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Lado Rural

Acrissul atribui queda do rebanho em MS a ciclo pecuário e uso da terra

Estado perdeu 616,7 mil bovídeos em um ano; entidade cita abate de fêmeas e conversão de áreas

Por Anderson Viegas | 08/08/2026 11:07
Acrissul atribui queda do rebanho em MS a ciclo pecuário e uso da terra
Acrissul aponta ciclo pecuário e mudança no uso da terra entre os fatores para redução do rebanho em MS (Foto: Arquivo)

Mato Grosso do Sul perdeu 616,7 mil bovídeos em um ano, redução de 3,51%, segundo dados da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul). Para o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Guilherme Bumlai, a retração é explicada por uma combinação entre o ciclo pecuário e mudanças no uso da terra em algumas regiões do Estado.

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Mato Grosso do Sul perdeu 616,7 mil bovídeos em um ano, queda de 3,51%, segundo a Iagro. Para a Acrissul, a redução decorre do ciclo pecuário, com maior descarte de fêmeas nos últimos anos, e da mudança no uso da terra, com avanço de lavouras como cana e citricultura em regiões produtoras. Corumbá segue com o maior rebanho, mas também registrou recuo.

O rebanho estadual passou de 17.588.711 animais em 1º de agosto de 2025 para 16.972.021 na mesma data de 2026. Em números absolutos, a diferença é de 616.690 bovídeos. Os números fazem parte do Saldo Geral de Animais do Estado, base oficial mantida pela Iagro para acompanhamento do quantitativo de animais por espécie em Mato Grosso do Sul.

Segundo Bumlai, um dos fatores para a redução está no maior descarte e abate de fêmeas registrado nos últimos anos, incluindo animais utilizados como matrizes. “A redução do rebanho é explicada por uma combinação de fatores. O primeiro é o próprio ciclo pecuário. Nos últimos anos tivemos um período de maior descarte e abate de fêmeas, inclusive matrizes, o que naturalmente reduz a capacidade de reposição do rebanho nos anos seguintes”, explica.

O presidente da Acrissul afirma que esse movimento começa a mudar, com maior retenção de fêmeas destinadas à reprodução, embora o impacto dessa mudança ainda leve tempo para aparecer no tamanho do rebanho. “Agora começamos a observar uma inversão desse ciclo, com maior retenção de fêmeas para reprodução, mas os efeitos dessa retenção sobre o número de animais levam algum tempo para aparecer”, afirma.

Mudança no uso da terra

Bumlai também aponta a mudança na utilização das propriedades rurais como outro fator relacionado à redução do número de bovinos em algumas regiões de Mato Grosso do Sul. “Outro fator importante é a mudança no uso da terra em algumas regiões de Mato Grosso do Sul. Áreas tradicionalmente destinadas à pecuária vêm sendo convertidas para outras atividades agrícolas”, diz.

Acrissul atribui queda do rebanho em MS a ciclo pecuário e uso da terra
Presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai diz que maior abate de fêmeas nos últimos anos reduziu capacidade de reposição do rebanho (Foto: Arquivo)

Como exemplos, o presidente da Acrissul cita a expansão da cana-de-açúcar na região de Paranaíba e da citricultura em regiões como Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas. Nos três municípios citados pelo dirigente, os dados da Iagro apontam redução do rebanho entre agosto de 2025 e agosto de 2026.

Em Ribas do Rio Pardo, o número de bovídeos caiu de 755.950 para 687.415, diferença de 68.535 animais, ou 9,1%. Em Paranaíba, o rebanho passou de 414.254 para 373.617, redução de 40.637 cabeças, equivalente a 9,8%. Já Três Lagoas passou de 454.854 para 421.636 bovídeos, com 33.218 animais a menos, queda de 7,3%.

Em Corumbá, município com o maior plantel do Estado, o rebanho passou de 2.166.088 para 2.073.387 bovídeos. A redução foi de 92.701 animais, aproximadamente 4,3%. Outra queda ocorreu em Inocência, onde o saldo recuou de 301.565 para 268.854 animais, diferença de 32.711 cabeças, ou 10,8%. Aquidauana, Figueirão, Sonora e Água Clara também registraram redução no período analisado.