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Meio Ambiente

Presidente da COP15, Capobianco vira ministro do Meio Ambiente

Novo titular esteve ontem no Campo Grande News e destacou Pantanal e cooperação

Por Gustavo Bonotto | 31/03/2026 21:42
Presidente da COP15, Capobianco vira ministro do Meio Ambiente
O biólogo João Paulo Capobianco experimenta o famoso tereré durante passagem em Campo Grande. (Foto: Gabi Cenciarelli)

O biólogo João Paulo Capobianco vai assumir o Ministério do Meio Ambiente, menos de 48 horas após o encerramento da COP15 (15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres), realizada em Campo Grande. Ele substitui Marina Silva, que deixará o cargo para disputar vaga no Senado em 2026.

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João Paulo Capobianco assumiu o Ministério do Meio Ambiente nesta terça-feira (31), em substituição a Marina Silva, que deixou o cargo para disputar vaga no Senado em 2026. O biólogo, que era secretário-executivo da pasta, terá como missão manter a queda do desmatamento e ampliar políticas ambientais. Ele alertou para o risco de novos incêndios no Pantanal devido ao El Niño e defendeu que a hidrovia do Rio Paraguai respeite o curso natural do rio.

Presidente da Conferência, Capobianco era secretário-executivo da pasta e atuava ao lado de Marina na formulação de políticas públicas. Ele participou da reestruturação do ministério desde 2023, com foco no combate ao desmatamento, enfrentamento a incêndios e implementação do Plano Clima. O novo ministro também acompanhou ações para ampliar a adesão de estados e municípios às políticas ambientais.

Durante passagem pela Capital, Capobianco afirmou ao Campo Grande News que a cidade “encantou” os participantes da COP15. “Nós tínhamos a intenção de fazer um gesto afirmativo: primeiro um bioma ainda pouco conhecido, mas de extrema importância, de uma riqueza incrível”, disse. A conferência reuniu 2,4 mil representantes de 74 países e da União Europeia para discutir a proteção de espécies migratórias.

O ministro esteve na redação do Campo Grande News nesta segunda-feira (30) e em entrevista a jornalista Maristela Brunetto relatou que pesquisadores estrangeiros se impressionaram com a proximidade entre a cidade e a natureza. Ele citou o exemplo de um cientista indiano, especialista em tigres, que conheceu a onça-pintada. “Muito impactado e maravilhado com a experiência no Pantanal”, afirmou.

Capobianco também destacou o esforço conjunto entre governo federal, Estado e prefeitura para viabilizar o evento. “A população deu um exemplo de receptividade, colaboração, desprendimento e acolhimento”, disse. As atividades ocorreram em locais como o Parque das Nações Indígenas, a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e o Shopping Bosque dos Ipês.

Na entrevista, o agora ministro alertou para o risco de novos incêndios florestais no Pantanal diante da previsão de um El Niño mais intenso neste ano. “[El Niño] está chegando e pode ser rigoroso. Vamos trabalhar todos para evitar novos incêndios nesse bioma”, afirmou. Segundo ele, o governo federal articula ações preventivas com especialistas climáticos e busca ampliar o envolvimento da comunidade.

Outro ponto abordado foi a possível concessão da hidrovia do Rio Paraguai. Capobianco defendeu que a navegação respeite o curso natural do rio. “Não se trata de alterar o rio para aumentar a navegabilidade, mas de respeitar o curso natural, com dragagem de manutenção sem interferência no leito”, disse.

A COP15 terminou com a inclusão de 40 novas espécies na lista de proteção internacional, que agora soma cerca de 1,2 mil. Entre elas estão o pintado, a ariranha e o caboclinho do Pantanal. “Os animais não reconhecem fronteiras e é preciso um esforço coordenado para proteger esses corredores”, afirmou o ministro.

Aliado histórico de Marina, Capobianco já ocupou cargos no ministério entre 2003 e 2008 e chegou a comandar a pasta naquele período. Ele também atuou em organizações como SOS Mata Atlântica e Instituto Socioambiental.