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Meio Ambiente

Pantanal leva manejo do fogo ao debate climático em conferência da ONU

Experiência do bioma foi apresentada na SB64, em Bonn, e reforça ações rumo à COP31

Por Inara Silva | 17/06/2026 18:55
Pantanal leva manejo do fogo ao debate climático em conferência da ONU
Representantes de entidade participaram do painel (Foto: Divulgação/SOS Pantanal)

A experiência acumulada no Pantanal para prevenir e enfrentar incêndios florestais ganhou espaço nas discussões climáticas internacionais durante a SB64 (64ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção), conferência da ONU (Organização das Nações Unidas), realizada em Bonn, na Alemanha. O tema foi debatido em um evento oficial que reuniu representantes de governos, agências internacionais, cientistas, organizações da sociedade civil e comunidades locais para discutir o avanço do MIF (Manejo Integrado do Fogo) como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas.

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A experiência do Pantanal no combate a incêndios florestais foi apresentada na SB64, conferência da ONU realizada em Bonn, na Alemanha. O SOS Pantanal defendeu o Manejo Integrado do Fogo como estratégia climática, em painel que reuniu governos e cientistas. O documento lançado pelo Brasil na Cúpula do Clima de Belém já conta com apoio de 67 países. As propostas devem embasar a agenda da COP31, prevista para novembro, na Turquia.

O painel, intitulado “From Action to Implementation: Scaling Fire Solutions to Reduce Wildfire Emissions” (“Da ação à implementação: ampliando soluções de manejo do fogo para reduzir emissões de incêndios”), foi proposto pelo SOS Pantanal em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a organização Uma Gota no Oceano e o Hub Global de Manejo do Fogo, da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

O encontro teve como foco transformar em ações concretas o Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais, lançado pelo Brasil durante a Cúpula do Clima de Belém, às vésperas da COP30. O documento, que inicialmente contou com a adesão de 50 países, já reúne o apoio de 67 nações e quatro organizações internacionais.

Pantanal como referência - A participação do SOS Pantanal levou ao debate internacional experiências desenvolvidas em um dos biomas mais afetados por incêndios extremos nos últimos anos. O Pantanal enfrentou, especialmente a partir de 2020, uma sequência de grandes queimadas impulsionadas por períodos prolongados de seca e condições climáticas cada vez mais severas.

Segundo o diretor de Comunicação do SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa, a experiência construída no território demonstra a importância da atuação conjunta entre comunidades locais, organizações da sociedade civil e poder público.

“Trazer a experiência que tivemos no Pantanal nos últimos anos é muito valioso neste cenário global. Mostramos como a integração de quem está no território com o poder público e organizações não governamentais pode surtir efeito prático e escalar para uma política pública que ouve o território”, afirmou.

A proposta defendida durante o evento é substituir a lógica baseada apenas no combate emergencial aos incêndios por uma estratégia permanente de prevenção, monitoramento e uso planejado do fogo, incorporando conhecimento científico e saberes tradicionais.

Fogo e mudanças climáticas - Os participantes destacaram que os incêndios florestais passaram a representar não apenas uma ameaça à biodiversidade e às comunidades que vivem em áreas naturais, mas também uma importante fonte de emissões de gases de efeito estufa.

Nesse contexto, o Manejo Integrado do Fogo tem sido apontado como uma ferramenta capaz de reduzir emissões, aumentar a resiliência dos ecossistemas e diminuir a ocorrência de incêndios de grandes proporções.

A discussão ocorre em um momento de crescente preocupação com a ocorrência de eventos climáticos extremos, como a aproximação do El Niño. Nos últimos anos, períodos de estiagem prolongada e temperaturas elevadas contribuíram para o aumento do risco de incêndios em diversas regiões do país.

A expectativa é que as propostas debatidas na SB64 contribuam para a construção da agenda que será levada à COP31, marcada para novembro deste ano, em Antália, na Turquia.

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