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Lado Rural

Com R$ 30 bilhões, programa quer dobrar produção sem desmatar uma árvore

Caminho Verde Brasil prevê recuperar 40 milhões de hectares e ampliar a oferta de alimentos e biocombustíveis

Por Anderson Viegas | 19/06/2026 13:34
Com R$ 30 bilhões, programa quer dobrar produção sem desmatar uma árvore
Pedro Cunto, coordenador do programa Caminho Verde (Foto: Anderson Viegas)

O Governo Federal disponibilizou R$ 30 bilhões em crédito para produtores rurais por meio do programa Caminho Verde Brasil, iniciativa que pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas e que, segundo o Ministério da Agricultura, tem potencial para dobrar a produção agropecuária brasileira sem a necessidade de novos desmatamentos.

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O Governo Federal liberou R$ 30 bilhões em crédito para produtores rurais pelo programa Caminho Verde Brasil, que pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas e pode dobrar a produção agropecuária sem novo desmatamento. A iniciativa, apresentada no FIAP, em Campo Grande, reúne dez bancos e prevê financiar práticas sustentáveis, desmatamento zero e monitoramento de carbono.

A informação foi apresentada pelo assessor especial do Ministério da Agricultura e coordenador do programa, Pedro Cunto, durante o FIAP (Fórum Internacional da Agropecuária), realizado em Campo Grande.

Segundo ele, o objetivo é recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas em todo o país, ampliando a produção de alimentos e biocombustíveis ao mesmo tempo em que reduz a pressão sobre áreas de vegetação nativa.

“Viemos falar do programa Caminho Verde Brasil, que é o nosso programa de recuperação de áreas degradadas. Tem uma meta de 40 milhões de hectares, o que permitiria a gente talvez dobrar a produção brasileira. Sem desmatar uma árvore.”

De acordo com o Ministério da Agricultura, o programa busca aumentar a resiliência climática da agropecuária brasileira, promover a segurança alimentar, estimular a transição energética, reduzir emissões de carbono e alcançar o desmatamento zero.

A proposta parte da recuperação de áreas degradadas, pouco produtivas ou abandonadas, transformando esses espaços em sistemas produtivos sustentáveis. Segundo a apresentação do programa, a restauração dessas áreas reduz a pressão por novos desmatamentos e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Pedro Cunto destacou que o Brasil já possui um dos maiores níveis de preservação ambiental do planeta, mas que a exigência dos mercados internacionais por produtos sustentáveis tende a aumentar nos próximos anos.

“Então, para a gente ter acesso a esses mercados preferenciais, a gente precisa continuar crescendo, mas sem desmatar. É isso que eu vou falar aqui. E vou falar de uma coisa importante. O programa não está mais só no papel. A gente já tem 30 bilhões de reais nos bancos disponíveis para os produtores.”

 Na fase inicial, o programa conta com cerca de US$ 6 bilhões para financiar produtores rurais e tem dez instituições financeiras habilitadas para operar os recursos: Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco Votorantim, Rabobank e Safra. A expectativa é transformar até 3 milhões de hectares de áreas degradadas em sistemas produtivos sustentáveis nesta primeira etapa.

 Os produtores que aderirem ao programa assumem compromissos relacionados ao desmatamento zero, certificação trabalhista, monitoramento de carbono e adoção de práticas sustentáveis.

 Sobre o acesso ao crédito, Pedro reconheceu que os recursos ainda não estão sendo ofertados de forma ampla pelas agências bancárias e orientou os produtores interessados a procurarem diretamente seus gerentes.

 “O Ministério tem essa preocupação. A gente tem trabalhado também junto com o Tesouro, junto aos bancos para facilitar. No primeiro momento, é natural que os bancos... é tudo muito novo. A gente tem uma série de exigências de monitoramento adicionais. Então, os bancos estão selecionando os produtores. Não é algo que eles estão divulgando largamente nas agências.”

 Ele reforçou que os interessados devem procurar as instituições financeiras para demonstrar interesse na linha.

 “É um recado importante para o produtor que está interessado e que ainda não foi procurado pelo seu banco. Procure o banco. Peça para que o gerente entre em contato com a área de agronegócio para que ele possa participar. Porque ainda não está como uma linha de varejo igual ao Plano Safra. Estará no futuro. Mas, nesse momento, o produtor tem que bater na porta do banco.”