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Meio Ambiente

Projeto quer levar mirantes para áreas históricas e naturais de municípios de MS

Iniciativa faz parte do programa Trilha Rupestre e busca fomentar turismo sustentável

Por Inara Silva | 30/08/2025 09:29
Projeto quer levar mirantes para áreas históricas e naturais de municípios de MS
Parque Morro da Lua, em Rio Verde, espaço de recuperação de área degradada pela mineração de argila. (Foto: Reprodução)

Um grupo de 15 estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) está à frente de 10 projetos que pretendem transformar a paisagem da região norte do Estado com a instalação de mirantes turísticos.

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Grupo de estudantes de Arquitetura e Urbanismo da UFMS desenvolve projetos de mirantes turísticos para a região norte de Mato Grosso do Sul. A iniciativa faz parte do Programa Trilha Rupestre, que visa fortalecer roteiros culturais e naturais em municípios com sítios arqueológicos. Os dez projetos incluem estruturas em pontos como a Gruta de Nossa Senhora Aparecida, em Rio Negro, e o Morro da Lua, em Rio Verde. As propostas contemplam infraestrutura turística, museus e elementos que valorizam a flora local, dependendo agora de financiamento e apoio das prefeituras para implementação.

A proposta integra o Programa Trilha Rupestre, iniciativa institucional que reúne diferentes áreas do conhecimento, divididas em oito eixos, e tem como objetivo fortalecer um roteiro cultural e natural entre municípios que possuem sítios arqueológicos.

As expedições foram realizadas no ano passado ao longo da MS-080, como parte da atividade de extensão universitária e da disciplina Construir e Habitar. Cada grupo de alunos, do primeiro ao quinto ano, foi responsável pela criação de um mirante inspirado em elementos regionais da Bacia do Pantanal e da Serra de Maracaju, onde escarpas e paisagens chamam a atenção de turistas e comunidades locais.

Professora da UFMS, a coordenadora do eixo Arquitetura da Trilha Rupestre, Andrea Naguissa Yuba, explica que as propostas ainda dependem de financiamento e da sensibilização dos prefeitos.

Projeto quer levar mirantes para áreas históricas e naturais de municípios de MS
Gruta de Nossa Senhora Aparecida, em Rio Negro, à margem da MS-080. (Foto: Divulgação)

Devoção e Patrimônio

Entre os pontos já estudados pelos alunos está a Gruta de Nossa Senhora Aparecida, em Rio Negro, a 168 km de Campo Grande. O local já recebe turistas e ganhou projeto arquitetônico para facilitar o acesso, com rampas e guarda-corpo.

A gruta surgiu a partir da promessa do pecuarista Josias Guimarães, que, nos anos 1980, se comprometeu a erguer um templo à padroeira do Brasil após perder parte do gado em viagem de comitiva. Desde 1983, o espaço recebe missas em 1º de maio e romeiros no dia 12 de outubro.

Além da devoção, a gruta guarda formações rochosas, morros e escarpas que atraem visitantes interessados na geologia. O projeto de requalificação do mirante prevê recuperação ambiental, infraestrutura com quiosques, banheiros e arena, além de ligação ao museu e ao centro de convenções.

Projeto quer levar mirantes para áreas históricas e naturais de municípios de MS
Proposta para a gruta visa integrar os interesses religiosos e geológicos. (Foto: Reprodução)

Atrativos Culturais e Naturais

Em Rio Verde, a 207 km da Capital, o conhecido Morro da Lua, onde moradores já acompanham o pôr do sol em uma área de pedreira, inspirou a proposta de criação de um parque que pode incluir mirante e um museu aberto de geopaleontologia.

A proposta do Parque Morro da Lua nasceu da recuperação de uma área degradada pela extração de argila. No local, sob as camadas de arenito e argilito, podem ser vistos fósseis de organismos marinhos do Período Devoniano.

Também foi elaborado o projeto para o museu do Parque Morro da Lua, concebido em formato de espiral, conduzindo os visitantes por um percurso ascendente. Com rampas e patamares, o espaço possibilitará exposições em diferentes formatos, oferecendo um ambiente dinâmico e acolhedor para atrair quem passeia pelo parque.

Projeto quer levar mirantes para áreas históricas e naturais de municípios de MS
Proposta de museu para o Parque Morro da Lua tem cobertura de vegetação. (Foto: Reprodução)

Outro destaque é o mirante projetado para a Cachoeira Rio do Peixe, também em Rio Negro. Com 70 metros de queda d’água, o local atrai diariamente visitantes em busca de lazer e contemplação da natureza, com trilha, “prainha” e caverna.

A proposta pretende valorizar a vista panorâmica e integrar a cachoeira à rota turística da Trilha dos Mirantes, iniciativa voltada a ampliar a visitação e incentivar o turismo sustentável na região.

Com traçado em espiral, a ideia é que o visitante escolha a altura que deseja alcançar, contemplando a paisagem em diferentes patamares. O formato simboliza o passar do tempo geológico, uma das marcas do projeto Trilha Rupestre.

Roteiro Sustentável

Segundo Andrea Yuba, desde o ano passado professores e estudantes realizam expedições na região para identificar áreas com potencial turístico. Uma das frentes percorreu a rodovia MS-080, mapeando pontos de escarpa e propriedades privadas que poderiam ser adaptadas como atrativos.

Além da arquitetura, o projeto prevê mobiliário urbano e paisagismo com espécies nativas do Cerrado, como araticum, guavira, araçá-do-cerrado e mandovi, além de ervas como abacaxi-do-cerrado e caraguatá-do-mato.

“A intenção é valorizar a flora local e integrar o espaço ao entorno, sem criar contraste”, detalhou a professora.

Projeto quer levar mirantes para áreas históricas e naturais de municípios de MS
Proposta de mirante em formato de pintura rupestre para Alcinópolis (Foto: Divulgação )

Apoio Local

O trabalho dos alunos já foi apresentado à Secitec (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia) e ao prefeito de Rio Verde, onde já existe área destinada à instalação do parque.

A expectativa é que, com o avanço do diálogo com gestores municipais, os projetos ajudem a consolidar a Trilha Rupestre como rota turística, gerando renda pela bioeconomia e incentivando o desenvolvimento sustentável.

“É possível detalhar e adequar os projetos às características regionais de cada local, caso seja necessário”, argumenta a professora.

Além disso, segundo ela, entre as 10 propostas há algumas sem locais definidos, como é o caso de Alcinópolis, município que ainda não foi visitado pela equipe.

Para Alcinópolis, considerada a capital estadual da arte rupestre, a proposta é a construção de um mirante em formato de pintura rupestre que representa um peixe.