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Sabor

Grupo emociona família que fundou antigo restaurante Dom Marchitto

Lembranças apetitosas nas redes sociais provam que os tempos de ouro do restaurante deixaram saudades – quem aí se lembra?

Por Thailla Torres | 26/10/2020 06:15
Foto de Giuseppe Marchitto, fundador do restaurante que faleceu em 1973. 
Foto de Giuseppe Marchitto, fundador do restaurante que faleceu em 1973.

Ainda que não tenha restado uma foto da fachada ou de seu interior com a nitidez das mesinhas, os anos 70, 80 e 90 foram adotados como os tempos de ouro do antigo restaurante Dom Marchitto, na Rua Dom Aquino, que fechou as portas definitivamente nos anos 2000.

O estabelecimento aberto em 1970 pelo italiano Giuseppe Marchitto, e vendido para a filha Ana Marchitto e o genro Jayme Khalil Jacob, em 1973, deixou saudades. Apesar de sua trajetória interrompida, o funcionamento do lugar ainda é vivo na memória dos antigos fregueses.

Com a postagem de um integrante do grupo “Anos Dourados Campo Grande – MS”, no Facebook, que busca resgatar histórias da cidade, centenas de comentários narram e revelam um importante capítulo da história da gastronomia ítalo-campo-grandense.

Seria o fundador Dom Marchitto o primeiro a investir numa cantina tipicamente italiana, afirma a filha. O lugar, em sua particularidade, foi responsável por moldar o paladar do campo-grandense aos domingos com massas inundadas de molho caseiro e fermentação que levava horas para ficar pronta. Também incluiu receitas práticas que se tornaram inesquecíveis, como o brochete. Pelos comentários, nas redes sociais, até a saladinha de tomate ficou superestimada.

“Era um negócio familiar que funcionava como a extensão da casa do cliente pela simplicidade, pelo jeito que meu pai sempre tratava os clientes com simpatia. Além, claro, do sabor italiano que ele fazia questão de servir com muito amor”.

Dois dos garçons que trabalhavam na cantina. Foto é guardada pelos donos.
Dois dos garçons que trabalhavam na cantina. Foto é guardada pelos donos.

A história apetitosa da família começou quando o pai de Ana chegou aqui em 1968 para tentar uma nova vida ao lado dos filhos após o falecimento da esposa. Abriu no mesmo ano uma pizzaria na Rua 13 de Maio e dois anos depois investiu na Dom Marchitto, na Rua Dom Aquino. “Como naquele tempo não tínhamos muitas pizzarias na cidade e era difícil trabalhar pela falta de fornecedores, meu pai resolveu fechar e manter só a Dom Marchitto”.

O lugar era ponto de encontro principalmente aos domingos. “O pessoal saia da igreja São José e ia almoçar no restaurante. Servíamos aquela meninada da catequese e da missa. Durante a semana, à noite o espaço era frequentado por muitas famílias tradicionais da cidade. Chegamos a receber até governadores”, lembra.

Outra lembrança, documentada numa única foto que Ana guarda em casa, foi até motivo de polêmica em um ano. O local tinha garçons mirins, de aproximadamente 14 anos, naquelas décadas. “Eram meninos de um orfanato. Nós ensinávamos o trabalho, mas exigíamos que eles também estudassem. Eles ganhavam o salário, aprendizado e afeto, porque os tínhamos como filhos na cantina. Teve gente que foi contra, mas todos que nos conheciam sabiam como eles eram felizes conosco”.

Por decisão do casal, a cantina fechou as portas no final dos anos 90, mas voltou a ser gerenciada por um antigo funcionário nos anos 2000. Mas insatisfeitos com algumas mudanças, o casal optou por fechar definitivamente. “Como não estávamos mais na administração da casa, não era a mesma coisa. Então optamos por fechar, mas com sentimento de dever cumprido”.

Quando Ana se deparou com as publicações no grupo que resgatou lembranças do restaurante, não conteve a emoção. “É um sentimento gratificante, porque sei que nessa vida só temos saudades de coisas boas. E o restaurante fundado pelo meu pai marcou uma época na cidade. Ainda hoje, quando vamos em restaurante da cidade, famílias se levantam e recordam do Dom Marchitto”, finaliza.

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