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Lado Rural

Em MS, milho ocupa 46% da área da soja e perde espaço para outras culturas

Produtores substituem cereal por sorgo e pastagem e enfrentam variação de até 50 sacas

Por Gustavo Bonotto | 20/04/2026 19:24
Em MS, milho ocupa 46% da área da soja e perde espaço para outras culturas
Sorgo é um grão parecido com o milho, que pode ser cultivado em áreas com pouca chuva, sendo uma opção para o produtor. (Foto: Arquivo/Semadesc)

Produtores de Mato Grosso do Sul reduziram a área do milho na 2ª safra 2025/2026 para 46% da área plantada com soja, após perdas com a estiagem no início do ano, e passaram a substituir o cereal por culturas como sorgo, milheto e pastagem, conforme dados divulgados em abril pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho). A mudança ocorre no Estado diante do risco climático e da variação na produtividade entre lavouras.

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Produtores de Mato Grosso do Sul reduziram a área de milho na segunda safra 2025/2026 para 46% da área plantada com soja, após perdas com a estiagem. Culturas como sorgo, milheto e pastagem substituem o cereal em regiões de risco. A colheita da soja atingiu 94,9% e o plantio do milho chegou a 99,5%. Mais de 640 mil hectares foram afetados por veranicos entre janeiro e fevereiro, segundo a Aprosoja.

Em safras anteriores, o milho chegou a ocupar até 75% da área da oleaginosa. A redução atual indica mudança na estratégia de plantio, com produtores direcionando o cereal para regiões consideradas mais seguras e destinando áreas de maior risco para outras culturas.

A substituição ocorre principalmente em regiões afetadas pela seca, onde o risco de perda é maior. Nessas áreas, o sorgo e o milheto surgem como alternativas por apresentarem maior resistência a períodos de estiagem, enquanto pastagens também entram como opção para manter o uso do solo.

Além da mudança no uso da área, os dados mostram grande variação na produtividade dentro de um mesmo município. Levantamentos indicam lavouras com rendimento inferior a 30 sacas por hectare e outras que superam 80 sacas na mesma localidade, diferença que pode chegar a 50 sacas.

A disparidade reflete condições distintas de solo, manejo e distribuição de chuvas. Áreas mais atingidas pela estiagem registraram perdas expressivas, enquanto propriedades com melhor retenção de umidade e planejamento técnico conseguiram manter produtividade elevada.

Em dados - Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) informou que a colheita da soja da safra 2025/2026 atingiu 94,9% da área plantada até 10 de abril, enquanto o plantio do milho segunda safra chegou a 99,5% no Estado. Os dados constam no boletim semanal e mostram a reta final das duas culturas em Mato Grosso do Sul.

A colheita avança em ritmos diferentes entre as regiões. O sul lidera, com 99,3% da área já colhida, seguido pelo centro, com 91,7%, e pelo norte, com 82,7%. No plantio do milho, a região sul já concluiu 100% da área estimada. O centro registra 99,4% e o norte, 96,3%, o que confirma o encerramento próximo da semeadura em todo o Estado.

As condições das lavouras refletem os efeitos do clima ao longo do ciclo. Do total, 56,8% das áreas são classificadas como boas, 27,6% como regulares e 15,6% como ruins. As regiões norte e nordeste concentram os melhores índices, com mais de 64% das lavouras em boas condições. No sul, 41,2% das áreas são consideradas boas e 44,2% regulares. Já no sudeste, 45,5% estão em boas condições e 41,7% em situação regular.

O boletim aponta que mais de 640 mil hectares foram afetados por veranicos entre janeiro e fevereiro, com estiagem superior a 20 dias em municípios como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai. A falta de chuva comprometeu parte do desenvolvimento das plantas, sobretudo no sul do Estado. Em março, a precipitação entre 150 e 380 milímetros ajudou na recuperação parcial das lavouras nas regiões centro, norte e oeste.