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Meio Ambiente

Medição do carbono no solo pode fortalecer meta climática de Mato Grosso do Sul

Pesquisador afirma que dados obtidos em campo ajudam a tornar mais confiáveis os inventários estaduais

Por Inara Silva | 03/08/2026 07:37
Medição do carbono no solo pode fortalecer meta climática de Mato Grosso do Sul
Sistema integrado de produção pecuária com plantio de eucalipto (Foto: Arquivo pessoal)

Mato Grosso do Sul reúne condições para que o solo desempenhe um papel estratégico na meta de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Para ampliar a confiabilidade das estimativas de carbono armazenado no solo, o professor Jean Sérgio Rosset, da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), defende o fortalecimento do monitoramento permanente em diferentes sistemas produtivos. Segundo ele, medições realizadas em campo podem complementar os modelos já utilizados e fornecer uma base científica ainda mais consistente para as políticas climáticas do Estado.

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Pesquisador da UEMS defende monitoramento permanente do carbono no solo em Mato Grosso do Sul para fortalecer a meta estadual de neutralizar emissões de gases de efeito estufa até 2030. Jean Rosset estima que a recuperação de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas pode remover até 14 milhões de toneladas de CO₂ por ano, mas alerta que o solo sozinho não resolve o problema e que medições em campo são essenciais para validar modelos climáticos.

Segundo o pesquisador, que é coordenador do Gecarb (Grupo de Estudos em Carbono) da UEMS de Mundo Novo, Mato Grosso do Sul já possui instrumentos para contabilizar emissões, como a plataforma Carbon Control. Porém, quando o assunto é carbono no solo, ainda predominam estimativas. Para ele, a diferença entre estimar e medir pode ser decisiva para a credibilidade da política climática estadual.

"Modelagem e inventário são necessários. Medida em campo é o que os valida”, afirma o professor ao defender a implantação de pontos permanentes de monitoramento, protocolos padronizados de amostragem e medições repetidas ao longo do tempo.

A avaliação ganha relevância porque Mato Grosso do Sul estabeleceu, por meio da Proclima (Política Estadual de Mudanças Climáticas e do Plano Estadual MS Carbono Neutro), o compromisso de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Entre as ações previstas está justamente o manejo do solo como ferramenta para reduzir o impacto climático da agropecuária.

Medição do carbono no solo pode fortalecer meta climática de Mato Grosso do Sul
Professor Jean Sérgio Rosset no trabalho a campo (Foto: Arquivo pessoal)

Solo como solução - Rosset ressalta que o solo pode oferecer uma contribuição importante, mas não é capaz de compensar sozinho todas as emissões do Estado. O pesquisador  explica que a estratégia precisa ocorrer simultaneamente à redução das emissões da pecuária, do uso de fertilizantes, das mudanças no uso da terra, da indústria, dos transportes e do setor energético. O manejo adequado do solo, nesse cenário, representa apenas um dos pilares da descarbonização.

Estimativas apresentadas pelo pesquisador indicam que a agropecuária sul-mato-grossense responde por aproximadamente 45 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. Ao mesmo tempo, o Estado possui cerca de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas passíveis de recuperação.

Caso toda essa área fosse recuperada, segundo Rosset, o solo poderia remover entre 5 e 14 milhões de toneladas de CO₂ (Gás carbônico) por ano, o equivalente a uma redução entre 11% e 30% das emissões do setor agropecuário. O pesquisador enfatiza, contudo, que esses números representam uma estimativa de ordem de grandeza e não uma contabilidade definitiva, justamente porque dependem de medições realizadas em campo.

Medição do carbono no solo pode fortalecer meta climática de Mato Grosso do Sul
Professor Eloy Panshuk (à frente) e ao fundo professor Jean com a equipe de estudantes pesquisadores (Foto: Arquivo pessoal)

Medição é o desafio - Para o pesquisador, comprovar o aumento do carbono no solo exige um trabalho científico contínuo. Ele afirma que não basta considerar o carbono que já existe atualmente, pois é necessário determinar o estoque inicial, medir a densidade do solo, realizar comparações por massa equivalente, coletar amostras em profundidade e repetir as medições ao longo dos anos para verificar se o carbono permanece armazenado.

Para o pesquisador, esse acompanhamento também é importante porque o armazenamento de carbono apresenta limitações naturais. Segundo Rosset, o solo não acumula carbono indefinidamente. Após duas a quatro décadas, o sistema tende a atingir um novo equilíbrio, reduzindo sua capacidade de armazenamento. Além disso, o carbono acumulado pode ser rapidamente perdido por fatores como aração intensa, superpastejo ou secas prolongadas.

"O carbono do solo compra tempo, ele não dá anistia”, resume o pesquisador ao defender que o solo seja visto como um componente da estratégia climática, e não como solução única para compensar emissões.

Cinco prioridades - Rosset avalia que Mato Grosso do Sul possui capacidade técnica para avançar nessa agenda, graças à atuação de profissionais e instituições de pesquisa. O desafio, segundo ele, é consolidar esse conhecimento como base permanente para as políticas públicas. Para isso, o pesquisador defende cinco medidas prioritárias:

  • implantar uma rede permanente de monitoramento dos estoques de carbono;

  • regionalizar protocolos conforme os diferentes tipos de solo;

  • priorizar a conservação dos solos orgânicos e o combate à erosão;

  • ampliar o acesso ao crédito e à assistência técnica para produtores; e

  • investir em experimentos de longa duração que permitam gerar dados próprios para Mato Grosso do Sul.

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