Big Day das Araras Azuis reúne Brasil, Bolívia e Paraguai em contagem da espécie
Segunda edição do evento de ciência cidadã quer mapear distribuição da arara-azul-grande na natureza
Nos dias 1 e 2 de agosto de 2026, observadores de aves do Brasil, Bolívia e Paraguai vão participar da segunda edição do Big Day das Araras Azuis, uma mobilização internacional de ciência cidadã para registrar a presença da arara-azul-grande na natureza.
RESUMO
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A iniciativa é organizada pelo Instituto Arara Azul e se inspira no Global Big Day, evento mundial de observação de aves que reúne participantes para registrar espécies em campo. O foco é uma das aves mais emblemáticas da fauna sul-americana, a Arara-azul-grande, ameaçada de extinção e monitorada há mais de três décadas.
A proposta vai além de contar indivíduos. A ideia é entender onde a espécie ainda ocorre, em que quantidade e como está distribuída em diferentes regiões dos três países.
Segundo a presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, a bióloga Neiva Guedes, o sucesso da ação depende diretamente da participação de quem vive nas áreas de ocorrência da espécie, especialmente propriedades rurais e regiões mais isoladas.
A orientação é simples. Qualquer pessoa pode participar, observando e registrando as aves com celular, seja em foto, vídeo ou áudio, durante os dois dias da mobilização.
A pesquisadora reforça que moradores locais costumam ser os primeiros a perceber a presença das araras, o que transforma essas comunidades em fonte estratégica de informação para a ciência.
A primeira edição do Big Day das Araras Azuis, realizada em 2025, surpreendeu os pesquisadores pelo alcance. Em Mato Grosso do Sul, foram registradas 409 araras-azuis, com participação de observadores em diferentes municípios. No Pará, foram 335 indivíduos registrados, também com forte engajamento local.
Apesar disso, houve lacunas importantes. Não foram recebidos registros em estados como Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, e a participação em Minas Gerais foi considerada baixa, mesmo com conhecimento de ocorrência da espécie nessas áreas.
Ausência também vira dado científico
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que não encontrar araras também tem valor científico. Em locais onde houve esforço de observação sem registros da espécie, os dados ajudam a identificar possíveis mudanças de distribuição e áreas que precisam de mais monitoramento.
Entre os dias 1 e 2 de agosto, qualquer pessoa pode registrar araras-azuis-grandes em campo, sozinha ou em grupo, em áreas urbanas, rurais, escolas ou propriedades privadas.
Os registros podem ser enviados pelas plataformas eBird, WikiAves e Biofaces, além de formulário oficial da campanha disponível aqui. Também há envio pelo WhatsApp da campanha no número (67) 9987-10752.
Criado em 2003, o Instituto Arara Azul atua hoje em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará, com foco na conservação da biodiversidade e no monitoramento da arara-azul-grande. O projeto original começou em 1990 e é considerado um dos mais longevos trabalhos de conservação da espécie no mundo.
A nova edição do Big Day reforça a proposta central da iniciativa. Aproximar ciência e população e transformar observações simples do cotidiano em dados relevantes para a preservação de uma das aves mais simbólicas da América do Sul.


