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Campo Grande, Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

10/11/2019 08:34

Feira em “oca gigante” mostrou dança "Siputrena" e serviu gastronomia terena

O evento aconteceu ontem no Memorial da Cultura Indígena e foi realizado pela comunidade Marçal de Souza, em Campo Grande

Alana Portela
As meninas fazendo a coreografia da dança Siutrena (Foto: Marcos Maluf)As meninas fazendo a coreografia da dança Siutrena (Foto: Marcos Maluf)

Para mostrar que cultura terena resiste até dentro da cidade, a Aldeia Marçal de Souza abriu sua “oca gigante” para a primeira feira indígena. No Memorial da Cultura Indígena, localizada no bairro Tiradentes, a comunidade apresentou música, gastronomia e a dança Siputrena, uma celebração feita pelas mulheres após os homens retornarem da guerra.

A coreografia é tradição dos terenas, porém estava se perdendo. “A dança acontecia muito no começo da comunidade, depois acabou. Não tínhamos evento para promover a cultura e depende do cacique. Agora isso está voltando”, afirma Hilda Francelino, 63 anos.

Ela era de uma aldeia do município de Miranda, mas há 25 anos passou a fazer parte da comunidade Marçal de Souza. Hilda fala que sempre sentiu falta de uma feira voltada à cultura e comenta sobre o evento. “É importante tanto para a gente quanto para quem não é indígena. Espero que continue por mais tempo”.

Hilda Francelino fala sobre a importância do evento (Foto: Marcos Maluf)Hilda Francelino fala sobre a importância do evento (Foto: Marcos Maluf)
Clara Jordão é terena e comenta sobre mostrar a cultura  (Foto: Marcos Maluf)Clara Jordão é terena e comenta sobre mostrar a cultura (Foto: Marcos Maluf)

Dona Clara Jordão, 48 anos, também é terena e participou da programação. Ela levou seus bolos de chocolate que foram vendidos já no início do evento. “Saem bastante, é uma renda para a família. A feira é importante para que a nossa cultura não caia no esquecimento, é uma forma de mostrar quem somos para os de fora”, diz.

O cacique da comunidade, Josias Jordão Ramires conta que a ideia é abrir a oca mensalmente. “Será todo segundo sábado do mês. Esse foi o nosso primeiro encontro e contamos com comida, artesanato e até vendas de frutas, verduras e legumes”.

Ele afirma que proposta é fazer com que mais pessoas conheçam os terenas. “Os turistas vão saber que aqui tem uma feira indígena que resgata nossa identidade. Estávamos apagados, mas queremos mostrar para a população que ainda tem gente que preserva a língua e os valores”, destaca.

Jaqueline Afonso Souza mora no bairro Tiradentes há mais de dez anos. Ela é autônoma, tem 21 anos e já visitou o Memorial da Cultura Indígena outras vezes. Ontem, retornou ao local para conferir as novidades e comer pasteis ao lado da família. “Soube do evento através das redes sociais. Conheço a dança delas e também dancei em outra ocasião”.

Para ela, essa é uma forma de aprender mais sobre a cultura. “Tem muitos que não gostam dos indígenas, mas vendo como é a gente conhece e aprende a respeitá-los”, afirma. Jaqueline ainda comenta sobre os trabalhos artesanais feitos pelos terenas. “Chamam atenção os brincos, correntes e pulseiras que fazem. A maquiagem e a pintura que fazem também são diferentes”, completa.

O cacique Josias Jordão explica a proposta da feira (Foto: Marcos Maluf)O cacique Josias Jordão explica a proposta da feira (Foto: Marcos Maluf)
Jaqueline Afonso Souza foi conferir as novidades do evento (Foto: Marcos Maluf)Jaqueline Afonso Souza foi conferir as novidades do evento (Foto: Marcos Maluf)

O evento foi aberto ao público e contou com mais de 100 convidados. No local, teve música com apresentação do cantor Cassio que animou a festa com sertanejo raiz. Depois um grupo de indígenas mostraram as coreografias da dança “Siputrena” para o público.

Em Campo Grande, a Aldeia Urbana Marçal de Souza conta com 135 casas e abriga uma comunidade de índios Terena, sendo a primeira do gênero a ser construída no Brasil. O nome é uma homenagem ao índio Guarani Kaiowá, defensor dos direitos de seu povo, assassinado na Aldeia Campestre, no Sul do Estado, em 1983. A Aldeia Urbana surgiu pela força da liderança da índia Terena Enir Bezerra da Silva, a primeira cacique mulher do país, falecida em junho de 2016.

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Várias pessoas estiveram na primeira feira indígena (Foto: Marcos Maluf)Várias pessoas estiveram na primeira feira indígena (Foto: Marcos Maluf)

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