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Lado Rural

Leite: preço fecha 2021 com recuo de 9,4%; cenário para 2022 é desafiador

Preço do leite pago ao produtor em janeiro/22 deve permanecer próximo aos patamares de dezembro/21

Por José Roberto dos Santos | 18/01/2022 15:46
Produtor opera ordenha mecânica em propriedade rural; em 2021 destaque-se a dificuldade de repassar a valorização da matéria-prima aos derivados. (Foto: Arquivo/Embrapa Gado de leite)
Produtor opera ordenha mecânica em propriedade rural; em 2021 destaque-se a dificuldade de repassar a valorização da matéria-prima aos derivados. (Foto: Arquivo/Embrapa Gado de leite)

O preço do leite pago ao produtor em dezembro, referente à captação de novembro, fechou a R$ 2,1210/litro na “Média Brasil” líquida do Cepea, recuos de 3,7% frente a novembro/21 e de 9,4% em relação ao mesmo período de 2020, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro/21). A análise foi divulgada pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada através do Boletim do Leite, referente a janeiro de 2021. O boletim é assinado por Natália Grigol e Juliana Santos.

Segundo a publicação, o ano de 2021 ficará marcado pelos altos patamares de preços do leite no campo; porém, de rentabilidade baixa para o produtor. Para a indústria, 2021 será lembrado pela dificuldade de repassar a valorização da matéria-prima aos derivados, visto que a perda do poder de compra do brasileiro freou a demanda por lácteos.

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De acordo com as pesquisas em andamento, na “Média Brasil”, o preço do leite pago ao produtor em janeiro/22 deve permanecer próximo aos patamares de dezembro/21. Quanto à produção, os efeitos do fenômeno La Niña, com fortes chuvas no Sudeste e estiagem no Sul, devem impactar diretamente o volume de leite no campo nos próximos meses, visto que a baixa qualidade das pastagens prejudica a alimentação do rebanho.

Pressão – Os custos de produção devem continuar espremendo as margens dos pecuaristas em 2022. As expectativas para os preços de grãos são de patamares um pouco mais baixos que os atuais; porém, os gastos com fertilizantes, suplementos minerais, combustível e energia devem permanecer elevados.

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Esse cenário pode continuar reduzindo investimentos produtivos, como já ocorreu em 2021, limitando ainda mais o potencial de crescimento da atividade. Quanto à relação de troca do leite com o milho, de janeiro a dezembro, foram precisos 42,5 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho, frente a 34 litros no mesmo período de 2020, recuo de 24,8% no poder de compra do pecuarista.

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Importações – Com relação às importações de lácteos, os patamares elevados da moeda norte-americana podem limitar as aquisições em 2022, como ocorreu no ano anterior, tornando a oferta de leite mais enxuta. Do lado da demanda, o cenário macroeconômico sinaliza um ano mais desafiador, por conta do alto patamar de desemprego, das elevações da inflação e da taxa de juros e do maior endividamento das famílias.

A demanda por lácteos é fortemente impactada pela perda do poder de compra do consumidor brasileiro, sobretudo para produtos com maior valor agregado. De janeiro a dezembro de 2021, as médias de preços de leite UHT e queijo muçarela subiram apenas 0,6% e 0,4% frente a 2020, respectivamente, em termos reais.

A demanda enfraquecida limitou o repasse da valorização dos preços no campo aos produtos lácteos, que apresentou ligeiro aumento de 2020 para 2021, resultando em margens espremidas para as indústrias de laticínios. Para o leite em pó (400g), por outro lado, houve valorização real de 7,1% em 2021.

Assim, em um contexto de competição acirrada tanto para a compra de matéria-prima quanto para a venda de lácteos em 2022, a cadeia produtiva em geral terá um ano desafiador que pode frear investimentos no setor.

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