Marina defende “ponto de virada” global na proteção de espécies migratórias
Ministra destaca interdependência da vida e cobra cooperação mundial na abertura da COP15 em Campo Grande

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, abriu os discursos e defendeu neste domingo (22) que a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres represente um “ponto de virada” nas políticas globais de preservação ambiental. A declaração foi feita durante o Segmento de Alto Nível, realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, defendeu que a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias represente um marco nas políticas globais de preservação ambiental. O evento, realizado em Campo Grande, reúne governos, cientistas e representantes da sociedade civil entre 23 e 29 de março. Durante o Segmento de Alto Nível, Marina destacou a importância da cooperação internacional e da conectividade ecológica para a proteção das espécies migratórias. A ministra enfatizou o papel estratégico do Brasil, como país de maior biodiversidade, e defendeu a necessidade de acordos políticos integrados para enfrentar as crises climática e ecológica atuais.
O evento, que ocorre entre os dias 23 e 29 de março, coloca o Brasil no centro das discussões internacionais sobre biodiversidade, reunindo governos, cientistas, organismos multilaterais e representantes da sociedade civil para debater a conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas.
- Leia Também
- “Vamos vencer”, disse Lula a Fábio Trad e Gilda, pré-chapa do PT para o Governo
- UFMS abre programação paralela da COP15 com atividades abertas ao público
Em seu discurso, Marina Silva afirmou que a proteção da vida no planeta exige uma resposta coordenada diante das crises atuais. “A vida na Terra é interdependente e neste momento da história essa não é apenas uma constatação científica, é um imperativo ético e político que exige resposta à altura das múltiplas crises que enfrentamos, climática, ecológica e de governança global, em que precisamos fortalecer o multilateralismo”, declarou.
A ministra destacou que as espécies migratórias dependem diretamente da conectividade ecológica, hoje ameaçada por fatores como mudanças climáticas e fragmentação de habitats. “Ao participar deste segmento presidencial, convido vocês a tratarem essa COP15 como um ponto de virada na gestão e preservação das espécies migratórias. Seus movimentos não são aleatórios, eles dependem de algo fundamental, conectividade. E essa conectividade está cada vez mais ameaçada, sobretudo pela mudança do clima e pela fragmentação de seus habitats”, afirmou.
Marina também ressaltou o papel estratégico do Brasil no debate global, ao sediar o encontro em uma região considerada essencial para os fluxos ecológicos. “Hoje estamos reunidos no país que abriga a maior biodiversidade do planeta, em uma região profundamente conectada aos fluxos da vida”, disse, ao destacar a responsabilidade do país na condução das discussões.
Ao tratar da governança das espécies migratórias, a ministra enfatizou que a proteção não pode ser conduzida de forma isolada pelos países. “Esses são passos importantes, mas sabemos que não são suficientes se forem dados isoladamente. Nenhum país pode proteger sozinho uma espécie que atravessa continentes e oceanos. A governança das espécies migratórias não é territorializada exclusivamente. Ela se dá em fluxo, como se dá em fluxo a vida”, afirmou.
Segundo ela, a cooperação internacional já demonstrou resultados, mas precisa ser ampliada e estruturada. “A boa notícia é que a cooperação internacional tem mostrado que é possível reverter tendências de declínio. Precisamos de acordos políticos integrados e compromisso conjunto. Precisamos alinhar estratégias e reconhecer que proteger essas espécies é proteger o equilíbrio global”, declarou.
A ministra também destacou a importância da integração regional, especialmente em biomas compartilhados. “O Brasil reafirma a sua disposição de trabalhar com todos os países, especialmente com nossos irmãos paraguaios e bolivianos, que se compartilham, que se integram ao nosso Pantanal, para garantir que essas rotas migratórias permaneçam seguras e que os habitats sejam protegidos”, disse.
Em outro trecho, Marina relacionou a preservação ambiental a valores mais amplos ligados à própria dinâmica da vida. “A própria ideia de movimento nos traz uma noção de liberdade, mas também de evolução. Reconhecemos que estamos todos conectados, não apenas uns aos outros, mas a todos os seres vivos que compartilham esse planeta”, afirmou.
Ao final, a ministra defendeu que a COP15 deixe resultados concretos e direcione ações futuras. “Deixemos que essa COP15 contribua para que tenhamos uma direção clara a ser seguida nos próximos anos, período no qual a presidência brasileira pretende avançar na cooperação regional, especialmente entre os países amazônicos, para fortalecer a conectividade ecológica em escala de paisagem”, declarou.
Ela também mencionou o contexto geopolítico desafiador e a necessidade de união entre os países. “Que esta COP15 seja lembrada como um momento de avanço, de união e de esperança em um contexto geopolítico tão desafiador”, afirmou, ao dar as boas-vindas às delegações e citar a importância da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na agenda ambiental.
O Segmento de Alto Nível contou ainda com a presença do presidente designado da conferência, João Paulo Capobianco, e do presidente do Paraguai, Santiago Peña. A programação marca o início das discussões políticas que antecedem a abertura oficial da COP15, prevista para segunda-feira (23), quando serão definidos os eixos de negociação, incluindo orçamento, governança e planejamento estratégico da convenção.
Ao longo da semana, os debates na chamada Zona Azul devem se concentrar no Comitê Plenário e em grupos temáticos, abordando temas como estado de conservação das espécies migratórias, mudanças climáticas, conectividade ecológica e impactos das atividades humanas. Também estão previstas discussões sobre planos de ação específicos para espécies marinhas, aves e terrestres, além da análise de propostas de inclusão e revisão de espécies nos anexos da CMS.
Paralelamente às negociações formais, a conferência contará com eventos paralelos, reuniões regionais e grupos de trabalho, ampliando o espaço para o avanço técnico e político das medidas voltadas à preservação da biodiversidade global.

