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Meio Ambiente

Rio da Prata está há 70 dias com aspecto leitoso e preocupa ambientalista

Instituto Homem Pantaneiro verificou que problema pode estar próximo à sede de fazenda

Aline dos Santos | 10/04/2023 11:29


Há 70 dias, o Rio da Prata, curso de água que corre por Bonito e Jardim, está com aspecto leitoso, o que impede mergulhos com cilindro. A situação é monitorada pelo Projeto Cabeceiras do Pantanal, do IHP (Instituto Homem Pantaneiro).

Conforme apurado pelo Campo Grande News, o aspecto leitoso da água foi observado desde 31 de janeiro, após chuva intensa. O Instituto Amigos do Rio da Prata divulga semanalmente nas redes sociais o nível da água e se há visibilidade para mergulho. O monitoramento é na Ponte do Curê, em Jardim, cidade vizinha a Bonito.

A análise de que “O rio da Prata não está em condições para a prática de mergulho com cilindro” se repete desde primeiro de fevereiro.

O Instituto Homem Pantaneiro verificou que o problema pode estar próximo à sede da Fazenda São Francisco, onde pedras foram removidas de drenos. A movimentação das pedras na área de banhado, que tem o chamado solo cárstico, resultaria na cor esbranquiçada.

 “Devido à característica desse solo branco, que vai através dos drenos para o Rio da Prata, há a coloração esbranquiçada por diversos dias. Precisa ser investigado se as pedras foram retiradas com autorização ambiental. As informações colhidas no Projeto Nascentes do Pantanal serão repassadas à Polícia Militar Ambiental e ao Ministério Público”, informa o IHP. Para determinar a causa do problema, é preciso um laudo técnico.

O brejão do Rio da Prata é uma área úmida no limite entre Bonito e Jardim. Ele abrange várias fazendas e funciona similar ao rim, filtrando os sedimentos.  Em 1984, a área do brejão era calculada em 7 mil hectares. Passados 34 anos, foi reduzida para 5 mil hectares.

Pedra perto de drenos que direcionam água para o Rio da Prata. (Foto: Direto das Ruas)
Pedra perto de drenos que direcionam água para o Rio da Prata. (Foto: Direto das Ruas)

Os drenos na Fazenda São Francisco foram denunciados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em 2016.

No ano de 2018, a defesa do proprietário da propriedade rural informou que os drenos foram feitos por serem plenamente regular, com boa fé e sem nenhum intuito de cometer crime ambiental.  Nesta segunda-feira (dia 10), a reportagem não conseguiu contato com a defesa.

A Polícia Militar Ambiental informou ao Campo Grande News que não recebeu denúncia.

A proteção aos brejos, também chamado por banhados, ganhou reforço com a Lei 5.782, publicada em 16 de dezembro de 2021 pelo governo do Estado. A legislação instituiu como áreas prioritárias banhados nas nascentes dos rios da Prata e Formoso. A lei abrange 13.659 hectares nos municípios de Bonito e Jardim.

Preocupação – Em novembro de 2018, as águas cristalinas do Rio da Prata, que se espalham por Bonito e Jardim, ficaram turvas, causando grande preocupação ambiental e impacto para o turismo, uma das principais atividades econômicas da região.

Na ocasião, a falta da curva de nível em lavouras de soja em duas fazendas levou lama ao Rio da Prata.

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