MS, uma província argentina? Os temores criados pelo abandono
Era 1.892. A Guerra contra os guaranis de Solano López estava ainda na memória. Após a saída das tropas, Mato Grosso do Sul ficava novamente abandonado. Cuiabanos e o Rio de Janeiro não tinham planos de ocupação deste imenso território. Era uma região quase desabitada, tinha menos de 100 mil habitantes. É a época em que os empresários corumbaenses, a maioria estrangeiros, começa a pensar em proclamar um “Estado Livre”, independente do Brasil. Eram mais identificados com outros países do que com Cuiabá ou Rio de Janeiro.
Todos armados ilegalmente.
O Mato Grosso do Sul, politicamente, estava sob o domínio da anarquia, em decorrência das violentas lutas armadas promovidas pelos coronéis. Tal como hoje, a extensa fronteira facilitava a aquisição ilegal de armas. Pode-se afirmar que todos os habitantes estavam armados. O engajamento nos combates havia chegado a constituir um meio de vida para numerosos indivíduos, fossem coronéis ou membros das classes subalternas. O coronelismo e o banditismo tinham uma fronteira nebulosa. Quem pertencia ao grupo de um coronel ou de um bandoleiro? Ninguém sabia. É nesse ambiente que prosperam as ideias separatistas. Separar do Rio de Janeiro ou de Cuiabá eram tendências fortes.
Uma economia de costas para o Brasil.
Nessa época, ocorre, por exemplo, a tentativa de ativar a extração de ouro em Coxim. Instalam-se na região pantaneira diversas charqueadas. Novas casas comerciais estabelecem-se em Corumbá, Aquidauana e Miranda. Todos esses empreendimentos eram estrangeiros. Nem um mero mercadinho brasileiro. A empresa aurífera foi fundada em Buenos Aires com capital britânico. As charqueadas pertenciam a capitais uruguaios. A maior de todas as empresas constituídas no Mato Grosso do Sul, a Matte Laranjeira, que explorava os ervais da fronteira, era toda voltada para a exportação para a Argentina. Ninguém viajava para São Paulo, Cuiabá ou Rio de Janeiro, iam a Concepción, no Paraguai, se abastecer de mercadorias estrangeiras.
As terras argentinas no Mato Grosso do Sul.
Nesse tempo, verifica-se igualmente o domínio de grandes extensões de terras por empresas constituídas na Argentina. As maiores eram a “Trust del Alto Paraguay” e a “Fomento Argentino Sul-Americano”, fundadas em Buenos Aires respectivamente em 1.906 e 1.907. A primeira tonou-se proprietária da Fazenda Rodrigo, com 400 mil hectares em Miranda. A segunda era ainda maior. Comprou nada menos de um milhão de hectares, constituindo a chamada “Fazenda Nabileque”. E tem mais. A navegação era feita prioritariamente por empresas argentinas. A soberania estava novamente em perigo.
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