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Campo Grande, Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

22/10/2017 07:20

Do outro lado do mundo, Elijane venceu medos em subida de bicicleta no Japão

Ela saiu de Campo Grande e se impressionou com detalhes simples, mas que fazem diferença na vida

Thailla Torres
Preparada para a subida no monte do Tennyosan, no Japão. (Foto: Arquivo Pessoal)Preparada para a subida no monte do Tennyosan, no Japão. (Foto: Arquivo Pessoal)

Elijane Coelho não para. É educadora física, ciclista, praticante de trekking e determinada a ensinar crianças e adultos sobre hábitos que considera importantes para o mundo. Cheia de energia, este ano ela foi convidada a representar o Brasil em um evento esportivo da Seicho-No-Ie, religião que faz parte da sua vida há pelo menos 20 anos. Agora, uma de suas alegrias é ter ido tão longe para uma missão importante. No relato aqui do Voz da Experiência, Elijane percebeu que ganhou muito mais como ser humano do que uma simples competição.

Elijane na sede internacional da Seicho-No-Ie, no Japão. (Foto: Arquivo Pessoal)Elijane na sede internacional da Seicho-No-Ie, no Japão. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Faço parte da Seicho-No-Ie desde a adolescência, um ensinamento religioso que tenho estudado e é muito voltado para a harmonia com a natureza. Dentro desse contexto ele estimula, por exemplo, o uso da bicicleta, o artesanato e produção de horta orgânica. Coisas que relacionam o homem com a natureza, a preocupação com o meio ambiente e até uma relação ética com as futuras gerações.

Neste ano, fui convidada pela Seicho-No-Ie a representar o Brasil na sede internacional que fica no Japão para participar de uma subida ciclística ao monte do Tennyosan e da festa "Dádivas da Natureza", eventos que são realizados anualmente aqui no Japão pela sede.

Estar no japão e participar de um evento relacionado com a bicicleta, me trouxe uma felicidade imensa. Do momento em que eu passei pela imigração, pude sentir um misto de alegria, emoção e euforia que me trouxeram alegria e, principalmente, gratidão.

Sei que é um evento competitivo, mas ele é realizado com objetivo de estimular o uso da bicicleta e como o ser humano pode dar sempre o seu melhor. Por aqui, as pessoas se preparam com dedicação para esse momento e eu tive a sorte de estar aqui representando o Brasil.

Estacionamento em uma escola no bairro de Harajuko, em Tokyo. (Foto: Elijane Coelho)Estacionamento em uma escola no bairro de Harajuko, em Tokyo. (Foto: Elijane Coelho)
Pessoas de bicicletas junto dos pedestres. (Foto: Elijane Coelho)Pessoas de bicicletas junto dos pedestres. (Foto: Elijane Coelho)

Em Campo Grande sou ciclista, mas utilizo menos a bicicleta do que eu gostaria por uma questão de segurança. Atuo também na diretoria de educação do Departamento Estadual de Trânsito e a questão da educação do motorista ainda é bastante complexa. Mas sempre tive esse olhar de observar as coisas envolvendo este assunto, o que me levou a ensinar, principalmente, os adultos a andarem de bicicleta.

Aqui no Japão, o que me impressiona são esses detalhes, de como tudo é pensado de forma organizada e prática. Pela manhã em um caminha por Tokyo, observei ciclistas. Pessoas de todas as idades e tipos bicicletas na calçada, junto dos pedestres e também na rua, no meio dos carros. Estacionam em vagas especiais (pagas) nas grandes avenidas, ou nas vielas atrás dos prédios. Encontrei uma bomba para encher pneus disponível em meio às plantas num canteiro... Um lugar de muitas pessoas, bicicletas, gentileza e paz.

Andando por vielas no bairro de Harajuko, em Tokyo, também notei muitas mães levando crianças pequenas em suas bicicletas. Segui o movimento e encontrei uma escola de educação infantil. Só me permitiram fotografar o estacionamento. As cadeirinhas são mega confortáveis e a maioria das bicicletas com pedal assistido por motor elétrico.

Existe praticidade, simplicidade e respeito entre as pessoas. Elas nos tratam com o máximo de educação possível e isso é em todos os lugares. E mesmo quando não entendem o português, alguém tenta sorrir e te explicar de alguma maneira, com intuito de ajudar no que é preciso.

Em um restaurante, por exemplo, uma ideia simples funciona pela educação. Quando o lugar está cheio há um display nas mesas que você deixa em pé para que outras pessoas saibam que você está sentado ali e mesmo que se levante por algum motivo, elas respeitam e não sentam no seu lugar. Isso mostra o poder da organização.

Para Elijane, uma experiência fantástica. (Foto: Arquivo Pessoal)Para Elijane, uma experiência fantástica. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas também conheci o sushi de verdade. O arroz é mais saboroso e a alga super crocante. Nada de cream cheese. Segundo meu guia, nessa região, o sushi não é bom porque não tem mar, então o peixe não é fresco. Mas se esse não foi o bom, imagino que ele deve ser fantástico.

E conhecer o a Sede Internacional da Seicho-No-Ie também foi fantástico. Um lugar onde no viver religioso existe amor com todos os seres, toda forma de vida, com o planeta e as futuras gerações. Justamente por esse motivo, a sede deixou Tóquio e mudou-se para um prédio totalmente auto-suficiente em energia e no meio da floresta, em Hokuto, província de Yamanashi. Uma harmonia entre Deus, homem e natureza.

Foi assim que subi o Tennyosan, vivi e venci. Uma experiência fantástica, o privilégio de estar num lugar de natureza vibrante e a emoção de representar o Brasil. Venci meus medos, a insegurança de quem nunca pedalou forte e nem competiu. Atingi meus objetivos: fazer os 4,6km de subida sem descer da bicicleta e não chegar por último. Ainda não sei meu tempo oficial, mas sei que não empurrei e que ultrapassei uma ou duas meninas... O que mais? Gratidão".

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