Esfirra quase fez Angélica desistir, mas hoje vende 800 salgados por dia
No início da produção, elas saíam tortas e viravam até piada, mas agora são as mais vendidas
As primeiras esfirras que Angélica Farias fazia eram tão desajeitadas que viraram motivo de brincadeira dentro de casa. O filho, Matheus, olhava para o formato torto da massa e dizia que elas pareciam "unicórnios". A lembrança hoje rende risadas, mas também mostra a transformação da empreendedora que quase desistiu do negócio e aprendeu a fazer salgados do zero. Hoje chega a fazer até 800 unidades por dia. Cada salgado custa R$ 2 e atrai clientes de toda a região do Bairro Aero Rancho.
"As minhas primeiras esfirras ficavam umas pontudas, horríveis. Aí fui me ajeitando, vendo onde estava a dificuldade e aprendendo do meu jeito", conta.
Antes de entrar na cozinha, Angélica trabalhava com atendimento ao público. A troca de profissão aconteceu depois de dois anos aprendendo a fazer salgados com o cunhado, João Paulo, que já tinha experiência na área. "Eu não sabia fazer nada. Só aprendi", lembra.
O sonho de dar mais conforto para a família fez com que ela e o marido resolvessem investir todas as economias no próprio negócio. “Foi uma decisão difícil, a gente teve medo, mas também trabalhamos muito para tudo acontecer”, destaca.
Nos primeiros meses, Angélica chegava à salgaderia por volta das 3h30 da manhã. Levava o filho pequeno junto, preparava as massas, fazia os salgados e ainda atendia os clientes sozinha enquanto o marido trabalhava como motorista do transporte coletivo.
O maior susto veio justamente no primeiro dia de funcionamento. Depois de preparar toda a produção, o forno não ligou. "Eu falei: 'Meu Deus do céu, o que eu vim fazer?'. Era o único dinheiro que a gente tinha investido. Comecei a chorar e pensei até em desistir", recorda.
Foi novamente o cunhado quem apareceu para ajudar. Ele conseguiu colocar o forno para funcionar, incentivou a família a abrir as portas e chamou os primeiros clientes. Nos dias seguintes, parentes lotavam a pequena lanchonete para dar movimento ao negócio, enquanto clientes que estão com a família desde o início ajudavam a manter o sonho de pé.
A persistência deu resultado. Hoje, a esfirra, justamente o salgado que mais deu trabalho para aprender, é o produto mais vendido da casa. "Valeu a pena insistir. No começo nada é fácil. A gente não pode desistir. Basta querer aprender", afirma.
Além das esfihas, o cardápio tem trouxinhas de frango com catupiry, calabresa com catupiry, salgados de presunto, queijo e salsicha, além de coxinhas e risoles. Todos a R$ 2.
O crescimento também permitiu que Angélica passasse adiante o conhecimento que um dia recebeu. Hoje, ela já ensinou duas funcionárias a preparar os salgados."Meu cunhado teve paciência para me ensinar. Agora eu também tenho paciência para ensinar quem está aprendendo", avalia.
Na salgaderia, toda a produção continua sendo feita diariamente. A massa é preparada ainda de madrugada e os salgados são assados e fritos ao longo do dia. O estabelecimento funciona de segunda a sexta-feira, das 6h30 até o fim da produção, e aos sábados até o meio-dia.
A Angélica Salgados fica na Rua Lagoa da Prata, 367, no Bairro Aero Rancho.
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