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Sabor

Do leite ao prêmio, queijo artesanal impulsiona renda no interior de MS

Variedades artesanais conquistam consumidores e ajudam pequenas propriedades a crescer no Estado

Por José Cândido | 15/05/2026 14:15
Do leite ao prêmio, queijo artesanal impulsiona renda no interior de MS
Na Chácara Cabeceira Limpa são produzidos queijos do tipo frescal, maturados e iogurtes, que são comercializados por todo o município. Créditos imagem: Chácara Cabeceira Limpa

O queijo artesanal deixou de ser apenas tradição nas mesas sul-mato-grossenses para se tornar símbolo de empreendedorismo, inovação e desenvolvimento no campo. Em Mato Grosso do Sul, pequenas propriedades rurais estão transformando leite em produtos de alto valor agregado, fortalecendo a agricultura familiar, movimentando a economia local e conquistando espaço até em concursos estaduais.

RESUMO

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O queijo artesanal tem se consolidado como símbolo de empreendedorismo em Mato Grosso do Sul, com pequenas propriedades rurais transformando leite em produtos de alto valor agregado. Em Jaraguari e Rio Brilhante, famílias investem em certificações, sustentabilidade e qualidade, conquistando mercados e prêmios estaduais. O Sebrae/MS apoia o setor com capacitações e o projeto Rota Rural, fortalecendo a agricultura familiar e a economia regional.

Por trás de cada peça de queijo maturado, frescal ou curado, existe uma cadeia produtiva que começa ainda na ordenha, passa pelo melhoramento genético do rebanho, pela regularização sanitária e chega às feiras, padarias e mesas dos consumidores. Um processo que mistura tradição, técnica e paixão familiar.

Em Jaraguari, a Queijaria Dazu nasceu de uma dificuldade comum enfrentada por produtores rurais: a baixa rentabilidade da venda do leite in natura. Quando o preço pago pelos laticínios caiu, o produtor José Alceu Cabral decidiu mudar o rumo da propriedade.

“Começamos a produzir queijo porque era um negócio mais lucrativo e agregava mais valor aos produtos”, relata Alceu, sócio-proprietário do Sítio Paraíso.

Hoje, ao lado da esposa Zuleide, ele conduz uma produção que vai além da fabricação artesanal. A propriedade investiu em regularização sanitária, certificações e melhoramento genético do rebanho Jersey, alcançando uma média diária de até 30 litros de leite por animal.

Mas o diferencial da queijaria não está apenas na produtividade. O sítio se tornou referência em sustentabilidade. Segundo Alceu, a propriedade é pioneira na produção de baixo carbono no Brasil dentro do segmento.

“Nosso queijo conta toda a história da propriedade, desde o cuidado com o gado até a comercialização”, resume o produtor.

A produção ganhou espaço em feiras dentro e fora do Estado e já projeta expansão para Rochedinho, distrito de Campo Grande, onde a família pretende ampliar a fabricação e gerar novos empregos.

Premiado e feito em família

A força do queijo artesanal também vem chamando atenção em Rio Brilhante. Na Chácara Cabeceira Limpa, a produção de queijo maturado massa crua garantiu o primeiro lugar no Concurso de Queijos realizado durante o Ruraltur MS no ano passado.

O negócio começou há pouco tempo, em 2023, mas rapidamente se transformou em fonte de renda e expansão da propriedade.

“Produzimos tudo aqui, desde o leite até o queijo. As pessoas procuram produtos frescos, com qualidade e menos conservantes”, explica a engenheira agrônoma Evelin Pael, que divide a produção com o marido, Diego.

Além dos queijos frescal e maturados, a propriedade também produz iogurtes e atende padarias, produtores de pão de queijo e até merendas escolares da região.

O crescimento do negócio já impulsiona novas atividades na propriedade, como ovinocultura e piscicultura, além da geração de empregos locais.

Para Evelin, o queijo representa mais do que um produto comercial. “É um sonho que mantém nossa família unida em torno de um propósito comum”, afirma.

Cadeia que movimenta a economia

Segundo o analista-técnico do Sebrae/MS, Estevão de Souza, a produção artesanal de queijo tem papel estratégico na valorização da agricultura familiar sul-mato-grossense.

Ele explica que transformar leite em queijo aumenta a rentabilidade das pequenas propriedades e cria um efeito positivo em toda a economia regional.

“Quando o produtor vende um queijo de qualidade, ele amplia mercado, renda e capacidade de investimento. Isso fortalece outros setores da economia local”, afirma.

Para impulsionar esse ciclo, o Sebrae/MS oferece capacitações, consultorias e orientação técnica aos produtores interessados em profissionalizar a atividade. Entre as ações está o projeto Rota Rural, que leva cursos de produção de queijo e derivados do leite diretamente às comunidades rurais.

O apoio inclui ainda assistência para regularização sanitária, obtenção de selos de comercialização, manejo nutricional do rebanho e técnicas de melhoramento genético.

No fim das contas, cada queijo produzido no interior do Estado carrega muito mais que sabor. Carrega histórias de famílias, permanência no campo, geração de renda e uma identidade rural que ganha cada vez mais espaço no mercado sul-mato-grossense.

Do leite ao prêmio, queijo artesanal impulsiona renda no interior de MS
Uma das formas de valorizar o alimento artesanal é entender como funciona o seu preparo. Créditos imagem: Queijaria Dazú