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Meio Ambiente

Saúde das araras pode revelar as condições do ambiente onde elas vivem

Estudo acompanha aves resgatadas no Cras para orientar conservação, monitoramento e reintrodução na natureza

Por Inara Silva | 01/07/2026 13:44
Saúde das araras pode revelar as condições do ambiente onde elas vivem
Araras-canindés avistadas em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)

As araras-canindés resgatadas e encaminhadas ao Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), além de receberem tratamento, estão integrando uma pesquisa que busca compreender o que seu estado de saúde pode revelar sobre as condições dos ambientes onde vivem. Elas chegam, na maioria das vezes, após sofrerem colisões, acidentes com linhas de cerol, descargas elétricas ou por terem sido vítimas do tráfico de animais silvestres.

RESUMO

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Pesquisa desenvolvida na UFMS investiga agentes infecciosos em araras-canindés resgatadas no Cras de Campo Grande. O estudo analisa 11 patógenos, incluindo vírus, bactérias e fungos, com foco na Chlamydia psittaci, que pode infectar humanos. A meta é monitorar 100 aves em um ano para criar um protocolo sanitário que garanta a reintrodução segura dos animais na natureza.

A pesquisa é conduzida pela médica veterinária Jordana Toqueto, que atua no local desde 2022 e desenvolve o trabalho como parte de sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O estudo "Detecção molecular de agentes infecciosos em araras-canindés (Ara ararauna)" pretende identificar quais agentes infecciosos acometem essas aves e responder se elas chegam ao Cras já infectadas ou se desenvolvem as doenças durante o período de reabilitação, em razão de fatores como estresse e manejo.

Para Jordana Toqueto, o estudo está inserido no conceito de Saúde Única, que integra a saúde animal, ambiental e humana. Ao investigar quais agentes infecciosos acometem as araras-canindés, a pesquisa também busca compreender como as condições dos ambientes onde essas aves vivem podem influenciar sua saúde e, ao mesmo tempo, fornecer informações importantes para a conservação da fauna.

Embora o projeto tenha sido iniciado no semestre passado, as coletas começaram em junho, após a autorização concedida pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Conforme a pesquisadora, até o momento, três araras-canindés, entre jovens e adultas, estão sendo monitoradas. A expectativa é acompanhar cerca de 100 aves ao longo de um ano, conforme elas forem admitidas no centro.

Segundo Jordana, para identificar a origem das infecções, são coletadas amostras da cavidade oral, da cloaca e do sangue das aves. O material é analisado por meio da técnica de PCR (reação em cadeia da polimerase), que permite detectar a presença de vírus, bactérias e fungos a partir do material genético dos microrganismos.

Saúde das araras pode revelar as condições do ambiente onde elas vivem
Araras-canindé são comuns em área urbana (Foto: Juliano Almeida)

Investigação - Ao todo, a pesquisa investiga 11 agentes infecciosos. Entre os vírus estão poxvírus, circovírus, bornavírus, poliomavírus, herpesvírus, adenovírus e papilomavírus. Também são analisadas as bactérias Chlamydia psittaci, Salmonella spp. e Mycoplasma spp., além do fungo Aspergillus spp.

A pesquisadora explica que um dos principais focos é a Chlamydia psittaci, bactéria causadora da clamidiose, também conhecida como psitacose. Por se tratar de uma zoonose, pode afetar seres humanos, principalmente profissionais que trabalham diretamente com aves e realizam seu manejo. Jordana afirma que não é o simples fato de uma arara voar pela cidade que representa risco de transmissão.

Outra doença acompanhada que chama a atenção, de acordo com a médica veterinária, é a circovirose. Caso o vírus seja detectado, o animal precisa permanecer isolado. A ave não poderá ser reintroduzida na natureza, pois existe o risco de transmissão para outros psitacídeos, como papagaios, periquitos e calopsitas.

Por isso, a pesquisadora ressalta que, além de contribuir para o diagnóstico e o tratamento das aves, a pesquisa pode resultar num protocolo de monitoramento sanitário para o Cras. O objetivo é garantir que os animais reabilitados sejam reintroduzidos na natureza em condições adequadas de saúde, reduzindo o risco de disseminação de doenças entre populações silvestres.

Os resultados também deverão oferecer um "raio X" das principais doenças encontradas nas araras-canindés atendidas pelo centro, produzindo informações que poderão auxiliar outros centros de reabilitação, médicos-veterinários e pesquisadores que atuam com fauna silvestre.

Saúde das araras pode revelar as condições do ambiente onde elas vivem
Araras se equilibram no poste de energia na Capital (Foto: Juliano Almeida)

Arara Urbana - Esse conhecimento ganha relevância em Campo Grande, onde a arara-canindé faz parte da paisagem urbana. Segundo o Instituto Arara Azul, a população de araras urbanas no município ultrapassa 400 indivíduos, entre araras-canindés e araras-vermelhas. A espécie Ara ararauna não é considerada ameaçada de extinção e, desde 2015, é a Ave Símbolo de Campo Grande. Em 2021, a cidade também recebeu oficialmente o título de Capital das Araras.

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