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Diversão

Rinha de atléticas: quem domina a "quintaneja universitária"?

Por Sofia Lupaes | 15/08/2026 08:44

As quintas-feiras com música sertaneja na região do Bar Escobar, próximo à UFMS, já são conhecidas pelos universitários. Mas, no meio da festa, outra disputa chama atenção: mais de oito galões de bebidas das Atléticas ficam lado a lado, cada um tentando conquistar mais copos e vender mais rápido.

Com receitas duvidosas e ingredientes que ninguém revela, as diretorias competem para ver quem vende mais e arrecada dinheiro para a própria Atlética. Entre provocações, gritos no megafone e muita propaganda, cada grupo garante que tem a melhor mistura. E os estudantes parecem não se importar muito com o que vai dentro: tem galão que acaba em questão de minutos.

Thierry Brito, de 19 anos, estudante do quarto semestre e trainee da aaaauge, Atlética de Arquitetura, Urbanismo e Geografia, era um dos que circulavam com megafone para anunciar o Quebra-Barraco da aaaauge.

Sem falsa modéstia, ele já começou colocando a própria Atlética no topo. "Gente, Atlética de Arquitetura, Urbanismo e Geografia. Eu acho que é a melhor Atlética, tá? Eu recomendo vocês entrarem no curso de Arquitetura e Urbanismo e, depois que vocês entrarem no curso, entrem para a Atlética."

A venda dos galões, segundo Thierry, também ajuda a colocar dinheiro no caixa e divulgar a Atlética. "A Atlética precisa lucrar, né? A gente precisa lucrar. E, assim, também serve para fazer o nosso marketing."

Mas bastou perguntar sobre a concorrência para a diplomacia acabar. "Eu acho que a Insana está com inveja, ok? E a Bio também está tentando fazer barulho, mas não está conseguindo, tá? A gente está arrasando aqui, tá?", provocou.

A concentração das vendas na quinta-feira, explica Thierry, já virou parte da rotina universitária. "Cara, assim, eu não sei quando começou a Quinta Neja, mas é meio que tradição, né? Fazer o Open na quinta justamente porque atrai mais público, mais gente e tudo mais."

Do lado da Biologia, Fernando Aivi, de 18 anos, e Maurício Garcia, também de 18, chegaram sem divulgação prévia e já entraram na disputa reivindicando o posto de melhor galão. Receita? Nem pensar em revelar.

"O sabor é de morango e mais umas coisinhas, mas eu não posso falar muito. O da psicaaa, que tem o mesmo gosto, está perdendo também, como a gente pode ver", disseram.

A estratégia, segundo eles, foi justamente aparecer de surpresa. "É, não teve nenhuma divulgação. Aconteceu do nada", contaram, em nome da Atlética de Biologia da UFMS.

Enquanto algumas Atléticas trocavam provocações, a Brutus, de Artes Visuais, preferia dizer que estava "na maciota". Pan Zambon, de 20 anos, garantia que o galão de framboesa não precisava de muita discussão. "Nossa, é de framboesa. É obviamente o melhor que tem aqui, tá bom?", afirmou.

Ao saber que outras Atléticas estavam se provocando e ninguém tinha citado a Brutus, Pan não se sentiu esquecida. Pelo contrário. "Jamais! Aqui, ó, a gente tá fazendo o melhor e eles nem sabem que a gente tá aqui no topo."

A estratégia era deixar os outros discutindo enquanto os galões desapareciam. "Quando eles perceberem, a gente já vai estar com os galões zerados, tudo vendido. Três galões já foram aqui e eles vão estar em um ainda, na briga deles. A gente tá na maciota aqui, ó. Ninguém sabendo da gente, só vendendo, só vendendo."

Cada porção era vendida por R$ 10 e, na hora de fazer propaganda, Pan não economizou. "Vem beber com a Brutus, galera. Brutus é mais gostosa."