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Campo Grande, Sábado, 17 de Agosto de 2019

22/04/2019 09:08

Com sabor de infância, restaurante caseiro é homenagem à Dona Maria

Fátima decidiu abrir um estabelecimento seguindo as receitas caseiras que a mãe faz

Alana Portela
Mara também é filha de dona Maria e ajuda a fazer a feijoada (Foto: Kisie Ainoã)Mara também é filha de dona Maria e ajuda a fazer a feijoada (Foto: Kisie Ainoã)

“Minha mãe é uma pessoa muito trabalhadora, nunca teve medo de encarar nada. Quando falo disso até me emociono e todos nós, meus irmãos e eu, nos espelhamos nela”, assim começa o relato da empresária Fátima Cantuária, já com os olhos cheios de lágrimas e mesmo tempo um sentimento de orgulho da sua heroína, Maria Cantuária, 76. Para agradecer o amor, a filha então a homenageou colocando o nome de seu restaurante de Churrascaria e Espetaria Dona Maria, localizada na Av. Presidente Tancredo Neves, no bairro Aero Rancho de Campo Grande.

“A gente sempre quer honrar a mãe, por isso coloquei o nome dela. Ela é muito guerreira, sempre nos incentiva a melhorar cada dia mais, a respeitar, desejar coisas boas para todos e que as pessoas venham gostar da gente pelo que somos. Ser humilde com todos, nunca desrespeitar ninguém”, relata Fátima sobre os ensinamentos da mãezinha.

Dona Maria tem 76 anos, criou dez filhos sozinha, sempre ensinando a respeitar o próximo (Foto: Arquivo pessoal)Dona Maria tem 76 anos, criou dez filhos sozinha, sempre ensinando a respeitar o próximo (Foto: Arquivo pessoal)

A empresária descreve a dona Maria como uma pessoa simples. “Por onde passa, as pessoas se apaixonam por ela”, diz a filha com sorriso no rosto. Fátima conta que sempre gostou de cozinhar e esse foi um dos motivos pelo qual optou em abrir um empreendimento.

“A família toda gosta de cozinhar, a feijoada é minha irmã Mara quem faz. O peixe é a gente que faz porque pegamos o modelo da minha mãe. Da mesma forma como ela passa, vamos fazendo. Trabalhei como cozinheira em vários restaurantes e essa é a segunda vez que abro um empreendimento”, diz Fátima, que se recordando dos desafios anteriores. “Tive a Casa da Empada, porém fechei. Foram quatro anos de trabalho bom, vendia muito e como a empresa cresceu, precisava de funcionários. No entanto, era muito caro”.

Para conter gastos, Fátima resolveu fechar a Casa das Empadas, contudo nunca deixou de pensar em abrir outro espaço. A Churrascaria e Espetaria Dona Maria funciona de terça a domingo, das 11h às 14h 30, e no período noturno o espaço volta a abrir, mas desta vez apenas com porções e bebidas a partir das 18h.

Fátima resolveu apostar na churrascaria há três meses e fala sobre o amor que sente pela mãe (Foto: Kisie Ainoã)Fátima resolveu apostar na churrascaria há três meses e fala sobre o amor que sente pela mãe (Foto: Kisie Ainoã)

“Quinta, sexta e sábado tem música ao vivo, com três horas de apresentação. Não cobramos entrada. À noite, só temos porções e contamos com cantores de modão, que é o estilo que o pessoal do bairro mais gosta”, disse. Mesmo tendo inaugurado há três meses, o local é movimentado e chama atenção pela comida caseira.

“O movimento aqui é muito bom desde o começo. Não divulgamos, só abrimos as portas e o pessoal começou a vir conhecer. O cardápio, nós montamos. Temos uma cozinheira, então misturamos um pouco das novidades dela com as receitas da minha mãe”, contou a empresária. Entre as opções, um dos pratos famosos servidos no estabelecimento é o feijão.

“O feijão é da minha mãe, assim como as outras comidas caseiras. A opção é preparada com um tempero especial, todos compram até a porção do feijão. No entanto, não posso falar que tempero é esse porque é segredo da família”, disse. Além do feijão, Fátima comenta sobre o carreteiro realizado na churrascaria todos os domingos.

“A nossa comida é bem caseira, com carreteiro, quiabo e jiló. Essas comidas eram feitas quando morávamos em Fátima do Sul, que é uma cidade pequena”, diz a empresária, que para não deixar o gosto da infância cair no esquecimento, aposta na comida da mamãe. Para beber, a empresária oferece o tradicional suco de laranja, e de polpas de frutas, refrigerante, chopp. “O suco de laranja natural da casa, temos as polpas que são; laranja com hortelã, acerola. Porém, não temos sobremesa”, contou.

Para aqueles que gostariam de provar a comida com as receitas de dona Maria, de segunda a sexta-feira o prato feito é R$ 15. “Já nos domingos e feriados é o self-service no valor de R$ 22. No local, os clientes ainda encontram churrasco com carne bovina e de frango, pratos simples, mas que nunca sai de moda.

De terça a domingo no cardápio do almoço é churrasco, no entanto, o sábado é destinado também para feijoada.

Aos sábados é preparada aquela feijoada com um tempero secreto de família (Foto: Kisie Ainoã)Aos sábados é preparada aquela feijoada com um tempero secreto de família (Foto: Kisie Ainoã)

Planos e decorações - Fátima lembra que o empreendimento está com apenas três meses em funcionando, contudo, as ideias para melhorar o espaço continuam. “Sou da Moreninhas, mas vim pra cá porque a casa é nossa e não íamos pagar aluguel. Estamos arrumando lentamente, tem um jeitinho de cada irmão aqui e da minha mãe”, disse.

Além de Fátima, dona Maria possui outros nove filhos sendo mais seis mulheres; Mara, Vilma, Lucinete, Lucimar, Glória e Sinamar e dois irmãos; Junior, Beto, João e Vanildo que sempre se reúnem em família para saborear as receitas da mãe. Como muitas, a guerreira teve que “se virar nos trinta” para sustentar a família, já que o marido foi embora. Apesar do sufoco, nunca deixou de pensar nos herdeiros. “Ela está sempre junto da gente”, afirma.

“Foi costeira, não gosta de ficar parada. Meu pai ficou com minha mãe por um tempo, mas depois foi embora e ela conseguiu criar a gente sozinha, os dez filhos. Todos cresceram e hoje são pessoas do bem”, afirma Fátima. “Fazemos algumas reuniões de família, onde ela faz a comida gostosa e não deixa a desejar”, destaca a filha.

Já na churrascaria, dona Maria vai poucas vezes, no entanto quando aparece é para avaliar a comida da casa. “Vem mais para comer e falar se está bom ou não”, diz a empresária. A churrasqueira no restaurante foi ideia da homenageada. “Ela ajudou, gostamos muito de carne e quando nos unimos fazemos carne assada”, relata.

Dona Maria gosta de cozinhar e ensina as suas receitas para a família (Foto: Arquivo pessoal)Dona Maria gosta de cozinhar e ensina as suas receitas para a família (Foto: Arquivo pessoal)
Dona Maria de blusa azul no centro, e os filhos e netos a sua volta (Foto: Arquivo pessoal)Dona Maria de blusa azul no centro, e os filhos e netos a sua volta (Foto: Arquivo pessoal)

Nos planos da empresária está a instalação de um fogão a lenha. “Não conseguimos adaptar e nenhum lugar ainda, mas a ideia ficar uma casa rústica e clássica. O consultor empresarial, Silmar Amaral, 45, comenta que é freguês do local há três meses e que o sabor do alimento o faz recordar da comidinha da mãe e da avó.

“Tem esse tempero caseiro, lembra comida mãe, dá a avó e foge do gosto que vemos por aí, que é industrializado. O que mais agrada é esse toque caseiro, me esbaldo. Até parece que vem o mimo da mãe junto”, brincou.

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O consultor empresarial, Simar Amaral virou freguês do restaurante (Foto: Kisie Ainoã)O consultor empresarial, Simar Amaral virou freguês do restaurante (Foto: Kisie Ainoã)
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