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Meio Ambiente

De norte a sul: incêndios avançam no Pantanal e atingem Parque do Ivinhema

Ventos e o calor agravam a segunda onda de queimadas no Estado, aponta o coordenador da Defesa Civil

Por Fernanda Palheta | 05/11/2019 11:11
Área queimada no Passo do Lontra, em Corumbá (Foto: Reprodução)
Área queimada no Passo do Lontra, em Corumbá (Foto: Reprodução)

Rajadas de vento de até 40 quilômetros por hora e temperaturas acima de 40°C, agravam a segunda onda de queimadas em Mato Grosso do Sul. No Pantanal, os incêndios avançam e destroem mais de 7 mil hectares de vegetação em três dias. No sul do Estado, o fogo atinge o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, localizado nos municípios Jateí, Naviraí e de Taquarussu.

Para tenente-coronel e coordenador estadual da Defesa Civil, Fábio Catarinelli, as queimadas que começaram no fim de outubro estão piores que as que atingiram o Estado entre agosto e setembro. “Esta segunda onda de queimadas está pior por alguns fatores que antes a gente não tinha, como a questão dos ventos. As chamas estão caminhando muito mais rápido. Por exemplo, de sexta até segunda foi registrado um aumento considerável nas áreas queimadas”, avaliou.

Até o último sábado (2), quando foi feito o primeiro balanço, a queimada no Pantanal já havia destruído 122 mil hectares de vegetação, entre os municípios de Aquidauana, Miranda e Corumbá.
Ontem (4), um balanço parcial apontou que a área destruída subiu para 128.900 hectares. “Esse valor é referente só a região entre o Passo do Lontra e Rio Negro”, ressaltou o coordenador da Defesa Civil.

O relatório da Operação Pantanal 2 também aponta o avanço das queimadas. "Foi realizada sobrevoo para reconhecimento das áreas e foi identificado grande evolução das queimadas em várias áreas no Pantanal", diz o documento.

De acordo com o superintendente do Ibama, Luiz Carlos Marchetti, a situação no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, é crítica e se agrava com o calor. “Estamos combatendo o fogo fia e noite. Quando fecha uma frente, outra é aberta”. A estratégia segunda ele é cercar os focos de incêndio para que as chamas não avancem

Parque Estadual - No sul do Estado a situação se repete. Desde domingo (3), queimadas se alastram no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema. O tenente-coronel Fernando de Almeida Carminati, explica que existem várias frentes de queimadas na região e que o reforço com os bombeiros do Distrito Federal, especialistas em incêndios florestais chegam essa semana.

“As queimadas começaram no domingo e ontem foi feito o reconhecimento da área. Diante da situação foi acionado o plano de intervenção e equipes do Corpo de Bombeiros de Naviraí reforçaram os combates na região”, detalhou Carminati.

Combate ao fogo no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Foto: Reprodução)
Combate ao fogo no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Foto: Reprodução)

Recorde – Em 24 horas o número de focos de incêndios florestais quase dobrou em Mato Grosso do Sul. Conforme dados Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), somente nesta segunda-feira (4) foram detectados 360 focos no Estado, somando 736 nos primeiros quatro dias de novembro.

O balanço do início do mês deste ano é o maior desde 2002, quando foram contabilizados 1.938 focos de fogos – o máximo já registrado pelo Inpe desde 1998.

O monitoramento feito pelo satélite de referência ainda aponta o aumento do número de focos de incêndio nos primeiros dias do mês. Na última sexta-feira (1°), 91 focos de fogo foram detectados, no sábado (2) o número subiu para 124 e somente neste domingo (3), foram registrados 161 focos de incêndio.

Corumbá, cidade a 419 quilômetros de Campo Grande, foi o município com mais ocorrência. Segundo dados do Inpe, a cidade contabilizou 370 focos, o que representa 50% das ocorrências no Estado. Na lista dos municípios mais atingidos pelas queimadas também estão Miranda e Aquidauana, com 161 e 96 focos contabilizados no início do mês, respectivamente.