois de uma madrugada na rodovia, a chegada em Assunção ocorre pela manhã em uma rodoviária estilo interior do Brasil, cheia de lojinhas vendendo muamba e algumas casas de câmbio.

Até o destino, o táxi custa R$ 5,00 por pessoa, em um grupo de 4. No hostel “El Viajero”, no Centro da cidade, a primeira impressão é boa, diante de um pátio com uma árvore enorme sobre a piscina e uma linda catedral ao fundo. Já os quartos são velhos e o banheiro pior ainda. Pelo menos o banho é bem quente e os funcionários atenciosos.

Aproveitar uma sexta-feira de sol é fácil. O centro histórico é pequeno, sem muitas atrações. O comércio é a diversão principal, com algumas lojas outlet de marcas famosas, como Adidas, Nike e Puma. Mas nosso maior interesse é a noite paraguaia, então descansar na piscina é o programa até anoitecer.

Bar e restaurante Bolsi, com empanada tradicional na rua Alberti, no Centro.
Bar e restaurante Bolsi, com empanada tradicional na rua Alberti, no Centro.

Para começar cedo, a escolha é a clássica de quem visita um país de jogo liberado. O "Cassino Asuncion", o maior do pedaço, é a primeira parada da noite. Na cidade, as casas de jogos ficam abertas 24 horas, mas depois das 21h as atrações são intensificadas, com música ao vivo e torneios aos fins de semana.

No Asuncion, chegamos em um dia com a "maior modelo do Paraguai", uma loira cheinha, com roupa com metade dos seios de fora e uma boca bem pintada. É só colocar o nome na lista para ter direito a roda na roleta de graça. É claro que ninguém ganha nada, assim como as pessoas nos caça-níqueis durante o tempo que permanecemos no local.

Por lá encontramos Alma, uma brasileira que diz ter 23 anos e uma vida em Foz do Iguaçu. "Vim para trabalhar aqui porque diziam que ganhava mais, mas já quero voltar", conta. Como entrevistas ou fotos são proibidas no local, o jeito é conversar como um cliente qualquer.

Alma diz que nos 6 meses que está no cassino, nunca viu um prêmio maior que 5 milhões de guaranis, aproximadamente R$ 2,5 mil. "Muita gente joga, mas quase ninguém ganha. Aqui também vem muito pouco brasileiro", diz.

Para jogar, o valor minimo nos quase 150 caça-niqueis é de 10 mil guaranis, ou R$ 5,00. A máquina vai dando créditos, você jura que vai ganhar, mas de repente os números vão caindo, até zerar a etapa. Nas 15 mesas de poker e 6 roletas, não também há comemorações durante uma hora que ficamos por ali.

Bons são os preços. Comer uma pizza sai por R$ 15,00 e uma porção de filé à milanesa com batatas fritas e bacon vale R$ 6,00.

Rede de lanchonetes  T.G.I. Friday´s, um dos lugares mais caros de Assunção.
Rede de lanchonetes T.G.I. Friday´s, um dos lugares mais caros de Assunção.
Redes como Havanna estão nas regiões de maior poder aquisitivo.
Redes como Havanna estão nas regiões de maior poder aquisitivo.

Em Assunção, só gente mais velha vai ao cassino. Ing é uma das senhoras bem vestidas que batem ponto por lá. Ela conta que já chegou a gastar R$ 500,00, mas hoje aparece mesmo para fazer uma boa refeição e ouvir música, principalmente , a brasileira. "Aqui tem uns 10 cassinos bons. O que eu mais gosto, toca música brasileira todos os dias depois das 19h", recomenda.

Balada - Jovens que têm dinheiro frequentam o “Paseo Carmelitas”, um complexo com 10 bares e 3 boates. A decoração é sofisticada aqui, despojada ali e assim o espaço vai agradando diferentes personalidades. Grandes sofás ao ar livre, com muita gente bonita conversando, fazem do lugar algo diferente para quem tem como referência a noite de Campo Grande.

Com 100 mil guaranis, menos de R$ 50,00, é possível beber todas, comer bem e ainda dançar sem pagar nada. As casas noturnas do Paseo não cobram entrada, têm rock ao vivo, vendem bebida de marcas conhecidas, gelada e porções que vão da carne com Sopa Paraguai ao sushi.

Um prato com muito filé, linguiça temperada, mandioca frita e Sopa Paraguaia, por exemplo, custa R$ 15,00 e serve 2 pessoas. A cerveja de 1 litro, Budweiser, vale R$ 11,00, mas outras marcas saem até por R$ 6,00 o "litrão".

Em uma mesa animada, cheia de mulheres, 6 amigos entre 20 e 24 anos fazem as contas de quanto costumam consumir na balada. “Nunca gastei mais de 100 mil guaranis. É loucura pagar mais do que isso”, diz Fiorela Rodrigues, de 24 anos. Bailarina profissional e universitária, ela sabe que vive uma situação privilegiada em um país pobre, mas não se abala.

“Nós convivemos com a pobreza, assim como vocês brasileiros. Vocês acham coisas erradas sobre nós. Lá em São Paulo, chegaram a perguntar se aqui todos os carros eram como carroças. Vá olhar quantas concessionárias de importados temos aqui”, reclama em espanhol, sem perder a simpatia.

A amiga, em tom mais abusado, tira um sarro dos brasileiros que não sabem das “facilidades” de Assunção. “Já estive no Brasil e não consegui entrar na internet à noite. Aqui, todo lugar tem wi-fi de graça, e funciona”, diz Nicole, de 20 anos. E é verdade. Do shopping à boate, nunca ficamos sem internet gratuita em Assunção.

Galeria Paseo Carmelitas.
Galeria Paseo Carmelitas.
Bar com música ao vivo e restaurante gourmet.
Bar com música ao vivo e restaurante gourmet.
Bar no Paseo Carmelitas.
Bar no Paseo Carmelitas.

A violência, um medo de quem mora em um estado onde fronteira é sinônimo de encrenca, não dá as caras na nossa estreia em Assunção. Não há nada tenso no ar, as ruas são movimentadas depois das 21h e assaltos ou assassinatos parecem a menor preocupação para os baladeiros.

"A noite é forte mesmo depois das 2 horas. Então as ruas ficam cheias até lá. Nunca vi um assalto ou fiquei sabendo de algum roubo por aqui. Acho que violento é o centro da cidade", garante Josué, um universitário de 25 anos.

Sábado - Para testar, no dia seguinte resolvemos ficar pelo Centro, um lugar de grandes franquias gringas, mas também de bares que parecem alternativos. Bons de cerveja, alguns vendem a bebida na versão artesanal.

Por sorte, nos deparamos com uma rua fechada, cheia de mesas e luzes coloridas com um palco montado para show da Oktoberfest paraguaia. A promoção é da rede americana de lanchonetes T.G.I Friday´s, em parceira com o Bolsi, restaurante/bar que nasceu em Assunção há mais de 60 anos e tem como diferencial a gastronomia paraguaia, com  opções como chipaguaçu e empanadas, mas também culinária elaborada.

Para beber chope Brahma a noite toda, sem limitações, a caneca custa R$ 30,00. O valor pode ser dividido entre quantas pessoas a camaradagem deixar. O clima é de comemorações de rua, mas com muita segurança, nenhuma briga e só um sujeito fumando maconha a noite inteira, depois de pedir permissão a quem estava ao lado.

Ao vivo, o reggae paraguaio coloca todo mundo para cantar e dançar. A banda "Pipa para Tabaco" parece super star diante de uma plateia empolgadíssima, que sabe as letras de cabo a rabo. Realmente a vontade é comprar um CD do grupo para mostrar a qualidade ao Brasil.

Depois de algumas canções, o grupo desce, mas é só a aparelhagem ser retirada para as pessoas invadirem o palco para dançando o resto da noite no ritmo da música eletrônica e até do funk brasileiro.

Quando a viagem termina, são mais R$ 55,00 para retornar de ônibus ao Brasil direto, ou o dobro se a condição for chegar a tempo de trabalhar na segunda-feira e isso exigir 2 ônibus.

A volta pode ser pela mesma viação, mas com apenas uma saída às 21h e desembarque às 12h, 15 horas depois, porque há parada para limpezado veículo. .

Outra alternativa e ir até Pedro Juan, pegar um táxi até Ponta Porã (R$ 25,00) e lá subir no ônibus rumo a Campo Grande. A dica é nunca, em hipótese alguma, comprar passagens da viação Santaniana em Assunção. É um pinga-pinga recorde, em um veículo caindo aos pedaços. Quem avisa amigo é.

Festa ao ar livre, no centro da capital paraguaia.
Festa ao ar livre, no centro da capital paraguaia.
Casino Asuncion, o maior da capital paraguaia.
Casino Asuncion, o maior da capital paraguaia.
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