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Meio Ambiente

Sem água encanada, comunidade decide construir sistema de abastecimento

Por Luciana Brazil | 29/04/2014 14:07
Moradores, reunidos no MPF, querem arcar com todos os custos da obra.
Moradores, reunidos no MPF, querem arcar com todos os custos da obra.

O abastecimento irregular e a péssima qualidade da água oferecida pelos carros-pipa fizeram a comunidade tradicional de Antonio Maria Coelho, em Corumbá, a 419 quilômetros de Campo Grande, decidir pela construção de um sistema de abastecimento de água para as famílias do local.

Os moradores afirmam que a obra será feita por conta própria. A decisão da comunidade foi anunciada em reunião no Ministério Público Federal no município.

A comunidade denuncia que, além da ausência de abastecimento regular, a água servida pelos carros-pipa, contratados pela empresa Vale- que explora minério na região-, é armazenada em reservatórios inadequados.

De acordo com relatos, com o início da exploração de minérios, alguns córregos na Morraria do Urucum já secaram, a vazão de outros foi reduzida e a qualidade da água está prejudicada.

Moradores dizem que a falta de canalização da água faz com que médicos e enfermeiros sejam obrigados a trazer garrafas de água de suas casas para atender a população no posto de saúde local.

A comunidade pretende arcar com todos os custos da obra, sem ajuda financeira das mineradoras. Apesar das dificuldades, todos reconheceram a importância da mineração para a geração de emprego e renda, mas deixaram clara a insatisfação com ausência de políticas públicas.

Para dar início ao projeto ainda é necessária a autorização de alguns proprietários de imóveis da região, já que o encanamento passa por propriedades particulares.

Os representantes da comunidade terão apoio do Ministério Público Federal, Embrapa-Pantanal, Fundação do Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Obras.

Belo Monte do Pantanal - O Maciço do Urucum, localizado em Corumbá, possui a maior reserva do país de manganês e a terceira maior reserva de ferro. A exploração de minério é realizada por grandes empresas como Vale, Vétria e Urucum Mineração. A Vétria pretende ampliar suas instalações, com investimento de R$ 11,5 bilhões, para produzir 27,5 milhões de toneladas de ferro por ano.

O empreendimento envolve uma jazida de ferro em Corumbá (MS), ferrovia da ALL e um terminal portuário em Santos. Já a Vale quer expandir suas atividades em 138,6% - o que aumentaria a retirada de minério de ferro de 4,4 milhões de toneladas por ano para 10,5 milhões. Os projetos estão na fase de licenciamento ambiental.

A Vétria anunciou que vai destinar 0,4% do investimento total (de R$ 11,5 bilhões) para compensações ambientais. Na usina de Belo Monte (PA), 13% do investimento total (de R$ 30 bilhões) foram aplicados em condicionantes ambientais.

Fiscalização- Para o MPF, é necessário que o novo licenciamento ambiental preveja compensações que minimizem não só os danos ao meio ambiente, mas também aqueles sofridos pela comunidade. Conforme o órgão, o objetivo é proporcionar aos moradores que vivem perto das usinas melhor qualidade de vida.

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