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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

11/08/2018 08:23

Aos 41 anos, Léa que mudou a vida com a capoeira é a 1ª mestra do Estado

Thailla Torres
Apesar de já dar aula há mais de 25 anos, só neste ano Léa conseguiu se formar como mestre. (Foto: Marina Pacheco)Apesar de já dar aula há mais de 25 anos, só neste ano Léa conseguiu se formar como mestre. (Foto: Marina Pacheco)

Quando o som do berimbau e da percussão dá o compasso para o gingado da capoeira, Léa Vieira de Oliveira Machado, de 41 anos, mostra a que veio. Seja em movimentos circulares ou de ponta cabeça, ela se destaca pelo tempo de profissão e a conquista de conseguir ser a primeira Mestra de Mato Grosso do Sul, após quase 30 anos se dedicando em roda.

Apesar da felicidade em contribuir e representar o núcleo de mulheres inseridas no esporte, Léa é o exemplo de pessoa que precisou provar tanto para a família, quanto para o resto do mundo que qualquer mulher é capaz de entrar no jogo. Mais do que o esporte, ela também lutou contra o preconceito por ser negra, pobre e, de cabeça erguida, ingressar numa universidade pública.

Ela conta que também precisou lutar contra o preconceito. Ela conta que também precisou lutar contra o preconceito.

A capoeira foi na vida de Léa um objeto de transformação social na infância. "Vi capoeira no centro comunitário do meu meu bairro, pela primeira vez, quando era criança. Fiquei encantada e falei para minha mãe que aquele era meu sonho. Mas ela dizia que aquilo era coisa de malandro e marginal". 

Contra a vontade da família, Léa começou o esporte. O primeiro desafio foi o financeiro. "Não tinha dinheiro naquele tempo, tive que me esforçar muito para conseguir fazer aula e participar de tudo. Mas não desisti".

Depois veio a resistência que ela não imaginava. Por ser mulher, diariamente, precisou lutar para continuar no esporte. "A mulher tem que provar que ela é boa 100 vezes mais que o homem. Veja só, foram quase 30 anos para pegar uma graduação de mestre".

Muitas mulheres no meio da formação, conta Léa. "Por causa do marido, dos filhos, do assédio. Sim, ainda tem muito assédio na capoeira, é preciso se impor e exigir muito respeito, senão a gente desiste".

 

Quando o ritmo da percussão dá o tom, Léa mostra os movimentos que o corpo ainda permite fazer.Quando o ritmo da percussão dá o tom, Léa mostra os movimentos que o corpo ainda permite fazer.

Hoje, para Léa, é bonito ver a mudança de vida que a capoeira provoca. "Depois de entrar no esporte, meu segundo passo foi entrar numa universidade. Nem minha mãe acreditava, tanto que ela descobriu que eu estava cursando Pedagogia já no segundo ano da graduação. Provei pra ela que qualquer doutor pode fazer capoeira e ser alguém na vida".

Pedagoga, Léa também é pós graduada em Psicopegadogia e Educação Inclusiva, e usa a capoeira como ferramenta agregadora e com espírito de coletividade. "Eu lembro muito que quando eu era pequena só não passei fome porquê tinha um Centro Comunitário que oferecia um sopão no bairro. É com essa lembrança que eu decidi servir. E a capoeira é servir para que pessoas de todas as classes sociais se integrem".

Hoje leva conhecimento para escolas e centros de assistência social em Campo Grande. Prova que a capoeira é capaz de se colocar antes das diferenças. "Eu brinco que ninguém me acha dentro de casa, porque eu nasci pra fazer isso. E o mais gratificante em ensinar é ver como isso pode transformar a vida de milhares de crianças e adultos, conseguimos tirar muita criança em situação de risco com a capoeira".

Fisicamente, ela explica que a modalidade não é nada fácil. "Exige muita força nos braços e no quadril", diz enquanto mostra um "pião de dois" e o "escorpião" dois dos movimentos que ela considera mais difíceis. "Como estou com mais 40 anos, o corpo não permite mais aqueles movimentos mais intensos, com mortais. Mas sempre fiz tudo que um homem fazia dentro da capoeira".

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