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Mato Grosso do Sul

Vaquinha virtual pretende ajudar povos indígenas contra coronavírus

Etnia Guarani-Kaiowá, maior do Estado, será beneficiada com equipamentos e produtos para prevenção à Covid-19

Por Lucas Mamédio | 26/04/2020 07:45
Os Guarani-Kaiowá é considerada a mais vulnerável dentre os povos indígenas do Estado (Foto: Xapuri Info)
Os Guarani-Kaiowá é considerada a mais vulnerável dentre os povos indígenas do Estado (Foto: Xapuri Info)

Possuindo uma das maiores populações indígenas do Brasil, Mato Grosso do Sul se vê diante de um grande desafio: proteger os povos indígenas do contágio do novo coronavírus.

Por isso alguns movimentos sociais do Estado estão organizando uma vaquinha virtual a fim de financiar a compra de alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal para as comunidades indígenas Guarani e Kaiowá, a maior etnia em nosso território.

Entre esses movimentos está o Coletivo Terra Vermelha, que luta pela defesa dos povos indígenas desde 2012. Segundo Iara Amaral, membro do coletivo e uma das organizadoras da vaquinha, a ideia surgiu a partir de uma demanda dos próprios indígenas.

“Essa organização foi necessária porque até então o Governo Federal não disponibilizou os equipamentos e produtos necessários para prevenção ao coronavírus”.

Vaquinha virtual pretende arrecadar 10 mil reais (Foto: DIvulgação)
Vaquinha virtual pretende arrecadar 10 mil reais (Foto: DIvulgação)

Apesar da gravidade do cenário, associações indígenas e entidades que os apoiam, como o Terra Vermelha, afirmam que órgãos federais não têm adotado providências para proteger as comunidades - e que há falta de materiais básicos, como máscaras, para lidar com eventuais casos nas aldeias.

Em entrevista à BBC Brasil, a médica sanitarista Sofia Mendonça, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), alerta para o risco do vírus dizimar populações indígenas. "Há um risco incrível de o vírus se alastrar pelas comunidades e provocar um genocídio".

De acordo com o site da vaquinha virtual, a etnia Guarani-Kaiowá é considerada a mais vulnerável dentre os povos indígenas do Estado, devido à falta de terra, de saneamento básico, alimentação adequada, exposição à contaminação por agrotóxicos e ataques de pistoleiros.

“Além de tudo isso, muitos Guarani-Kawioá em área de retomada estão passando fome também, por conta da falta de envio de cesta básica por conta da transferência de responsabilidade entre Governo do Estado e Federal”, explica Iara.

Serviço – A vaquinha tem como objetivo arrecadar 10 mil reais. Você pode acessar o site para doação aqui.

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