Medição do carbono no solo pode fortalecer meta climática de Mato Grosso do Sul
Pesquisador afirma que dados obtidos em campo ajudam a tornar mais confiáveis os inventários estaduais
Mato Grosso do Sul reúne condições para que o solo desempenhe um papel estratégico na meta de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Para ampliar a confiabilidade das estimativas de carbono armazenado no solo, o professor Jean Sérgio Rosset, da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), defende o fortalecimento do monitoramento permanente em diferentes sistemas produtivos. Segundo ele, medições realizadas em campo podem complementar os modelos já utilizados e fornecer uma base científica ainda mais consistente para as políticas climáticas do Estado.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Pesquisador da UEMS defende monitoramento permanente do carbono no solo em Mato Grosso do Sul para fortalecer a meta estadual de neutralizar emissões de gases de efeito estufa até 2030. Jean Rosset estima que a recuperação de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas pode remover até 14 milhões de toneladas de CO₂ por ano, mas alerta que o solo sozinho não resolve o problema e que medições em campo são essenciais para validar modelos climáticos.
Segundo o pesquisador, que é coordenador do Gecarb (Grupo de Estudos em Carbono) da UEMS de Mundo Novo, Mato Grosso do Sul já possui instrumentos para contabilizar emissões, como a plataforma Carbon Control. Porém, quando o assunto é carbono no solo, ainda predominam estimativas. Para ele, a diferença entre estimar e medir pode ser decisiva para a credibilidade da política climática estadual.
- Leia Também
- FCO Rural destina maioria dos recursos a pequenos produtores em MS
- Com R$ 30 bilhões, programa quer dobrar produção sem desmatar uma árvore
"Modelagem e inventário são necessários. Medida em campo é o que os valida”, afirma o professor ao defender a implantação de pontos permanentes de monitoramento, protocolos padronizados de amostragem e medições repetidas ao longo do tempo.
A avaliação ganha relevância porque Mato Grosso do Sul estabeleceu, por meio da Proclima (Política Estadual de Mudanças Climáticas e do Plano Estadual MS Carbono Neutro), o compromisso de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Entre as ações previstas está justamente o manejo do solo como ferramenta para reduzir o impacto climático da agropecuária.
Solo como solução - Rosset ressalta que o solo pode oferecer uma contribuição importante, mas não é capaz de compensar sozinho todas as emissões do Estado. O pesquisador explica que a estratégia precisa ocorrer simultaneamente à redução das emissões da pecuária, do uso de fertilizantes, das mudanças no uso da terra, da indústria, dos transportes e do setor energético. O manejo adequado do solo, nesse cenário, representa apenas um dos pilares da descarbonização.
Estimativas apresentadas pelo pesquisador indicam que a agropecuária sul-mato-grossense responde por aproximadamente 45 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. Ao mesmo tempo, o Estado possui cerca de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas passíveis de recuperação.
Caso toda essa área fosse recuperada, segundo Rosset, o solo poderia remover entre 5 e 14 milhões de toneladas de CO₂ (Gás carbônico) por ano, o equivalente a uma redução entre 11% e 30% das emissões do setor agropecuário. O pesquisador enfatiza, contudo, que esses números representam uma estimativa de ordem de grandeza e não uma contabilidade definitiva, justamente porque dependem de medições realizadas em campo.

Medição é o desafio - Para o pesquisador, comprovar o aumento do carbono no solo exige um trabalho científico contínuo. Ele afirma que não basta considerar o carbono que já existe atualmente, pois é necessário determinar o estoque inicial, medir a densidade do solo, realizar comparações por massa equivalente, coletar amostras em profundidade e repetir as medições ao longo dos anos para verificar se o carbono permanece armazenado.
Para o pesquisador, esse acompanhamento também é importante porque o armazenamento de carbono apresenta limitações naturais. Segundo Rosset, o solo não acumula carbono indefinidamente. Após duas a quatro décadas, o sistema tende a atingir um novo equilíbrio, reduzindo sua capacidade de armazenamento. Além disso, o carbono acumulado pode ser rapidamente perdido por fatores como aração intensa, superpastejo ou secas prolongadas.
"O carbono do solo compra tempo, ele não dá anistia”, resume o pesquisador ao defender que o solo seja visto como um componente da estratégia climática, e não como solução única para compensar emissões.
Cinco prioridades - Rosset avalia que Mato Grosso do Sul possui capacidade técnica para avançar nessa agenda, graças à atuação de profissionais e instituições de pesquisa. O desafio, segundo ele, é consolidar esse conhecimento como base permanente para as políticas públicas. Para isso, o pesquisador defende cinco medidas prioritárias:
implantar uma rede permanente de monitoramento dos estoques de carbono;
regionalizar protocolos conforme os diferentes tipos de solo;
priorizar a conservação dos solos orgânicos e o combate à erosão;
ampliar o acesso ao crédito e à assistência técnica para produtores; e
investir em experimentos de longa duração que permitam gerar dados próprios para Mato Grosso do Sul.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



