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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

16/01/2020 09:15

Oposto da alergia ao leite, é comum “virar” intolerante à lactose na vida adulta

Gastroenterologista explica as diferenças e importância do disgnóstico

Danielle Valentim
Enquanto a alergia à proteína do leite se apresenta nos primeiros meses de vida é comum que a intolerância dê as caras no avançar da idade. (Foto: skynesher/Getty Images)Enquanto a alergia à proteína do leite se apresenta nos primeiros meses de vida é comum que a intolerância dê as caras no avançar da idade. (Foto: skynesher/Getty Images)

De um distúrbio digestivo com sintomas leves a um possível choque anafilático. Há grandes diferenças entre a intolerância à lactose (açúcar do leite) e a ALPV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca). Para esclarecer os riscos, o Lado B conversou com um especialista.

Enquanto a alergia à proteína do leite se apresenta nos primeiros meses de vida é comum que a intolerância dê as caras no avançar da idade.

O gastroenterologista e endoscopista Glauco Najas Sammarco, mestre pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e, atualmente no corpo clínico da Scope, explica que a intolerância nada mais é que a incapacidade de o organismo digerir o açúcar do leite, isso ocorre pela baixa produção da enzima lactase.

Glauco destaca que, independentemente, do nível do sintoma, a intolerância traz impactos na qualidade de vida. Glauco destaca que, independentemente, do nível do sintoma, a intolerância traz impactos na qualidade de vida.

“As pessoas ditas saudáveis produzem a quantidade suficiente da lactase capaz de digerir o açúcar do leite. Além disso, o grau de intolerância é variável. Há pacientes de nível leve, em que ao ingerir o leite e seus derivados apresentam enjoo, cólica ou diarreia e os graves que o corpo não suporta se expor a nenhuma quantidade de lactose”, explica.

Independentemente do nível do sintoma, a intolerância traz impactos na qualidade de vida, principalmente, porque o leite e seus derivados fazem parte do cardápio do brasileiro. “Há casos em que o indivíduo passa a ter dor e demais sintomas, diariamente, e não sabe da intolerância. Ou seja, que o corpo deixou de produzir as enzimas necessárias, por isso a importância de se procurar um especialista para um diagnóstico”, frisa Glauco.

Glauco destaca três principais fatores para o surgimento da intolerância na vida adulta:

- Declínio fisiológico pelo avançar da idade
- Quando o indivíduo apresenta qualquer doença gastrointestinal, por exemplo, uma virose. Os sintomas vão piorar e, por isso, quando o paciente passa pela enfermidade a orientação é cortar o leite e seus derivados;
- O terceiro fator que pode levar a intolerância está relacionada a dietas radicais e o corte total do leite, isso consequentemente acelera a intolerância.

Ana Beatriz à esquerda, Agnes no meio e Aline à direita. (Foto: Arquivo Pessoal)Ana Beatriz à esquerda, Agnes no meio e Aline à direita. (Foto: Arquivo Pessoal)

A cabeleireira Aline Mariano, de 29 anos, desenvolveu a intolerância à lactose durante a gestação da filha Ana Beatriz Mariano, de 10 anos. Ela conta que surgiu “do nada” e que a filha nasceu intolerante.

“Eu sempre bebi muito leite e todos dias. Do sétimo para o oitavo mês fui ficando mal, com enjoo, gases e me vi intolerante. O problema é que a Ana nasceu intolerante à lactose também, vomitava meu próprio leite, principalmente, quando eu ingeria leite. Quando ela era menor a gente conseguia driblar, mas ela sofre mais agora. Já Agnes, de 5 anos, não tem nenhum tipo de intolerância”, pontua Aline.

Como não se trata de uma doença, mas de uma deficiência do organismo, para controlar da intolerância basta evitar alimentos que contenham o tipo do açúcar. Glauco ressalta que iogurtes e queijos, normalmente, têm menos lactose e, por isso, são mais tolerados. Agora para quem prefere comer sem culpa e o melhor, sem sintomas, a sugestão é suplemento da enzima lactase disponível em farmácias e sem necessidade de prescrição médica.

Enzimas para a digestão da lactose no balcão de farmácia (Foto: Paulo Francis)Enzimas para a digestão da lactose no balcão de farmácia (Foto: Paulo Francis)

Mesmo assim, Glauco orienta sobre a importância de um diagnóstico médico antes do consumo, que pode ser feito por exames simples, sem necessidade de coleta de sangue. O especialista pontua que a prescrição da suplementação também pode ser feita por nutricionistas.

A nutricionista Ana Paula Paiva destaca a facilidade de adaptação do corpo humano e aponta alimentos com menos concentração de lactose. “A tendência é que O corpo crie uma resistência, principalmente, em casos mais leves da intolerância. O iogurte e o queijo, por exemplo, tem menos lactose e mais caseína, os sintomas após a ingestão desses alimentos às vezes passa despercebida”, frisa.

Ana Paula reitera os perigos das dietas radicais, o terceiro fator apontado por Glauco. “Nós somos mamíferos que continuamos a tomar leite na fase adulta, então quanto menos a gente toma o leite, o corpo sofre uma adaptação. Quando restringimos a alimentação de forma radical e vamos reinserir surgem intolerâncias e não somente à lactose, mas a outros ingredientes também”, alerta.

APLV - O gastroenterologista explica que a APLV aparece, geralmente, no nascimento. Segundo o especialista, neste caso, o problema é mais grave e não está relacionado à açúcar do leite, mas a proteína. Assim como qualquer alergia, a APLV tem nível e pode levar a morte.

Ao contrário de intolerantes à lactose, pessoas com alergia ao leite de vaca podem digerir o açúcar do leite. A diferença é que, neste caso, o "inimigo" é o próprio sistema imunológico, que reage imediatamente para expulsar o "intruso".

Das coceiras e vermelhidão na pele, há intervenções mais graves como o choque anafilático. Além de surgir durante à introdução alimentar, há dois fatores que também podem causar a alergia à proteína:

- Consumo excessivo; e
- Alergia a algum elemento proteico do leite, jpa que ele possui mais de 20.

Há possibilidade de cura, mas a introdução da proteína do leite de vaca deverá ser acompanhada por médicos.

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