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Diversão

Em desfile, intérpretes mirins se destacam e pedem que escola de samba continue

Apesar das dificuldades, presidente da escola Herdeiros do Samba conta que agremiação sobrevive com amor das crianças

Por Thailla Torres | 25/02/2020 06:23
Pedro e Paulo Henrique são irmãos e os intérpretes mais novos de Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)
Pedro e Paulo Henrique são irmãos e os intérpretes mais novos de Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)

Quem é do bonde do Carnaval já viu nas redes sociais alguém elogiando ou mostrando o desempenho dos irmãos Pedro e Paulo Henrique. Os dois são intérpretes e percussionistas mirins que têm chamado atenção pelo talento na voz e na bateria das escolas de samba. Na noite de ontem (24), durante desfile das agremiações de Campo Grande, os dois arrancaram aplausos do público pela cantoria durante quase 40 minutos de apresentação.

Ao final da apresentação da escola de samba Mirim Herdeiros do Samba, Pedro não segurou as lágrimas e fez questão de agradecer no microfone a presidente da escola Fátima da Luz, 66 anos. “Obrigada pela oportunidade, dona Fátima”, disse o menino seguindo de um abraço apertado em sua mãe, Josi Santos, 33 anos.

Presidente da escola diz que não abre mão por causa das crianças. (Foto: Paulo Francis)
Presidente da escola diz que não abre mão por causa das crianças. (Foto: Paulo Francis)
Tim da Vila se sente orgulho de ver a dedicação dos filhos. (Foto: Paulo Francis)
Tim da Vila se sente orgulho de ver a dedicação dos filhos. (Foto: Paulo Francis)
Crianças cantaram e encantaram durante apresentação da Herdeiros do Samba. (Foto: Paulo Francis)
Crianças cantaram e encantaram durante apresentação da Herdeiros do Samba. (Foto: Paulo Francis)

A mãe, claro, também não segurou a emoção. “É um orgulho que não cabe no peito”, diz. “Ver os meus filhos felizes e emocionados com um trabalho que faz parte da família deles não tem preço”, completa.

Os dois são filhos do músico Tim da Vila e foram criados com samba. Mesmo assim o pai diz que, a iniciativa de se envolver com a música, partiu deles. “Na nossa casa sempre teve cultura e amor à música, mas foram eles que pediram para cantar e começar a participar de ensaios”, explica.

Para o pai também orgulhoso, a dedicação dos irmãos é a esperança de um futuro próximo à música brasileira. “Se fala tanto sobre a cultura e o mundo com a música, que vê-los cantando renova a esperança de ver um mundo melhor e cheio de coisas boas, dentre elas, a música”.

Ao lado dos pais estava dona Fátima, presidente da escola, que após receber elogios e abraços dos meninos, desabafou sobre o que a mantém à frente da escola de samba, mesmo com tantas dificuldades. “Todo ano eu penso em acabar com a escola devido a falta de recursos para mantê-la, mas a cada desfile de abertura e sorriso de cada criança eu me sinto renovada e começo a pensar do desfile do ano que vem. Eu sei que são eles que a mantém”.

Escola abriu o desfile na noite dessa segunda-feira. (Foto: Paulo Francis)
Escola abriu o desfile na noite dessa segunda-feira. (Foto: Paulo Francis)

Pedro se emociona novamente ao falar que sonha em seguir a carreira do pai e cantar na escola de samba, além disso, quase sem voz, ele fala como deu conta de cruzar a passarela sem perder o fôlego e encantar a plateia como se tivesse a experiência de gente grande.

“Cheguei em um momento que parei de cantar com a voz da minha boca e passei a cantar com a voz do meu coração, por isso, eu consegui”, diz o menino, cheio de sensibilidade.

E não só os irmãos encantaram. As dezenas de crianças que fazem parte do projeto social Asas do Futuro, da Associação de Amigos do Bairro Dom Antônio Barbosa, que abriram o desfile, emocionaram outras crianças e adultos. Ana Paula e Ana Clara, gêmeas de 10 anos, foram destaque na escola. De cabelinhos cor de rosa, cada uma do seu jeitinho mostrou o amor e a delicadeza pelo samba.

O pai, carnavalesco e integrante da Vila Carvalho, é claro, também se emocionou. “Hoje foi um dia que eu abri mão de tudo para acompanha-las aqui no desfile, era o momento delas e eu estava muito orgulhoso. Não tem coisa mais gratificante do que ver os filhos terem orgulho da sua cultura e da sua história dentro do samba”.

Raiane Custódio, 19 anos, também chamou a atenção com a filha Alice no colo. A menininha de dois anos não deixava de mandar beijos e tchau para o público. “Ela me acompanha no samba desde que nasceu, aliás, desde quando estava na minha barriga. Já faz parte da vida dela”, diz a mãe orgulhosa.

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