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Meio Ambiente

Amostras são coletadas para detectar impacto de incêndios em rios do Pantanal

Fase preliminar indicou que água do rio Paraguaia e afluentes ainda se apresentava preservada

Tainá Jara | 10/11/2020 16:21
Amostras serão recolhidas periodicamente para análise (Foto: Divulgação/Imasul)
Amostras serão recolhidas periodicamente para análise (Foto: Divulgação/Imasul)

A água dos rios pantaneiros passa por testes para detectar o impacto das queimadas recordes no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, em 2020. Amostras preliminares do rio Paraguai e afluentes apontam para preservação das características esperadas para esta época do ano. Resultados de análises laboratoriais, no entanto, ainda são aguardados pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

O projeto e os dados preliminares foram apresentados na semana passada, durante a 4ª reunião da Sala de Crise do Pantanal, organizada pela ANA (Agência Nacional das Águas) e com participação de técnicos dos dois estados (MS e MT) e de diversos órgãos e instituições ligadas ao clima no país.

As equipes percorrem 24 pontos de monitoramento - que já fazem parte da Rede de Monitoramento operacionalizada pelo Imasul – e continuarão por tempo ainda não estimado fazendo coletas das amostras, que são trazidas aos laboratórios e submetidas a análise. Cerca de 20% dos 2,3 milhões de hectares do Pantanal Brasileiro foi incendiado.

As estações de monitoramento estão distribuídas nos rios Piquiri, Itiquira, Cuiabá, Paraguai, Nabileque, Branco e Apa, além do Canal do Tamengo. A primeira campanha ocorreu no período de 21 de setembro a 2 de outubro, com os técnicos percorrendo aproximadamente 1.200 quilômetros por via fluvial. A segunda aconteceu entre 20 de outubro a 5 de novembro.

“A partir da primeira campanha de amostragem, ocorrida ainda no período de estiagem (setembro e outubro), a avaliação feita a partir das análises e medições efetuadas indica que a qualidade das águas no rio Paraguai e afluentes ainda se apresentava preservada e dentro das características esperadas para essa época do ano”, explica a chefe da Unidade de Monitoramento do Imasul, bióloga Marcia Cristina de Alcântara.

Após a coleta, as amostras passam por análises laboratoriais que avaliam 22 parâmetros indicadores de qualidade da água. Ainda em campo, é feita a medição das vazões instantâneas em seis pontos selecionados e avaliação da qualidade das águas superficiais para esse trecho da planície pantaneira.

Márcia Cristina diz que um dos objetivos desse trabalho é identificar alterações nos padrões da qualidade durante esse período de estiagem prolongada, comparando com os dados disponíveis na série histórica de monitoramento quali-quantitativo realizado rotineiramente pelo Imasul.

Resultados - “Os primeiros dados apontam para uma normalidade e são bastante coerentes com os dados do monitoramento nessa época do ano”, cita o relatório. “As concentrações de oxigênio dissolvido e pH estão em níveis normais, sem oferecer risco à vida aquática.”

Com relação à segunda campanha, estão disponíveis apenas informações preliminares, pois as análises ainda está em curso. Os primeiros dados comparativos entre a primeira e a segunda campanhas indicam para uma leve queda nos valores das concentrações de OD (oxigênio dissolvido) e um leve aumento nos valores do pH, mas ainda dentro dos padrões para a época do ano, de acordo com a série histórica.

Com relação à quantidade, conforme explica Francisco Gilvanci dos Santos, chefe da Unidade de Laboratórios, os dados de vazão instantânea medidos nos meses de setembro e outubro de 2020 (1ª campanha do estudo especifico) nas estações de monitoramento de Ladário e Porto Murtinho indicam que o volume de água nesses trechos do rio Paraguai diminuiu cerca de 40% em relação ao mesmo período de 2019. “Isso ocorre devido ao período de extrema estiagem que interfere na relação entre chuva e vazão, diminuindo o volume de escoamento”.

De acordo com o diretor presidente do Imasul, André Borges, “durante o mês de setembro vivenciamos recordes no número de focos de incêndios na Bacia do Alto Paraguai, num período de grave escassez de chuvas, quando as vazões dos cursos de água estão diminuindo rapidamente; por isso queremos acompanhar e verificar se esses dois fatores irão trazer consequências capazes de comprometer a qualidade da água em algum trecho desses rios. ”

As campanhas irão se repetir com frequência mensal e a atenção, a partir de agora, estará voltada para monitorar possíveis impactos trazidos pelo início do período de chuvas na Região Hidrográfica do Paraguai.

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