ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, DOMINGO  06    CAMPO GRANDE 21º

Meio Ambiente

Pantanal ainda tem lacuna em pesquisas sobre restauração, aponta cientista

Estudos da UFMS buscam recuperar nascentes com participação de indígenas e comunidades tradicionais

Por Inara Silva | 06/09/2026 12:33
Pantanal ainda tem lacuna em pesquisas sobre restauração, aponta cientista
Letícia orienta indígena em plantio de restauração na Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda (Foto: Gustavo Figueiro/Divulgação)

O Pantanal ainda apresenta uma lacuna de pesquisas sobre restauração ecológica quando comparado a outros biomas brasileiros. A constatação é da professora e pesquisadora Letícia Couto Garcia, do Inbio (Instituto de Biociências) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em entrevista publicada na 24ª edição da Revista Candil, da universidade.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Pesquisadora da UFMS aponta lacuna de estudos sobre restauração ecológica no Pantanal e defende abordagem socioecológica que integra comunidades indígenas e tradicionais ao processo. Letícia Couto Garcia coordena o Laboratório Ecologia da Intervenção e atua em projetos de restauração de nascentes nos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Em 2026, ela recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência e foi escolhida Campeã Nacional no Frontiers Planet Prize.

Conforme a pesquisadora, o cenário foi identificado a partir de uma revisão sobre restauração no Brasil, que verificou que havia poucos estudos sobre o tema no Pantanal, apesar das transformações enfrentadas pelo bioma. A partir desse diagnóstico, o grupo de pesquisadores passou a direcionar esforços para a região.

Uma das frentes de trabalho está relacionada à restauração de nascentes e envolve comunidades indígenas e tradicionais. Na entrevista à Candil, Letícia destaca a importância dessas populações para a conservação da biodiversidade e também a relação direta que mantêm com os recursos naturais.

A escolha desses territórios, segundo a pesquisadora, considera ainda questões relacionadas à segurança hídrica e alimentar das comunidades. A proposta é desenvolver a restauração levando em conta não apenas os aspectos ecológicos, mas também as pessoas que vivem nessas áreas e os conhecimentos que possuem sobre o ambiente.

Restauração - A cientista defende uma concepção de restauração que ultrapassa o plantio de mudas, a chamada restauração socioecológica, que considera a paisagem, a manutenção das ações ao longo do tempo e a participação das comunidades no processo. Nessa abordagem, segundo ela, o conhecimento científico é associado aos saberes das populações que vivem nos territórios. A pesquisadora ressalta que a restauração precisa ser pensada dentro da realidade de cada local e levar em consideração as pessoas envolvidas no processo.

Letícia coordena o LEI (Laboratório de Ecologia da Intervenção), da UFMS, que desenvolve pesquisas nos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Sua atuação reúne trabalhos relacionados à restauração, conservação, manejo e políticas públicas. Entre os temas abordados pela pesquisadora está também o fogo. Na entrevista, ela relaciona as estratégias de restauração às ações de conservação e ao MIF (Manejo Integrado do Fogo), destacando resultados de redução da frequência de incêndios e da área queimada em experiências com esse tipo de manejo.

O trabalho desenvolvido no Pantanal procura, portanto, aproximar a produção científica da realidade dos territórios. No caso das nascentes, a participação de indígenas e comunidades tradicionais integra a própria estratégia de restauração estudada pelo grupo.

Pesquisa e reconhecimento - Letícia atua há cerca de 25 anos com restauração, conservação, manejo e políticas públicas. Em 2026, seu trabalho ganhou destaque com dois reconhecimentos científicos. A pesquisadora foi vencedora do Prêmio Mulheres e Ciência, na categoria Estímulo, na área de Ciências da Vida, e escolhida Campeã Nacional do Brasil no Frontiers Planet Prize, premiação internacional voltada a pesquisas relacionadas aos desafios ambientais do planeta.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.