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Campo Grande, Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

31/10/2017 06:15

Após 7 anos com vergonha de subir no palco, Ana se libertou na dança do ventre

Gordinha, a professora sofria pressão por conta do peso, mas enfrentou o palco e virou inspiração

Thailla Torres
Sua libertação veio depois de anos pressionada pela cobrança em relação ao peso. (Foto: Arquivo Pessoal)Sua libertação veio depois de anos pressionada pela cobrança em relação ao peso. (Foto: Arquivo Pessoal)

A advogada Ana Graziela Acosta Silva, de 40 anos, surpreende pela liberdade no palco. Há 16 anos é professora de dança do ventre em Campo Grande, mas ela sofreu durante anos a pressão da cobrança em relação ao peso. Por isso, hoje, inspira mulheres que se limitam por conta de um padrão estético.

Ana conta que a cobrança surgiu quando passou a ser professora.  Levada pelos julgamentos com a aparência, ela deu aulas durante 7 anos sem nunca ter se apresentado em um palco. Tudo mudou quando ouviu as piores críticas. "As pessoas diziam: Quem essa gorda acha que é para fazer dança e formar uma bailarina?", conta.

A dor virou ânimo para mudar de vida, mas a caminhada para aceitar e amar o próprio corpo não foi nada fácil.

Quando finalmente subiu ao palco, Ana só aparecia com a barriga coberta. (Foto: Arquivo Pessoal)Quando finalmente subiu ao palco, Ana só aparecia com a barriga coberta. (Foto: Arquivo Pessoal)

A professora cansou de ouvir que não era capaz por conta do peso, o que durante muito tempo lhe trouxe insegurança. "Eu achava que sociedade jamais aceitaria uma bailarina com sobrepeso. Por isso foi tão difícil subir no palco". 

Com ajuda de amigos, professoras e terapia, Ana venceu o medo e provou que desenvoltura na dança não depende do tamanho do corpo. "As pessoas acham que não somos capazes, mas esse padrão é coisa da nossa cabeça. Não importa se é gorda, magra, idosa ou jovem, toda mulher é capaz. O peso não interfere em absolutamente nada".

Hoje ela é conhecida como Hana Aysha na dança, uma inspiração para as alunas. "Elas me veem no palco e pensam: Se ela pode, eu também posso. E é exatamente isso, todas podem. E danço todos os dias acreditando que devemos propagar isso para todas as mulheres".

O dia em que enfrentou o palco pela primeira vez, nunca lhe saiu da cabeça. "Foi um dos melhores momentos que eu tive. Naquele instante vi que podia enfrentar o olhar do público", diz.

Mas o medo era tanto, que no começo a barriga sempre era coberta. Ana teve coragem de dançar em público sem nenhuma "camuflagem" só em setembro, no Festival Internacional Luxor, em São Paulo. "Foi uma apresentação com banda, em que cheguei com a roupa tradicional de dança do ventre sem esconder minha barriga. Acho que depois de subir no palco pela primeira vez, esse foi o momento mais marcante".

Agora, Ana vê tudo de outra forma. "Ainda sinto o olhar das pessoas, mas não ouço nada, respondo a críticas e olhares com o meu trabalho, porque é ele que vai calar o preconceito das pessoas".

Para as meninas que não deram o primeiro passo na dança, Ana deixa o recado. "Você é livre para fazer o bem, se amar e a partir disso ter a consciência que pode fazer tudo. Acha que não tem coordenação? Bobagem, isso é coisa da nossa cabeça. Na dança, trabalhamos todos os movimentos e descobrimos o quanto nosso corpo é capaz".

Quem tiver interesse em conhecer o trabalho de Ana, o estúdio Hana Aysha fica na Rua Eduardo Elias Zahran, 399, Santa Doroteia.

Abaixo, veja o vídeo da apresentação de Ana em São Paulo.

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