ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MAIO, TERÇA  05    CAMPO GRANDE 32º

Meio Ambiente

Inédita no Brasil, pesquisa testa em MS gás menos poluente para indústrias

Produto é gerado pela mistura de hidrogênio verde com o GLP, usado em fogões

Por Cassia Modena | 05/05/2026 14:01
Inédita no Brasil, pesquisa testa em MS gás menos poluente para indústrias
Modelo de equipamento que poderá fazer a mistura dos gases dentro de indústrias (Foto: Juliano Almeida)

Foi inaugurado, nesta terça-feira (5), um laboratório na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para testes da mistura de hidrogênio (H₂) verde e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), o popular gás de cozinha. A promessa é que em 20 meses os estudos resultem num produto para queima em indústrias menos poluente e mais econômico em relação a outras opções disponíveis no mercado.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A UFMS inaugurou um laboratório para testar a mistura de hidrogênio verde e GLP, em parceria com a Copa Energia. Em 20 meses, a pesquisa promete gerar um produto mais econômico e menos poluente para indústrias de alimentos e vidros. A solução pode reduzir em até 20% as emissões de CO₂ e o consumo de GLP, gerando economia de até R$ 150 mil por ano.

Exemplos de indústrias que poderão aderir ao GLP + H₂ são as dos segmentos de alimentos e de produção de vidros planos, cita o coordenador da pesquisa, o professor doutor do Instituto de Física da universidade, Cauê Alves Martins. Ele está envolvido em análises nessa área há 15 anos.

Meio ambiente e sociedade podem ganhar com o produto, diz o pesquisador. Ele destaca a redução da emissão de gás carbônico (CO₂) e também de óxido de nitrogênio, o NOx, que pode causar sérios danos ao sistema respiratório. Na área financeira, as vantagens podem ser a economia na produção e os ganhos em créditos de carbono.

Inédita no Brasil, pesquisa testa em MS gás menos poluente para indústrias
O pesquisador Cauê Martins mostra a área interna do laboratório (Foto: Juliano Almeida)

"Esse tipo de tecnologia tem um impacto direto para o industriário com a redução de emissões e geração de crédito. Para a sociedade, o impacto é ter uma indústria produzindo menos poluentes e, por consequência, um ar mais limpo e redução do impacto à saúde. Esse tipo de projeto faz uma entrega direta", resume Cauê.

Membro do projeto há quase dois anos, ele fala sobre como é trazer a pesquisa para o seu dia a dia. "É a melhor profissão do mundo porque todos os dias são diferentes e você pode exercitar sua criatividade intelectual", resume.

Segurança - Parceira de pesquisa de Cauê, a doutora em Química Cinthia Rodrigues Zanata Santos é a responsável pelo estudo da chama gerada a partir da combustão, na área chamada de eletroquímica. Ela faz parte da equipe de desenvolvedores da Copa Energia, a empresa que propôs a parceria com a UFMS e que planeja colocar a solução à venda após a conclusão de todas as etapas.

Inédita no Brasil, pesquisa testa em MS gás menos poluente para indústrias
Cinthia Zanata fará a análise das chamas no laboratório (Foto: Juliano Almeida)

A pesquisadora explica que a análise do comportamento da combinação de gases será feita no laboratório inaugurado. Os testes são seguros e o ambiente de pesquisa, apesar de pequeno, é ideal para o tipo de análise, afirma a pesquisadora.

Ela explica que a pesquisa inclui um gerador com rodas, compacto, que oferece segurança em relação a acidentes. "Ele vai conter toda tecnologia para gerar o hidrogênio verde in loco. Não serão levados cilindros de hidrogênio, ele não será armazenado na base do cliente, justamente pensando nessa segurança", descreve.

O hidrogênio verde é produzido a partir da quebra de moléculas da água em hidrogênio e oxigênio usando uma fonte de energia, explica ela.

Cinthia afirma que, segundo estudos da empresa, a redução na emissão de CO₂ pode chegar a 20% e a economia no consumo de GLP pelas indústrias pode atingir o mesmo percentual, a depender do tipo de uso. Em um ano, isso pode representar cerca de R$ 150 mil.

Foco na indústria - A iniciativa é inédita no País e o equipamento que fará a combustão dos dois gases é o primeiro a ser desenvolvido com esse objetivo no mundo, de acordo com a Copa Energia. Representantes da empresa não comentaram sobre projetos futuros para exportar a tecnologia.

Inédita no Brasil, pesquisa testa em MS gás menos poluente para indústrias
Diretor de desenvolvimento da Copa Energia, Luiz Felipe Pellegrini (Foto: Juliano Almeida)

O diretor de desenvolvimento e inovação da Copa Energia, Luiz Felipe Pellegrini, reconhece que a combinação do GLP e do H₂ não tem o menor índice de emissão de poluentes conhecido, mas ressalta que ela soma características que podem atender as indústrias diante de desafios da transição energética e de questões geopolíticas que impactam quem depende mais de petróleo.

"O foco principal da tecnologia nesse momento é o atendimento da indústria, que tem demandas mais parecidas com a solução que a gente tem aqui desenvolvida. O problema de energia é um plano muito complexo para ser resolvido por um agente de maneira isolada, a gente precisa combinar esforços e capacidades e conhecimentos de diversos segmentos da economia", diz o diretor.

Em outra frente, a empresa está trabalhando na mesma solução para botijões de gás de uso residencial. "Faz parte de uma estratégia que a Copa tem desenvolvido num outro projeto de pesquisa com outro instituto", adiantou Pellegrini. Mais limpo, o gás biometano também é estudado.

Parceria com a UFMS - A reitora da UFMS, Camila Ítavo, comentou que a empresa tem projetos junto à Copa Energia desde a época da pandemia de Covid-19, quando foi implantada uma solução alternativa de energia no Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian). Depois disso, a primeira parceria para pesquisa começou com o objetivo de analisar a qualidade do GLP importado da Bolívia.

Inédita no Brasil, pesquisa testa em MS gás menos poluente para indústrias
Camila Ítavo, reitora da UFMS, comentou que parceria com empresa não é a primeira (Foto: Juliano Almeida)

Segundo a reitora, os benefícios do atual trabalho com a universidade envolvem, principalmente, a entrega de conhecimento com impacto direto à sociedade, além de bolsas científicas aos pesquisadores e aos estudantes envolvidos.

"As empresas vêm com o desafio tecnológico e nós contribuímos com a solução. Temos como outro exemplo a B3, a bolsa de valores, a quem nós não entregamos um produto, mas uma tecnologia. Temos inúmeras iniciativas de inovação", afirma.

A parceria com a Copa Energia também inclui a entrega de equipamentos e a permanência do laboratório, que futuramente poderão ser utilizados para outras finalidades na UFMS.