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Campo Grande, Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

22/12/2016 07:22

Quando Aniele precisou de cuidados especiais, família viu na Cuca um recomeço

Naiane Mesquita
Macia, cucatone tem recheio de chocolate (Foto: Alcides Neto)Macia, cucatone tem recheio de chocolate (Foto: Alcides Neto)

Aniele tem 11 anos, cabelos castanhos quase louros e um apego enorme pelo pai. Com duas síndromes raras diagnosticadas, a de Sturge-Weber e de Klippel-Trenaunay-Weber, ela tem dificuldades psicomotoras que se tornaram mais agressivas no último ano. Entre internações e uma luta constante para descobrir o medicamento correto, os pais precisaram se desdobrar para seguir o caminho ao lado da pequena.

“As síndromes comprometem a linguagem, o entendimento, a parte motora. Ela nasceu assim e logo em seguida foi possível fazer o diagnóstico. Ela nasceu prematura e soubemos na hora do nascimento tudo isso, por que ela teve uma convulsão”, relembra o pai, Shileiden Paliza, 46 anos.

Hoje, ela faz questão de deitar ao lado dos pais para dormir, mas nos meses anteriores, precisou ser internada e contida para evitar que se machucasse. Com vários medicamentos prescritos, a situação se tornou insustentável ao ponto da família não saber mais o que fazer.

A mãe e o pai de Aniele descobriram um jeito de ficar sempre perto da filha (Foto: Alcides Neto)A mãe e o pai de Aniele descobriram um jeito de ficar sempre perto da filha (Foto: Alcides Neto)

O jeito foi fechar o salão de cabeleireiro da mãe, Solange Blaszaqi, 45 anos e interromper as consultorias administrativas do pai, para que ambos se dedicassem em tempo integral aos cuidados de Aniele. “Os psiquiatras acharam por bem a internação. Ela ficou na cama, amarrada, retiraram todos os remédios. Foi um desastre. Um momento muito difícil das nossas vidas”, confessa.

Com a decisão de quem já passou por muito em pouco tempo, Shileiden e Solange optaram por seguir em frente com o tratamento da filha em casa. “Sempre tivemos altos e baixos, épocas de mais dificuldade, mas sempre foi passageiro. Ela começou a apresentar um comportamento muito diferente, rejeitava a escola, com coisas banais, de repente desandou, ficou abrupta, violenta, ao ponto de não reconhecer mais a mãe dela”, relembra.

O jeitinho carinhoso de encarar a vida se transformou. “Ela era muito carinhosa e mudou para ações violentas, com qualquer um que estivesse do lado dela e com ela mesma. Mordia as mãos, batia a cabeça, puxava os cabelos, ela estava em uma situação muito difícil, tivemos que parar com tudo, com todos os medicamentos”, diz Shileiden.

As cucas são feitas pela mãe de Aniele com receita da família (Foto: Alcides Neto)As cucas são feitas pela mãe de Aniele com receita da família (Foto: Alcides Neto)

Com a rotina totalmente alterada e os pensamentos na filha e no outro garoto da família, Breno, de 8 anos, os pais sucumbiram ao cansaço. Viram na dedicação em tempo integral uma saída para salvar Aniele. “Ela ficou duas semanas no hospital e mais algumas em casa. Aos poucos voltou a caminhar, ainda com muita dificuldade, antes ela só dormia ou chorava”.

Sem as clientelas do salão e as consultorias que antes ajudavam no sustento, os pais de Aniele precisaram pensar rápido em uma solução. A resposta chegou na receita da família de Solange, uma cuca alemã macia, com recheios doces e salgados.

Com vários sabores, cucas são vendidas a R$ 10,00 (Foto: Alcides Neto)Com vários sabores, cucas são vendidas a R$ 10,00 (Foto: Alcides Neto)

“Tem as doces tradicionais, de uva, goiabada, doce de leite, banana, beijinho e brigadeiro. As salgadas tem calabresa, bacon, presunto e também produziu agora, a pedido de um cliente, carne seca com banana”, explica.

Além das cucas tradicionais, a família inventou o Cucatone, uma mistura natalina. Com o chocolate misturado a massa, a Cuca fica com um sabor suave e uma massa macia. A parte de cima é finalizada também com o doce, que faz a combinação original e nada atrás da prima de dezembro.

O preço é de R$ 10,00 as pequenas e R$ 12,00 as salgadas. Informações e encomendas pelo telefone (67) 99182-8869.

 



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