Pais negam agressões e admitem uso constante de maconha antes de bebê morrer
Casal afirmou que já havia percebido manchas e lesões na semana anterior à internação
Ashley Alves Godoy, de 18 anos, e Thiago de Oliveira Alves, de 20, negam ter agredido a filha Ayla Godoy de Oliveira, bebê de 3 meses que morreu após passar uma semana internada em estado gravíssimo no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. Em depoimentos à Polícia Civil, Ashley afirmou fazer uso diário de maconha e relatou que o casal consumiu a droga na véspera da internação da criança. Os dois também disseram que já haviam percebido manchas e marcas no corpo da menina dias antes de procurarem atendimento médico.
RESUMO
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Ashley Alves Godoy, de 18 anos, e Thiago de Oliveira Alves, de 20, negam ter agredido a filha Ayla, bebê de 3 meses que morreu após uma semana internada em estado gravíssimo no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. O casal, preso desde a internação da criança, afirmou não saber explicar as lesões encontradas no corpo da bebê, como hematomas extensos e escoriações. A morte ampliou a investigação, que agora apura homicídio contra menor de 14 anos.
Os relatos fazem parte do inquérito que investiga as circunstâncias da morte da bebê. Presos desde a internação da filha, os dois apresentaram versões semelhantes sobre o dia em que a criança passou mal.
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Segundo os depoimentos, Ayla foi amamentada durante a transmissão de uma partida da seleção brasileira e, depois, entregue ao pai para arrotar. Pouco antes do fim do jogo, a bebê teria ficado sem forças, com o corpo flácido e dificuldade para respirar. Diante da situação, familiares foram acionados e a criança foi levada ao Hospital Regional.
Ao ser ouvida pela polícia, Ashley afirmou que faz uso diário de maconha e contou que, no dia anterior à internação, passou parte da tarde consumindo a droga ao lado de Thiago em uma praça próxima da residência da família. Segundo a jovem, a filha permaneceu em um carrinho de bebê durante o período.
O consumo da substância também aparece em outros depoimentos colhidos durante a investigação. Uma familiar relatou que frequentemente sentia cheiro de maconha vindo do quarto ocupado pelo casal nos fundos do imóvel onde moravam.
Questionada sobre as lesões encontradas pelos médicos, Ashley disse que percebeu manchas roxas nas nádegas e em um dos pés da filha ainda na semana anterior à internação. Apesar disso, afirmou que não procurou atendimento médico porque acreditou que as marcas fossem algo normal.
Thiago também relatou que uma das manchas já existia antes da ida ao hospital. Assim como a companheira, disse não saber explicar a origem das lesões e negou qualquer agressão contra a criança.
Lesões - As explicações dadas pelo casal contrastam com o quadro encontrado pelos profissionais que atenderam a bebê. Conforme documentos anexados ao inquérito, a criança apresentava hematomas extensos nos dois glúteos, lesões que avançavam até a região da bacia, além de escoriações e áreas de descamação da pele.
Também foram registrados hematomas próximos às aréolas, inchaço nos pés, tornozelos e pernas, além de outras marcas distribuídas pelo corpo.
Em depoimento à Polícia Civil, a pediatra responsável pelo atendimento afirmou que a bebê apresentava áreas arroxeadas no tórax, coxas e pés. Segundo ela, embora não fosse possível determinar uma data exata, as lesões aparentavam ter sido provocadas alguns dias antes da internação.
A médica relatou ainda que os próprios pais informaram à equipe hospitalar que já haviam percebido algumas das marcas anteriormente.
Durante os procedimentos de emergência, os profissionais encontraram leite nas vias respiratórias da criança, situação compatível com broncoaspiração. As lesões identificadas durante o atendimento, porém, levaram ao acionamento imediato da polícia.
Avó mudou de ideia - Uma familiar que morava na mesma residência onde o casal vivia com Ayla também prestou depoimento.
Ela afirmou que Ashley, Thiago e a bebê ocupavam um quarto nos fundos do terreno e que não participava dos cuidados diários da criança, como alimentação, banho ou troca de fraldas.
A testemunha contou que viu Ayla pouco antes da ida ao hospital e a descreveu como "molinha", sem reação e arroxeada. Posteriormente, após tomar conhecimento das fotografias produzidas durante a investigação, disse acreditar que a bebê havia sido vítima de agressões.
O relato vai ao encontro da versão apresentada pelo avô materno da criança, Ewerton Godoy, que afirmou ao Campo Grande News acreditar que a filha também sofria violência por parte do companheiro. Segundo ele, a jovem chegou a relatar episódios de agressão durante o relacionamento.
Morte ampliou investigação - Ayla deu entrada no Hospital Regional em 19 de junho. Inicialmente, o caso foi tratado como suspeita de broncoaspiração, mas as lesões encontradas pelo corpo da bebê levaram à abertura de investigação policial.
A criança permaneceu internada por uma semana em estado gravíssimo. Durante o tratamento, apresentou ausência de fluxo intracraniano e teve protocolo de morte encefálica iniciado.
A morte foi confirmada na manhã de 26 de junho.
Com o óbito, a investigação deixou de apurar apenas maus-tratos e passou a incluir homicídio contra menor de 14 anos. O IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), que deve apontar oficialmente a causa da morte, ainda é aguardado pela Polícia Civil.
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