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Campo Grande, Sábado, 18 de Agosto de 2018

03/05/2018 12:00

Análise quentinha: Kratos está de volta com um novo estilo em God of War

Angelo Mota
Análise quentinha: Kratos está de volta com um novo estilo em God of War

God of  War 4 [vamos chamá-lo assim] soube muito bem em quais fontes beber para criar uma aventura que saiba dialogar com o cenário atual dos games, sem jamais perder sua essência, sua identidade de God of War, sem jamais, por um segundo sequer, nos fazer questionar ou duvidar do que estamos realmente jogando.

Um dos aspectos que mais merece destaque nessa mudança é o game play, a essência de um jogo. O sistema saturado de hack ‘n slash com ações de quick event [apertar um botão específico em um momento específico no período de um segundo específico] dos jogos anteriores foi substituído por batalhas mais elaboradas, que exigem muita atenção do jogador, e permite que as lutas sejam mais complexas e menos cansativas. Não basta apenas bater no adversário. Agora você precisa defender, saber a hora certa de atacar, saber o modo certo de atacar cada inimigo, observar seus golpes, procurar por aberturas para poder agir, utilizar combos, poderes, especiais, pedir para Atreus atacar, entre dezenas de outras ações presentes no jogo.

Em comparação com o que havia antes, em que o intuito era apenas bater bater e bater e então executar um quick event, agora existe um sistema extremamente complexo que não apenas deu um gás novo para a série mas agora está equivalente à grandiosidade que Godof War sempre foi capaz de promover.

E essa mudança não reflete apenas nas lutas, mas também na abertura de baús, no escalar de uma montanha, em ações que precisam ser realizadas em conjunto com seu filho Atreus, todo o sistema de game play está mais robusto e evita que o jogo caia em uma repetição que, apesar de nunca ter sido um problema nos jogos anteriores, sempre existiu.

Sem entrar em maiores detalhes para não estragar a experiência de quem não jogou, God of War 4 embarca em uma jornada muito mais pessoal para nosso herói. Tudo o que aconteceu nos 5 jogos anteriores gira em torno dele, mas agora cada passo que Kratos dá para dentro da Mitologia Nórdica, é um momento extremamente íntimo e pessoal, pela presença de seu filho Atreus. O relacionamento dos dois é exposto da forma mais crua e pura possível no decorrer do caminho que os dois precisam seguir, e somos capazes de reconhecer aquele Kratos violento e vingativo dos jogos anteriores, mas também de conhecer um outro lado que até então só havia sido pincelado de leve. O lado pai, cuidadoso, firme, e muitas vezes vulnerável de um homem que se transformou em um deus, e que foi capaz de matar tantos outros deuses.

Análise quentinha: Kratos está de volta com um novo estilo em God of War

Infelizmente, a câmera é um dos aspectos que peca com o jogador, tornando-se confusa e fora de controle em alguns momentos, principalmente durante as batalhas, obrigando que o olho técnico de quem está jogando se acostume para que as coisas possam acontecer a seu favor.

Ao se reinventar, God of War 4 cria um paralelo muito interessante com Tomb Raider, uma vez que traz em sua essência as novas aventuras de Lara, tanto no game play, quanto nas ambientações, é bem difícil não reconhecer as influências que este absorveu do jogo de 2013, mas sem jamais parecer uma cópia, e sempre com o resultado de homenagem e influência positiva, que muito provavelmente era a intenção dos desenvolvedores.

Absorver influências de outros jogos não é uma exclusividade dessa geração, isso acontece desde que os jogos são jogos, mas com a diversidade que os consoles da atual geração possuem, inclusive pelo seu poder de criar qualquer coisa que queiram, é mais evidente perceber estes pontos. E é cada vez mais comum ver alguns jogos influenciando outros, e como eles sabem conversar uns com os outros, sem necessariamente perder a essência que os torna únicos, e isso God of War tira de letra. Ele sabe o que absorver de obras passadas, ao mesmo tempo em que sabe preservar sua identidade de God of War.

Existe um sistema de customização no jogo, de upgrades de roupas e armas, compras e vendas, que é completo sem jamais se tornar complexo, a ponto de confundir o jogador. Ele é extremamente intuitivo e fácil de manusear, tornando-se amigável para quem é novo nesse estilo de jogo, e sem ser obsoleto para quem já está calejado de customizar armas em Tomb Raider e Horizon, por exemplo.

O jogo soube como continuar uma série que é o carro chefe do Play Station e continuar esse legado na plataforma atual, ao mesmo tempo que foi capaz de rebootar essa mesma série, incluindo uma nova curva de aprendizado muito bem elaborada para que o jogador possa se desapegar de uma vez por todas do formato de game play utilizado anteriormente, e criando um tom para o futuro da série, seja em um novo episódio para o próprio PS4 ou que venha em seu sucessor, sabemos que pelo menos pelo próximos três jogos, esse será o estilo de Godof War, e ainda existem brechas para aprimoramento, fazendo-nos acreditar que o futuro da série não apenas é garantido como vai ser brilhante.

God of War tornou-se um dos nomes mais importantes de 2018, em uma época em que temos cada vez mais títulos, cada vez mais jogos bons, uma variedade absurda de estilos e possibilidades, ele soube se destacar em todos os aspectos, em história, game play, construção de personagens, batalhas épicas contra chefes, curva de aprendizado, entre outras coisas. É um título indispensável para qualquer fã da série, e recomendado para qualquer dono de PS4. Se você quer conhecer a história de Kratos, não existe momento mais apropriado.

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