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Campo Grande, Terça-feira, 20 de Agosto de 2019

14/08/2019 07:53

Com saltenha e sarravulho de 1 kg, lanchonete tem receitas de família boliviana

Na Vila Planalto, ex-militar decidiu voltar a cozinhar e vender pratos regionais que desde a infância uniu a família

Thailla Torres
Saltenha típica boliviana é receita que sempre uniu família de Nandinho. (Foto: Kísie Ainoã)Saltenha típica boliviana é receita que sempre uniu família de Nandinho. (Foto: Kísie Ainoã)

O ex-militar Leonardo Gomes Alvarez, de 41 anos, sempre foi dos filhos o mais interessado em culinária. Foi na cozinha ao lado da mãe, filha de bolivianos, que ele aprendeu o caminho do “sucesso” na hora de fazer um dos pratos que mais aproximava a família: a saltenha. Agora, na Vila Planalto, ele abriu sua lanchonete onde o carro-chefe é o salgado boliviano e o sarravulho, comida típica corumbaense servida em caldo.

Leonardo ou “Nandinho” como é popularmente conhecido em Corumbá, cidade a 425 quilômetros de Campo Grande, não é novo no Lado B. Em 2015, o portal conheceu a lanchonete “Saltenharia do Nandinho”, famosa por fazer muito campo-grandense trazer o salgado congelado para cidade. O lugar chamava atenção pelo cheiro da saltenha saindo do forno no final de tarde que chegava a dar água na boca.

Fotografia da lanchonete quando era em Corumbá. (Foto: Kísie Ainoã)Fotografia da lanchonete quando era em Corumbá. (Foto: Kísie Ainoã)
Nandinho que dá nome a saltenharia de Campo Grande. (Foto: Kísie Ainoã)Nandinho que dá nome a saltenharia de Campo Grande. (Foto: Kísie Ainoã)

À época, Nandinho e a família não estavam mais à frente do estabelecimento, haviam vendido para outra comerciante. Agora, ele retornou com os salgados e recomeçou com a lanchonete em Campo Grande, usando o mesmo nome e jurando originalidade desde 1985. Ele também afirma que entrou com pedido de patente do nome.

De portas abertas de segunda a sábado, Nandinho vende saltenhas tradicionais e bolinho de arroz, “herança dos irmãos cuiabanos”, explica o dono. No lugar da farinha, o bolinho é feito de arroz que chega a ficar horas de molho.

Experimentamos a saltenha e, de fato, se diferencia pelo sabor e a suculência que, segundo o dono, é primordial na receita boliviana. “Hoje você encontra saltenha de todo tipo, mas a típica boliviana, ensinada pela minha avó Pura Cebalho Gomez e minha mãe Reinalda Gomez, tem que ser suculenta. Na Bolívia, por exemplo, você tira só a pontinha da saltenha, toma o caldo que fica dentro e só depois começa a comer o salgado”.

Sarravulho vendido uma vez no mês. (Foto: Arquivo Pessoal)Sarravulho vendido uma vez no mês. (Foto: Arquivo Pessoal)

A massa e o recheio são mais adocicados e a pimenta é sutil, embora a receita original seja apimentada. “Aqui nem todo mundo gosta de muita pimenta, então precisamos dosar para que todos consigam saborear o salgado”, explica.

Outro prato garantido na lanchonete, mas só uma vez por mês, é o sarravulho. Um prato típico corumbaense hoje muito servido em festas tradicionais e até no churrasco, elaborado com fígado, coração, rim e carne moída.

O prato é vendido por quilo todo segundo sábado do mês e custa R$ 35,00. A saltenha é R$ 6,00 e o bolinho de arroz R$ 4,00.

Apesar de 13 anos no Exército e longe das tradições culinárias, Leonardo diz que nunca esqueceu as receitas da mãe que segue firme fazendo salgados na Cidade Branca. “Eu me lembro de ter 8 anos e vender na rua os salgadinhos que minha mãe preparava. Toda família ajudava e tinha muito orgulho, fomos criados assim”.

O tempo passou e a receita não saiu da memória, por isso, quando voltou para Campo Grande, não pensou duas vezes. “Teve muitos pedidos de amigos também, mas o fato é que faz parte da nossa tradição. Ser de Corumbá é não esquecer da saltenha e nem do sarravulho”.

Os salgado são feitos todos os dias e servidos de segunda a sábado, das 8h às 12h e 15h às 19h30 na Rua Saldanha da Gama, 875, Vila Planalto.

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