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Meio Ambiente

No maior frio em 8 anos, trabalhador sofre para se aquecer e com medo da covid

Nesta terça-feira, Campo Grande registrou mínima de 3,9ºC, mas sensação térmica de zero

Por Anahi Zurutuza e Bruna Marques | 29/06/2021 08:03
Espera pelo ônibus é tortura para alguns (Foto: Henrique Kawaminami)
Espera pelo ônibus é tortura para alguns (Foto: Henrique Kawaminami)

Mato Grosso do Sul enfrenta nesta terça-feira (29) as temperaturas mais baixas já registradas desde 2013, segundo o meteorologista Natálio Abrahão, e sair debaixo das cobertas não é a única preocupação. Trabalhadores que têm de enfrentar as ruas e o transporte coletivo logo cedo também temem a contaminação com o novo coronavírus.

Cristian Lucas Oliveira Santos, 23 anos, trabalha como segurança e saiu às 6h do Bairro Universitário para garantir lugar na fila da Caixa Econômica Federal da Rua 13 de Maio antes de “pegar no batente”. “Sai de casa e estava 4ºC. Mas tinha de ser, para conseguir pegar o ônibus e chegar a tempo. Estou com 5 casacos, duas calças, touca. Não gosto de frio, porque tira o nosso ânimo”.

Para quem pega ônibus, outra dificuldade: impossível deixar as janelas aberta para arejar e evitar dificultar a disseminação da covid-19. “Para mim este está sendo o pior frio dos últimos anos, ainda mais por causa da pandemia. No calor já está difícil, imagina numa temperatura dessas para quem tem imunidade baixa”, observa o trabalhador.

Cristian diz que frio preocupa mais desta vez por causa da pandemia (Foto: Henrique Kawaminami)
Cristian diz que frio preocupa mais desta vez por causa da pandemia (Foto: Henrique Kawaminami)

Esperando o ônibus para ir trabalhar, a faturista Camila Burigato, de 26 anos, também reclamou das baixas temperaturas. “Terrível, o mais terrível possível. Esse frio está fora do normal. A última vez que me lembro de frio assim foi em 2016”.

A assistente administrativa Kathryn Inácio, de 21 anos, foi a única entrevistada que diz não se incomodar tanto com o frio. “Foi triste levantar, porque eu estava em um sono tão gostoso quando tocou o despertador. Mas estou com dois casacos e por mais que seja difícil acordar, eu gosto, prefiro o frio ao calor”.

Toucas e máscaras são acessórios do dia para proteção contra coronavírus e vento gelado (Foto: Henrique Kawaminami)
Toucas e máscaras são acessórios do dia para proteção contra coronavírus e vento gelado (Foto: Henrique Kawaminami)

A dona de casa Valdineia Gomes da Silva, de 28 anos, saiu de Alcinópolis, no norte do Estado, para passar por uma consulta médica em Campo Grande. Não esperava enfrentar o frio que faz nesta manhã, na Capital, ainda mais que não tinha com quem deixar a filha, Taisla, de 5 anos.

Valdineia conta que a viagem foi difícil, durante a madrugada. “Foi horrível, muito frio, mas minha preocupação é mais com ela do que comigo”, afirma sobre ter agasalhado bem a menina, que em frente à Caixa, no Centro, onde mãe e filha fazem hora até a consulta, estava enrolada em coberta.

Nesta terça-feira, Campo Grande registrou mínima de 3,9ºC, mas sensação térmica de zero. A intensa massa de ar polar continua avançando sobre o País e provocando frio intenso nos próximos dias. Nesta terça-feira (29) Mato Grosso do Sul registrou o dia mais frio do ano, com temperatura negativa e sensação térmica de -6ºC, além de geada na região sul e central do Estado, de acordo com Natálio Abrahão.

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