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Lado Rural

Estiagem provoca perda de 3,5% na produtividade da cana em MS

Seca impactou, além de MS, também os estados do Paraná, Mato Grosso e noroeste de São Paulo

Por José Roberto dos Santos | 20/06/2024 13:45
Máquina opera na colheita de cana em lavoura na região de Novas Alvorada do Sul, em MS. (Foto: Arquivo/Governo MS)
Máquina opera na colheita de cana em lavoura na região de Novas Alvorada do Sul, em MS. (Foto: Arquivo/Governo MS)

A região Centro-Sul registrou no acumulado até o mês de maio a produtividade média de 89,4 toneladas por hectare, cerca de 3,5% inferior à safra passada (92,6 t/ha). A queda, segundo nota distribuída pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) é atribuída ao déficit hídrico observado no período, impactando principalmente as regiões de Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso e Noroeste do Estado de São Paulo.

Os destaques em produtividade nos dois primeiros meses da safra (abril/maio) ocorreram em Minas Gerais (102 toneladas por hectare), Ribeirão Preto (101,7 t/ha) e Piracicaba (100 t/ha).

Produção da região

Na segunda quinzena de maio, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 45,19 milhões de toneladas ante a 46,77 milhões da safra 2023/2024 – o que representa uma queda de 3,36%. No acumulado desde o início da safra 2023/2024 até 1º de junho, a moagem atingiu 140,74 milhões de toneladas, ante 126,62 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 2023/2024 – um avanço de 11,15%.

O diretor de Inteligência Setorial da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Luciano Rodrigues, explica que a retração constatada no processamento de cana no final de maio se deve à condição climática desfavorável para colheita, que impactou o ritmo de moagem em algumas áreas no Paraná, Mato Grosso do Sul e na região de Assis em São Paulo. “Esse movimento foi parcialmente compensado pelo clima seco que favoreceu a colheita em Minas Gerais, Goiás e na região central do Estado São Paulo”, conclui Rodrigues.

A análise foi publicada no acompanhamento quinzenal da safra da região Centro-Sul, distribuído pela Unica.

Na segunda metade de maio, quatro unidades deram início à safra 2024/2025. Ao término da quinzena, permanecem em operação 249 unidades no Centro-Sul, sendo 232 unidades com processamento de cana-de-açúcar, nove empresas que fabricam etanol a partir do milho e oito usinas flex. Em relação à qualidade da matéria-prima, o nível de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) registrado na segunda quinzena de maio atingiu 129,85 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, contra 134,95 kg por tonelada na safra 2023/2024 – variação negativa de 3,78%. No acumulado da safra, o indicador marca 122,07 kg de ATR por tonelada (-1,92%).

Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar na segunda quinzena de maio, segundo a Unica, totalizou 2,70 milhões de toneladas, registrando queda de 7,72% na comparação com a quantidade registrada em igual período na safra 2023/2024 (2,92 milhões de toneladas).

 No acumulado desde o início da safra até 1º de junho, a fabricação do adoçante totalizou 7,84 milhões de toneladas, contra 7,01 milhões de toneladas do ciclo anterior (+11,80%). A redução na produção quinzenal de açúcar se deve à retração observada na moagem e à menor proporção de cana-de-açúcar direcionada à fabricação do adoçante nessa quinzena. Com efeito, 48,28% da matéria-prima disponível foi direcionada para a produção de açúcar na última quinzena, ante 48,65% observados no mesmo período da safra 2023/2024.

Recorde em 2023-24

A safra de cana-de-açúcar de Mato Grosso do Sul 2023-2024, que encerrou em março, bateu recorde e ultrapassou pela primeira vez a marca de 50,5 milhões de toneladas, produzindo 2,1 milhão de toneladas de açúcar e 3,7 bilhões de litros de etanol.

O desempenho foi 17% superior ao ciclo passado e colocou o Estado como o 4º maior produtor de cana-de-açúcar; 4º maior produtor de etanol; 5º maior produtor de açúcar e 4º maior exportador de bioeletricidade. Os dados são da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul).

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