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Lado Rural

Primeiro datacenter de MS inicia testes para minerar bitcoin com energia da cana

Unidade da Tether em Ivinhema usará bioeletricidade da Adecoagro para gerar até 100 moedas digitais por ano

Por Anderson Viegas | 30/06/2026 14:25
Primeiro datacenter de MS inicia testes para minerar bitcoin com energia da cana
Energia de biomassa produzida pela Adecoagro vai alimentar o datacenter de mineração de bitcoins (Foto: Arquivo)

O primeiro datacenter de Mato Grosso do Sul voltado à mineração de bitcoin entra em operação em fase de testes nesta quarta-feira (1º). Instalada na unidade da Adecoagro, em Ivinhema, a estrutura da Tether, uma das maiores empresas globais do setor de criptomoedas, utilizará energia renovável produzida a partir da biomassa da cana-de-açúcar para gerar ativos digitais.

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O primeiro datacenter de Mato Grosso do Sul voltado à mineração de bitcoin começa a operar em testes nesta quarta-feira, em Ivinhema, na unidade da Adecoagro. O projeto da Tether usa energia renovável da biomassa da cana-de-açúcar, ocupa 2.860 metros quadrados, reúne 1.280 equipamentos e consome 10 MW. A operação inicial pode gerar até 100 bitcoins por ano e tem potencial de expansão para 40 MW.

O projeto representa uma nova etapa na estratégia de transformar excedentes de bioeletricidade em uma nova fonte de receita. Em vez de destinar toda a energia gerada ao mercado elétrico, parte da produção será utilizada para abastecer os equipamentos responsáveis pela mineração de bitcoin.

A Tether tornou-se controladora da Adecoagro em abril de 2025, quando concluiu a aquisição de 70% das ações da companhia. Desde então, passou a integrar a capacidade de geração de energia renovável da empresa bioenergética à sua estratégia global de expansão em infraestrutura tecnológica e ativos digitais.

Segundo a Adecoagro, esta primeira etapa compreende a validação de todos os sistemas do datacenter. A expectativa é de que a unidade esteja operando próxima da capacidade máxima nas próximas semanas.

Os detalhes do empreendimento foram apresentados no início de junho, durante o evento Raízes do Futuro: Tecnologia e Inovação, pelo gerente de projetos da Adecoagro, Matheus Lechuga.

De acordo com ele, o datacenter ocupa uma área de 2.860 metros quadrados dentro da usina bioenergética de Ivinhema. A estrutura reúne 1.280 equipamentos de mineração, que consumirão 10 megawatts (MW) de potência, volume equivalente a aproximadamente 86.700 megawatts-hora (MWh) por ano. A operação contará com uma equipe de dez colaboradores e terá capacidade para produzir até 100 bitcoins por ano.

A infraestrutura já foi dimensionada para futuras ampliações e poderá atingir consumo de até 40 MW, quadruplicando a capacidade instalada.

Considerando a cotação do bitcoin registrada nesta terça-feira (30), de aproximadamente US$ 58,9 mil por unidade, o equivalente a cerca de R$ 306,6 mil, a capacidade inicial do empreendimento representa um potencial de geração de aproximadamente US$ 5,9 milhões, ou R$ 30,7 milhões em bitcoins por ano. O valor corresponde à receita bruta potencial da produção e pode variar conforme a cotação da criptomoeda, a dificuldade de mineração da rede e os custos operacionais da atividade.