Uvas mais resistentes chegam para reduzir perdas e modernizar produção de vinhos
Novas cultivares combinam produtividade e adaptação climática em resposta às mudanças no campo
A vitivinicultura brasileira ganhou um novo impulso tecnológico com o lançamento de duas variedades de uvas desenvolvidas pela pesquisa pública, pensadas para responder a um desafio antigo do setor: produzir mais, com melhor qualidade e menor risco no campo.
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As novas cultivares fazem parte de um conjunto complementar — um verdadeiro “combo” agrícola — criado para fortalecer a produção nacional de sucos integrais e vinhos de mesa, segmentos que concentram grande parte do consumo interno e sustentam milhares de produtores em diferentes regiões do país.
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O diferencial está no tipo de fruta. As chamadas uvas tintureiras possuem pigmentação intensa não apenas na casca, mas também na polpa e no suco, característica que garante cor mais estável, maior rendimento industrial e padronização do produto final. Diferentemente da maioria das uvas tintas tradicionais, cuja coloração depende principalmente da casca, essas variedades entregam intensidade natural já no processamento.
Produzir mais com menos risco
Segundo a Embrapa, as duas novas variedades foram desenvolvidas para atuar de forma complementar. Enquanto uma prioriza sanidade e estabilidade produtiva, com maior tolerância a doenças que costumam comprometer vinhedos, a outra se destaca pelo alto potencial de produtividade e pelo reforço de cor e estrutura em sucos e vinhos.
Na prática, o uso combinado permite ajustar melhor os cortes industriais, aumentando eficiência e reduzindo perdas — um ponto estratégico em um setor historicamente dependente de poucas cultivares tradicionais.
O resultado esperado é uma cadeia mais resiliente, capaz de enfrentar oscilações climáticas, pressão de pragas e custos crescentes de produção, sem abrir mão da qualidade sensorial exigida pelo consumidor.
Ciência para modernizar a bebida mais antiga do mundo
O desenvolvimento das novas uvas integra um programa nacional de melhoramento genético conduzido ao longo de mais de uma década, com testes em campo e validação junto a produtores. A proposta vai além de lançar novas frutas: busca ampliar a autonomia tecnológica brasileira e reduzir a dependência de materiais importados ou geneticamente limitados.
Hoje, grande parte dos sucos e vinhos de mesa do país ainda se baseia em variedades antigas, que ajudaram a consolidar o setor, mas apresentam limitações produtivas e sanitárias diante das exigências atuais do mercado.
Um mercado em transformação
O avanço chega em um momento de mudança no consumo. O brasileiro tem ampliado a procura por sucos integrais, bebidas com menor intervenção industrial e vinhos acessíveis, criando espaço para inovação genética focada em rendimento, sustentabilidade e padronização.
Nesse cenário, novas cultivares representam mais do que uma novidade agrícola: indicam uma transição silenciosa da vitivinicultura nacional, que passa a apostar cada vez mais em ciência aplicada para ganhar competitividade.
Se antes o desafio era produzir uvas adaptadas ao clima, agora o objetivo é produzir uvas pensadas para toda a cadeia — do vinhedo ao copo.


