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Meio Ambiente

Equipes saem de MS e ampliam mapa das araras-azuis no Brasil

Registros foram feitos em Goiás, Pará e Tocantins, onde a espécie não apareceu na edição de 2025

Por Kamila Alcântara | 04/08/2026 16:08
Equipes saem de MS e ampliam mapa das araras-azuis no Brasil
Exemplar de arara-azul registrada em área verde da Bolívia e enviada para o Instituto (Foto: Divulgação)

A segunda edição do Big Day das Araras Azuis encontrou aves em locais que não haviam aparecido na contagem anterior e ampliou a rede de voluntários mobilizados no Brasil, na Bolívia e no Paraguai. Realizada no último fim de semana, a ação reuniu moradores, pesquisadores, observadores de aves e instituições para registrar a presença da arara-azul-grande na natureza.

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A segunda edição do Big Day das Araras Azuis registrou aves em locais inéditos, como o Tocantins, e ampliou a rede de voluntários no Brasil, Bolívia e Paraguai. O balanço oficial será divulgado até agosto, mas os primeiros dados apontam aumento de observações em Goiás e destaque para o Pará. A iniciativa reúne moradores, pesquisadores e instituições para monitorar a arara-azul-grande com base em ciência cidadã.

Os dados ainda estão sendo conferidos e o balanço oficial deve ser divulgado até o fim de agosto. Os primeiros resultados, porém, apontam registros inéditos no Tocantins e aumento das observações em Goiás. O Pará também voltou a aparecer entre os destaques da mobilização.

“A gente já tem registros em locais em que não havia registrado ainda, por exemplo, no Tocantins. O número de registros de araras-azuis em Goiás também foi maior este ano. O Pará também é um dos destaques, assim como foi no ano passado”, afirma Fernanda Fontoura, gestora operacional de projetos do Instituto Arara Azul.

A contagem ajuda a atualizar as informações sobre os locais onde a espécie ainda é encontrada. Os dados também podem indicar regiões que precisam de estudos mais detalhados e orientar futuras medidas de proteção.

Em Mato Grosso do Sul, participantes saíram a campo em Bonito, Dourados, Terenos, Rochedo, Corguinho, Aquidauana e na região de Campo Grande. Cerca de 15 equipes foram formadas em diferentes estados brasileiros.

Alguns grupos fizeram buscas no entorno das próprias cidades. Outros percorreram centenas de quilômetros atrás das aves. “Em Mato Grosso do Sul, tivemos muitas equipes saindo a campo, rodando 100, 200, 300 quilômetros para poder encontrar as araras-azuis”, relata Fernanda.

Ela própria saiu de Campo Grande e percorreu as regiões de Palmeiras, Piraputanga e Camisão. O grupo reunia profissionais de diferentes áreas, entre eles biólogos, estudantes, uma empresária rural, um escritor e uma turismóloga.

Equipes saem de MS e ampliam mapa das araras-azuis no Brasil
No Pantanl, elas dominam os céus e enfeitam uma árvore inteira (Foto: Divulgação)

A diversidade dos participantes é justamente uma das propostas do Big Day. Não é necessário ser pesquisador ou especialista em aves para colaborar. Os registros feitos pela população passam a integrar um levantamento baseado em ciência cidadã, modelo que envolve voluntários na coleta de informações usadas por pesquisadores.

“O Big Day é feito não só de araras, mas principalmente de gente. Acho que isso é o principal. E de gente que está disposta a trabalhar para um futuro melhor. Esses dados vêm também para auxiliar em tomadas de decisões, nessa atualização de números de indivíduos. Isso vai trazer muita coisa boa em termos de conservação da biodiversidade”, afirma Fernanda.

Na primeira edição, realizada em 2025, Mato Grosso do Sul liderou a contagem no Brasil, com 409 aves registradas. Ainda não é possível saber se o Estado continuará no topo, porque os números deste ano não foram fechados.

Uma das principais novidades desta edição veio do Tocantins. Em 2025, o Big Day não havia recebido registros de araras-azuis no Estado. Para tentar preencher essa lacuna, uma equipe do Instituto Mamede saiu de Campo Grande em direção ao Jalapão.

As pesquisadoras já tinham informações de que a espécie ocorria na região, onde haviam realizado trabalhos em 2019. A nova expedição confirmou a presença das aves, mas encontrou apenas cinco indivíduos.

“Somos entusiastas da observação de aves e da ciência cidadã, então foi muito emocionante encontrar as araras-azuis, principalmente por colaborar no preenchimento de lacunas sobre a distribuição da espécie no Brasil e na América do Sul. Ao mesmo tempo, a emoção veio acompanhada de preocupação. Em 2019, registramos um número maior de indivíduos e, nesta expedição, encontramos apenas cinco araras-azuis”, afirma a bióloga e educadora ambiental Maristela Benites.

Segundo ela, a diferença entre as duas observações não permite, sozinha, concluir que houve redução da população. O resultado, no entanto, reforça a necessidade de novos levantamentos no Tocantins.

“Isso demanda mais pesquisas sobre essa espécie no Estado e no Brasil como um todo. Este ano, ela voltou à lista oficial brasileira de espécies ameaçadas de extinção. Por isso, quanto mais informações tivermos sobre a arara-azul, mais importante será para fortalecer o conhecimento sobre seu estado de conservação e traçar estratégias para sua proteção”, diz.

No Pará, onde o Instituto Arara Azul mantém um projeto voltado ao sul do Estado, as equipes também voltaram a participar da contagem. Em 2025, foram feitos 12 registros, que somaram 335 araras-azuis.

Entre os participantes estava o influenciador digital Vando Douglas, que acompanhou as atividades em campo e produziu vídeos sobre a iniciativa para as redes sociais. “Saber que aquele trabalho de campo produz dados importantes para proteger as araras foi algo que me emocionou bastante”, relata.

“Mais do que registrar imagens bonitas, sinto que estou ajudando a contar uma história de conservação que precisa chegar a cada vez mais pessoas”, afirma.

Equipes saem de MS e ampliam mapa das araras-azuis no Brasil
Casal de araras-azuais registradas no Big Day, em área verde no Mato Grosso (Foto: Roberta Kraemer)

O Ceará não está entre as áreas de ocorrência natural da arara-azul-grande, mas também participou do Big Day. Em Fortaleza, o Ecopoint Parque Ecológico e o Zoológico de São Francisco promoveram atividades de educação ambiental durante os dois dias de contagem.

Visitantes participaram de pinturas, visitas guiadas e mesas interativas que explicavam como as aves são identificadas e por que a coleta de informações ajuda na conservação. A proposta era que o público também procurasse conhecidos em estados onde existem araras-azuis e os incentivasse a participar.

“A ação era simples: entrar em contato com quem eles conheciam e mobilizar os seus conhecidos em prol da ação. Mas esse foi um gancho importantíssimo, porque, além de conhecer a espécie, eles se tornaram protagonistas da ação de conservação e de ciência cidadã”, afirma a bióloga e educadora ambiental Romana Aguiar.

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